Claudia Costin e a Educação na Cidade do Rio de Janeiro

Um grupo de lideranças de diversas áreas criou e assina a seguinte carta de apoio ao trabalho da Secretária Claudia Costin à frente da Secretaria Municipal de Educação na cidade do Rio de Janeiro:

Depois do convite do Ministro Mercadante para que a Secretária Claudia Costin assumisse a Secretaria de Educação Básica do MEC, alguns acadêmicos decidiram publicar um texto com críticas que revelam não só desconhecerem o trabalho que vem sendo feito na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro nos últimos anos, mas também uma postura de oposição aos esforços do governo federal e da maioria dos estados brasileiros de romper a barreira do analfabetismo funcional, da desorganização e da desmoralização da escola pública, provocando danos irreparáveis às nossas crianças e jovens e ao desenvolvimento humano, social e econômico do país. A Secretária Claudia Costin e sua equipe têm tido o apoio irrestrito do Prefeito Eduardo Paes e têm feito um trabalho técnico, de qualidade e com resultados inquestionáveis.

Ao anunciar o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, a Presidenta Dilma Rousseff fez questão de enfatizar a importância da avaliação do processo de aprendizagem, afirmando que “não há como aferir se as crianças estão seguindo um ciclo de alfabetização efetivo sem avaliar. E não há como fazer isso sem fazer testes objetivos. Principalmente, se quisermos evitar que as crianças cheguem à 5ª série sem conseguir dominar a leitura e as operações matemáticas simples”. E prossegue a Presidenta: “Por isso, se quisermos saber se as crianças estão aprendendo, se precisam de apoio em algum conteúdo específico, se o nosso material didático e os métodos são adequados, se o professor e a escola estão cumprindo suas tarefas, nós vamos precisar avaliar. Precisamos avaliar a partir de parâmetros nacionais e sistematicamente, e precisamos fazer isso logo agora, e faremos a partir de 2013. Vamos também premiar o mérito. Premiar o que está dando certo. Professores e escolas que se destacarem, que conseguirem alcançar os melhores resultados receberão prêmios”.

É esta linha, exatamente, que a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro vem seguindo na gestão de Claudia Costin. A Secretária Claudia Costin liderou a discussão para a criação de orientações curriculares mínimas claras, com a participação dos professores da rede e comunidades escolares. Essas orientações curriculares são constantemente revisadas pelos professores em reuniões nas escolas. Há vários canais de diálogo, como visitas, reuniões com conselhos de diretores, professores, pais, alunos e virtualmente, por meio das redes sociais e mensagens eletrônicas. A partir dessas orientações curriculares, materiais impressos e digitais foram criados para apoiar o trabalho do professor, que pode decidir utilizá-los ou não em seus planejamentos, complementando a utilização de outros recursos como livros didáticos e vídeos. Avaliações verificam o processo de aprendizagem e que escolas precisam ser auxiliadas por outras escolas com contextos semelhantes e que conseguem atingir bons resultados.

Como acontece em muitas redes de educação pública municipais e estaduais, a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro conta com parcerias para realfabetizar os alunos que não foram alfabetizados na idade correta, acelerar alunos em defasagem idade-série e reforçar a aprendizagem dos alunos que precisam de mais ajuda por uma série de fatores, como o contexto socioeconômico ou a baixa escolaridade dos pais. As metodologias adotadas são as aprovadas e recomendadas pelo Ministério da Educação, com base no seu cadastro de tecnologias educacionais certificadas. Hoje a sociedade brasileira se mobiliza cada vez mais para apoiar a educação, nenhuma secretaria pode dar conta sozinha da imensa tarefa que tem pela frente de melhorar as condições de estudo de seus alunos, e a política da Secretaria Municipal tem sido a de buscar sempre todos os apoios de qualidade que consegue identificar.

Um dos pontos fortes do trabalho da equipe da SME Rio tem sido a atenção especial que tem dado a crianças e jovens historicamente abandonados e que não exerciam o direito de educação pública de qualidade. O Programa Escolas do Amanhã é hoje reconhecido nacional e internacionalmente por diminuir as taxas de reprovação e abandono e melhorar a aprendizagem em escolas situadas em áreas conflagradas. Um exemplo é que o crescimento do Ideb nos Anos Finais nessas escolas foi de 33%. A criação de vagas em creches é o maior da história da cidade. Para essas vagas, os alunos de classes econômicas mais desfavorecidas são priorizados.

Liderando a educação carioca, a Secretária Claudia Costin ousou experimentar novas formas de aprender, utilizando ferramentas digitais e a personalização do ensino para estilos e necessidades diversas, com escolas experimentais (algumas vocacionadas), apostando no papel do professor como aquele que assegura a educação de qualidade para todos e não somente para alguns. Sempre com um foco claro na melhoria da aprendizagem, as escolas estimulam o protagonismo juvenil, a educação para valores, a construção de um projeto de vida e a formação de cidadãos autônomos, solidários e competentes, de acordo com os objetivos da educação pública preconizados em nossas leis.

Os resultados do trabalho realizado demonstram que os alunos cariocas estão aprendendo mais. As notas melhoram em todos os níveis, da alfabetização ao 9º ano. Enquanto em nível nacional o Ideb para os Anos Finais avançou pouco entre 2009 e 2011, por exemplo, as escolas cariocas avançaram 22%. Alunos e famílias estão mais satisfeitos com a educação pública. Crianças e jovens do Rio de Janeiro podem avançar no desenvolvimento de suas potencialidades e estarão muito mais bem preparados para batalharem por seus sonhos. O Brasil tem muito a ganhar se conseguir se beneficiar destas experiências que precisam se multiplicar. Ainda há bastante a ser feito, mas a educação carioca é um exemplo a ser seguido. Apoiamos o trabalho que a Secretária Claudia Costin e sua equipe vêm fazendo, com o apoio do Prefeito Eduardo Paes, e estamos felizes que ela tenha decidido permanecer à frente da Secretaria Municipal de Educação para dar continuidade às ações.

(assinaturas atualizadas em 28/11/2012)

Alexandre Schneider
Alessandra Sayão
Alycia Gaspar
André Nakamura
Andreas Mirow
Armínio Fraga
Beatriz Novaes
Cláudio de Moura Castro
Denis Mizne
Edmar Bacha
Fernando Augusto Adeodato Veloso
Fernando Barbosa
Françoise Trapenard
Gustavo Marini
Helena Bomeny
Iza Locatelli
Jorge Werthein
Lilian Nasser
Luis Antonio de Almeida Braga
Luiz Chrysostomo
Márcio da Costa
Magda Soares
Maíra Pimentel
Maria Helena Guimaraes de Castro

Maria Ines Fini
Maria Teresa Tedesco
Monica Baumgarten de Bolle
Naercio Aquino Menezes Filho
Nilma Fontanive
Olavo Monteiro de Carvalho
Paulo Ferraz
Pedro Malan
Pedro Vilares
Pilar Lacerda
Priscila Cruz
Rafael Parente
Raquel Teixeira
Renato Hyuda de Luna Pedrosa
Ricardo Henriques
Ruben Klein
Samara Werner
Sergio Besserman
Sergio Guimarães Ferreira
Simon Schwartzman
Tomas Tomislav Antonin Zinner
Walter de Mattos Jr
Wanda Engel
Wilson Risolia

Author: Simon

Simon Schwartman é sociólogo, falso mineiro e brasileiro. Vive no Rio de Janeiro

11 thoughts on “Claudia Costin e a Educação na Cidade do Rio de Janeiro”

  1. O artigo deveria intitular-se “Corporativismo de sempre”, pois essa praga não descansa, nem arrefece. Sou admiradora da Cláudia Costin e fiquei muito feliz com a indicação – será que o PT, depois de oito anos, começa a ter lucidez?. Lamento que ela não tenha aceito o convite para colaborar com nossa educação básica. Ganhou o Rio de Janeiro.

  2. Minha opinião é que a gestão de Claudia Costin na SME comete falhas porque não teme tomar iniciativas ousadas e, eventualmente, algumas exigem revisões e correções de rota. Pecar por excesso, contudo, é um bem, diante de um contexto educacional muito precário, onde prevalecem, há décadas, idéias fracassadas, embaladas em blá-blá-blá ideológico de quinta categoria, medidas baseadas em crenças arraigadas, que não resistem ao teste das evidências e, sobretudo, desprezo solene pelo fim primeiro da educação: os estudantes, seu aprendizado, sua capacidade de adquirir conhecimentos sistemáticos e ganhar autonomia, pensando por si mesmos. Os “militantes da educação” que protagonizaram tal manifesto são os que defendem uma educação doutrinária, escondidos sob rótulos e chavões pretensamente críticos. Conservadorismo e reação embalados por slogans revolucionários. Os estudantes que se danem. O negócio é defender as corporações unitariamente, evitando sempre separar o farto joio do raro trigo. Bom saber que o MEC chamou alguém que – talvez por não ser originária do ambiente acadêmico estéril e anticientífico prevalecente na área de educação – se atreve a sacudir a árvore bichada da educação brasileira.

  3. Prezado Simon:

    Desconheço detalhes da proposta de educação do município do Rio de Janeiro, bem como suas implicações na prática pedagógica. Ao ouvi-la expor sobre o seu trabalho fico com o sentimento (qualificado pela longa experiência) de que ela é capaz de conduzir uma proposta de educação de qualidade para o conjunto do sistema. Ela parece capaz de planejar e avaliar em processo, caminhando passo a passo o desenvolvimento de sua proposta. Nem todos em educação têm esta capacidade de colocar em prática um trabalho planejado e avaliado, em processo, para grandes números de estudantes.

    O Estado de Minas Gerais foi considerado como “Capital Pedagógica da América do Sul” (época de Mario Casasanta e de seus seguidores da Escola Nova), quando se adotou no Estado uma só proposta de educação, um só currículo, uma só fonte de informação, material didático unificado que respaldavam a formação de docentes em toda Minas Gerais, urbano/rural. Na verdade, havia dois núcleos de formação: O Centro de Recursos Humanos João Pinheiro e o Instituto de Educação de Minas Gerais. O primeiro adotando uma postura mais flexível, “qualquer método é bom, contando que o aluno aprenda”; o segundo, mais rígido na defesa de o método. O orientador pedagógico era credenciado, a partir de um curso pós médio, para o qual, docentes estáveis poderiam se candidatar para cursar somente no Instituto de Educação de Minas Gerais, localizado em Belo Horizonte (recebia-se salário mais bolsa). O foco do curso era a sala de aula, o conteúdo e a didática das disciplinas do ensino elementar: Linguagem, Matemática, Estudos sociais e Ciências. No curso, diferentes métodos de ensino eram apresentados e discutidos prós e contras eram levantados e ‘se apontava o melhor’. O importante, contudo, diz respeito ao fato de que a discussão era tão profunda e tão sistemática que o orientador- estudante saia sabendo aplicar diferentes métodos, dependendo das reais condições do aluno sob sua supervisão

    Assim, em minha posição, não se trata de desqualificar o trabalho de Claudia Costin, mas aperfeiçoá-lo, se for o caso, em sua dimensão pedagógica.

    Ana Maria Rezende Pinto

  4. Espero que a ida da Cláudia para o MEC se concretize. O Brasil precisa avançar de forma acelerada na qualidade da educação básica e ela, com a experiência adquirida na cidade do Rio de Janeiro e sua visão de adotar políticas baseadas em resultados, que é o que um órgão de governo precisa ter como prática corrente, é uma das pessoas mais indicadas para que avancemos nessa linha que se iniciou com a recuperação do INEP ainda no mandato do Paulo Renato. É fundamental que a educação seja encarada cada vez mais como prioridade do estado brasileiro, em seus vários níveis, e não mais como política conjuntural deste ou daquele governo, com horizontes que, em geral, não vão além da próxima eleição.

  5. Acompanho de perto e reconheço a seriedade e consistência das ações tomadas pela Cláudia e sua equipe no trabalho diário da educação do RJ. É um trabalho exemplar e que merece, acima de tudo, nosso respeito.

  6. “Um dos pontos fortes do trabalho da equipe da SME Rio tem sido a atenção especial que tem dado a crianças e jovens historicamente abandonados e que não exerciam o direito de educação pública de qualidade.”
    Onde estão os nomes, como: Jose da Silva, Maria dos Santos ou os filhos dos digníssimos cidadãos da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro corroborando a fala citada? Esses sim fariam uma bela lista!

  7. Certamente é impossivel agradar a todos, mas inegavelmente os avanços aconteceram, o aluno voltou a ser considerado o foco na educação, o que de fato muitos professores já haviam esquecido. Como professora em sala de aula até ano passado ví com bons olhos a chegada dos cadernos pedagógicos, pois o que era realidade na rede eram livros empilhados em cima de várias mesas em um canto da sala pq não estavam de acordo com nossas necessidades, ninguém queria utiliza-los. Com os cadernos pudemos completar os conteúdos de acordo com as necessidades de nossa turma. A questão da reorganização das orientações curriculares foi excelente, o que se via na rede é cada um fazendo o que bem entendesse. A educopedia foi lançada como mais um recurso disponivel para professores e alunos. Em qualquer esfera, todo trabalho é avaliado por dados estatisticos e com a educação não deve ser diferente, é preciso ter uma noção de onde avançamos ou não. Os programas de correção de fluxo, influenciam e muito na vida do aluno, que precisa acreditar em sí mesmo e seguir em frente, os professores tem dedicação exclusiva. Entre outras coisa eu apoio a gestão de Claudia Costin.

  8. “O Programa Escolas do Amanhã é hoje reconhecido nacional e internacionalmente por diminuir as taxas de reprovação e abandono e melhorar a aprendizagem em escolas situadas em áreas conflagradas.”

    Não ficou claro na carta que reconhecimento é este, por quem é reconhecido o programa. Seria a ONU, o MEC, a FGV o IBGE sei lá quem atesta que o programa é eficiente?
    Também penso que estatisticamente comparar o Rio com o Brasil é covardia, poderia comparar com Curitiba, São Paulo, Salvador sei lá.
    É verdade que o prefeito tem tentado cumpri uma promessa de campanha de aumentar as vagas nas creches e os números tem comprovado isto.

  9. Estamos vivenciando as contradições da nossa sociedade meritocrática economicista. Elejam o mérito como paradigma e terão ganancia, divisão excluídos e desigualdade. Educação não resolve nada se o seu objetivo não for social, se não for para dar verdadeiramente oportunidades a todos, e conseguir que todos beneficiem-se da mesma maneira. Abaixo a política da prefeitura do Rio de Janeiro e todas as políticas que dividem.

  10. Matriculem seus filhos numa escola municipal da cidade do Rio de Janeiro então. Os senhores nada conhecem do que se passa numa escola da prefeitura. Também não é verdade que as matrículas da Ed. Infantil cresceram. Na verdade elas diminuíram em toda a rede. O trabalho pedagógico não se sustenta com a adoção de apostilas únicas para toda a rede e adoção de programas, como o Autonomia Carioca com as teleaulas da Fundação Roberto Marinho sendo aplicadas aos adolescentes. Uma pena que aqui não conseguimo s, ainda, barrar esse projeto de escola de uma administradora sem noção do que faz. Fora Cláudia Costin da Educação da Cidade do Rio de Janeiro e de qualquer outro espaço.

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