Os programas de pós-graduação em economia da Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Fundação Getúlio Vargas vivem um paradoxo. Como os mestrados são muito bons, seus melhores alunos conseguem ser admitidos em programas de doutorado no exterior, e por isto os cursos formam poucos doutores; e, como formam poucos doutores, não recebem boas avaliações da CAPES. Que fazer?  Impedir que estes estudantes estudem fora do país? Para os que estudam fora e recebem convites e propostas de trabalho de universidades e empresas de outros países, processá-los para que voltem ou devolvam o dinheiro que o país investiu em sua educação? Piorar a qualidade dos mestrados, para que os estudantes façam seu doutorado por aqui?

Jorge Balán discute este tema em uma nova revista publicada nos Estados Unidos, a Primera Revista Latinoamericana de Libros, que permite acesso integral aos textos dos artigos. Observa ele que

“Resulta imposible, en la práctica, frenar la emigración de talentos con políticas restrictivas de la movilidad o el pago de reparaciones por los costos de la educación que han recibido. El intento de la Unión Soviética y de otros países socialistas de limitar la salida de talentos resultó en un enorme sufrimiento humano y en importantes distorsiones de la economía, llevando eventualmente a uno de los drenajes de capital humano mayores de la historia. En la actualidad, conviene recordarlo, rusos y europeos orientales contribuyen con un gran contingente de emigrantes calificados a Europa occidental. El reconocimiento por parte del gobierno chino de que no podía continuar con políticas restrictivas de los estudios en el exterior es igualmente ilustrativo. La movilidad internacional es un derecho y su regulación, dentro de ciertos límites, queda en manos de los gobiernos en los países receptores”.

Se é assim, então não há nada a fazer? Ao invés de tentar segurar os alentos, o que os países devem fazer é apostar nos benefícios que derivam da abertura internacional e da circulação de talentos. Como diz Balán, “el comportamiento migratorio de los talentosos se ha transformado a nivel global, hecho muy relevante para la elaboración e implementación de políticas de retorno.  La residencia doble o incluso múltiple, alimenta la migración circular de los talentosos. La residencia dejó para muchos de estar atada a una fuente de empleo, ya que los talentos tienen valores más portátiles y escogen residencia con otros criterios” . E, citando a Richard Florida:

“Los talentosos —la clase creativa por la que compiten empresas, comunidades y gobiernos— no responden exclusivamente a mejores salarios y beneficios, sino que son sumamente sensibles a la autonomía personal y a la calidad de vida que ofrecen la empresa y la comunidad local. De allí la importancia de la tolerancia al diferente —ellos lo son por naturaleza— y de la receptividad a la innovación en todos los órdenes de vida. Esto nos dice mucho, también, sobre cómo responderían los talentosos a las oportunidades de vinculación y eventual retorno que se abren con las políticas imaginadas por países en desarrollo”

Vale a pena ler o artigo na íntegra: Jorge Balán, La competencia internacional por los talentos, Primera Revista Latinoamericana de Libros, Octubre-Noviembre 2008.

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3 comments untill now

  1. Outra pergunta interessante é investigar os incentivos políticos e não apenas técnicos dos critérios da CAPES.

  2. Carlos H Brito Cruz @ 2008-10-18 16:02

    Simon:

    Entre as perguntas que v elencou sobre o que o curso poderia ou deveria fazer ficou faltando a mais importante. Esta é a que se refere àquilo que todos bons cursos de pós-graduação em boas universidades fazem: buscar os melhores alunos no mundo todo.

    No Brasil esta busca não parece ser muito praticada. Ela precisa entrar na agenda da pós-graduação brasileira. A CAPES pretende avaliar os cursos analisando seu grau de internacionalização, mas não busca dados sobre quantos estudantes ou quantos pós-docs estrangeiros há nas instituições. Se a CAPES passasse a valorizar este tipo de informação isso já seria um importante estímulo à internacionalização dos cursos.

    A circulação de cientistas é essencial para o progresso da ciência, pois este depende de comunicação, e de comunicação com os criadores das melhores idéias. Estes estão em todo o mundo e cabe aos cursos e universidades que pretendem evoluir procurá-los ativamente.

    Na FAPESP introduzimos recentemente uma sistemática pela qual concedemos a bons projetos temáticos uma quota de bolsas de pós-doutorado. O bolsista deve ser indicado pelo pesquisador responsável pelo projeto, e a FAPESP exige que ele faça uam anúncio mundial da oportunidade. Além deste anúncio as oportunidades são anunciadas no site da FAPESP em http://www.oportunidades.fapesp.br/en/, no qual a lista de ofertas vai aumentando pouco a pouco.

    A Nature pautou o assunto recentemente na seção Nature Jobs em http://www.nature.com/naturejobs/2008/080904/full/nj7209-134b.html, para o caso do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Bioenergia, o BIOEN.

    Em resumo: o as melhores instituições de pesquisa do mundo disputam os melhores talentos. Se as instituições brasileiras quiserem ter alguns destes, seja no curso de doutorado seja como pós-doutores, seja como professores, precisam se decidir a ir buscá-los no mundo.

  3. A CAPES deveria usar um criterio simples: PUBLICACOES. Ponto final. A capes tem que parar de olhar para outros indicadores que nada tem em comum com a geracao de conhecimento. Centro de estudos bom é aquele que publica. Publicou é bom, publicou internacionalmente é ótimo. Além disso, foi citado internacionalmente? Se foi o centro é de excelência.

    Adolfo