A “barriga” do Estadão

Em editorial do dia 14 de outubro, sobre “Os Números do ENADE”, o jornal O Estado de São Paulo fala dos dados do ENADE e repete a afirmação equivocada do Ministério da Educação de que “dos 7.228 cursos avaliados no último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), cerca de 30% obtiveram conceitos 1 e 2, o que equivale à reprovação”.  No final, ele cita também uma nota deste blog em que mostro que  “o  MEC se limita a apresentar os conceitos de avaliação sem, contudo, definir os pontos necessários para classificar um curso como ruim ou excelente em cada área do conhecimento”.

Das duas, uma. Ou o que eu disse antes era certo, ou seja, de fato as notas são distribuídas aproximadamente conforme a curva normal ao redor da média, e não existe padrão de referência para dizer o que equivale ou não à reprovação, e neste caso  o Estadão, que se supõe ser uma publicação séria, não deveria estar endossando os equívocos do MEC;  ou o editorialista não concorda ou não entendeu o que eu disse, e neste caso deveria, quem sabe, fazer melhor o seu dever de casa.

Author: Simon

Simon Schwartman é sociólogo, mineiro e brasileiro. Vive no Rio de Janeiro

3 thoughts on “A “barriga” do Estadão”

  1. Prezado Simon:
    Boa noite!
    De fato, a curva normal mostra quais cursos estão nos quartis acima e abaixo da média.Caso e média obtida pelos cursos seja baixa, os cursos colocados nos quartis médio superior e superior não são necessariamente notáveis, mas menos críticos em uma situação de carência educativa generalizada, ou seja “são a nata do lixo, do lixo da aldeia…do meu …” Para lembrar aquela estrofe tão cantada por um grande compositor nacional.
    Pois bem… Se está afirmativa é verdadeira, há que se definir o que significa ser um curso de boa qualidade, quais suas características, qual o seu custo, etc. A curva normal da um sinal, mas não mostra o caminho.Este caminho precisa ser traçado, para todos os níveis de ensino.De maneira geral, não temos parâmetros de qualidade para nenhuma área social.
    Atenciosamente,
    Ana Maria de Rezende Pinto

  2. Caro Sr. Simon.

    Estamos mal de estatísticas e de jornalismo.
    Cordialmente, AJSCampello

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