Usos e abusos da avaliação educacional no Brasil

balancaProfessores sempre avaliaram seus alunos, mas a avaliação sistemática e externa da educação começou no Brasil nos anos 70, com a pós-graduação, se expandiu para o ensino superior e a educação básica nos anos 90 com o SAEB, o “Provão”, e hoje está generalizada, com a Prova Brasil, o IDEB, o novo ENEM, o ENADE e os rankings dos cursos superiores e universidades feitos pelo Ministério da Educação. Além disto, o Brasil participa de avaliações internacionais, como o PISA, e muitos estados desenvolveram seus sistemas próprios de avaliação, como o SAERJ, SARESP e SIMAVE, no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Finalmente, existe a Provinha Brasil, de alfabetização, e para 2013 está anunciada a primeira avaliação nacional de ciências, para o ensino médio.

Será que estamos fazendo as coisas direito, e não estamos indo além do razoável com tudo isto? O tema das avaliações externas sempre foi controverso. Para mim, não se trata de ser contra ou a favor das avaliações, mas saber em que mundo preferimos viver – no mundo sem avaliações, em que não existem padrões e não sabemos o que está acontecendo nem para aonde estamos indo, ou no mundo das avaliações, indicadores e estatísticas, sujeitas a erros de medida, incentivos equivocados e provas mal feitas. Dada a má qualidade da educação brasileira, eu sempre preferi e ainda prefiro o mundo das avaliações, sem com isto ignorar que elas trazem problemas.

A convite da Sociedade de Educação Internacional Comparada, preparei uma apresentação sobre o tema aonde trato de fazer um balanço desta experiência brasileira, que está disponível  en inglês aqui.

Author: Simon

Simon Schwartman é sociólogo, falso mineiro e brasileiro. Vive no Rio de Janeiro

3 thoughts on “Usos e abusos da avaliação educacional no Brasil”

  1. Há um ponto interessante que apenas recentemente me chamou a atenção na sistemática do qualis, especialmente nas áreas de humanas e afins, que tendem a trabalhar com “listas” de periódicos. Quando um artigo é publicado em um periódoco que não consta da lista”, ele é classificado em C, independentemente da relevância da revista, seu impacto, etc. Com isso, essa publicação perde relevãncia para a avaliação da CAPES. Essa sistemática tende a reforçar uma estratégia conservadora de publicação que, se de um lado, fragiliza propostas novas de revistas, por outro lado também reforça a baixa visibilidade da produção nacional no ambiente externo. Isso porque quando colocado diante da alternativa de publicar no exterior em uma revista que ainda não entrou no qualis, e publicar em uma revista nacional bem avaliada, o pesquisador sempre vai preferir a última alternativa….

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