{"id":100,"date":"2006-09-17T10:56:00","date_gmt":"2006-09-17T13:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=100"},"modified":"2008-08-03T14:46:54","modified_gmt":"2008-08-03T17:46:54","slug":"chile-descolando-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/chile-descolando-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Chile: descolando da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>Com o PIB mas alto da regi\u00e3o, segundo relat\u00f3rio recente do FMI, o Chile deixa cada vez mais de ser um pa\u00eds \u201clatino-americano\u201d, e se transforma em um pa\u00eds moderno e desenvolvido. Isto se v\u00ea com facilidade andando por Santiago, com a arquitetura moderna dos bairros altos, a recupera\u00e7\u00e3o do centro hist\u00f3rico, a moderniza\u00e7\u00e3o dos transportes urbanos  e as obras rodovi\u00e1rias por toda parte; e as ruas cheias de gente fazendo compras e enchendo bares e restaurantes, tanto na regi\u00e3o elegante da Providencia como na parte antiga da Plaza de Armas e do Mercado Central. Os \u00edndices de pobreza no Chile v\u00eam caindo a cada ano, e a distribui\u00e7\u00e3o dos gastos sociais \u00e9 uma das melhores da regi\u00e3o.  A zona da antiga e decadente Avenida da Rep\u00fablica \u00e9 hoje uma \u00e1rea fervilhante de universidades e institutos t\u00e9cnicos privados, freq\u00fcentados todos os dias por mais de 50 mil estudantes, sem falar nas universidades tradicionais como a do Chile e a Cat\u00f3lica. At\u00e9 as \u00e1guas do Rio Mapocho parecem correr mais limpas. Com a proximidade da festa nacional de 18 de setembro, as ruas se enfeitam de bandeiras, e por toda parte se fala da comemora\u00e7\u00e3o da \u201cChilenidad\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 problemas, e muitos. No dia 11 de setembro, anivers\u00e1rio do golpe de Pinochet, grupos de extrema esquerda encapuzados atacaram lojas e reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas com bombas molotov, uma delas provocando um inc\u00eandio no pal\u00e1cio presidencial de La Moneda; uma greve dos servi\u00e7os m\u00e9dicos havia paralisado o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o; e professores e estudantes das escolas municipais amea\u00e7am com greves e mais manifesta\u00e7\u00f5es, enquanto o governo tenta resolver os problemas atrav\u00e9s de comiss\u00f5es de trabalho e negocia\u00e7\u00f5es que parecem n\u00e3o terminar. Na \u00faltima d\u00e9cada, o governo chileno aumentou muito os investimentos em educa\u00e7\u00e3o, o ensino m\u00e9dio est\u00e1 praticamente universalizado, a jornada completa se expande rapidamente por toda a rede escolar; mas os resultados do Chile no teste de Pisa s\u00e3o t\u00e3o ruins quanto os do Brasil ou do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Em que medida o que acontece hoje no  Chile, de bom e de ruim, tem a ver com as reformas liberais introduzidas durante regime Pinochet?  Estas reformas foram mantidas, com modifica\u00e7\u00f5es, pelos governos de centro-esquerda da Concertaci\u00f3n, e o consenso do pa\u00eds, inclusive nos governos socialistas de Lagos e Michelle Bachelet, \u00e9 que n\u00e3o faz sentido voltar aos velhos tempos, de uma sociedade burocratizada e paralisada. O Chile tem hoje a economia mais competitiva da Am\u00e9rica Latina, aonde se pode, com mais facilidade, abrir e fechar um neg\u00f3cio, e aonde a abertura ao com\u00e9rcio internacional \u00e9 maior. Este tipo de economia tem tamb\u00e9m seus perdedores, e isto explica, talvez, a virul\u00eancia dos ataques da extrema esquerda, apesar do grande apoio da  presidente Michelle Bachelet entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E existe tamb\u00e9m o cobre, cujo pre\u00e7o no mercado internacional aumentou enormemente nos \u00faltimos anos, gerando grande quantidade de recursos, ao lado das ind\u00fastrias de exporta\u00e7\u00e3o como o vinho, as frutas e o salm\u00e3o. Mas o Chile, diferentemente de outros paises que se enriqueceram com o petr\u00f3leo, investe a longo prazo e cuida para que a riqueza do cobre n\u00e3o inflacione a economia nem sobre-valorize a moeda, evitando, desta forma, a \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d que \u00e9 a praga dos paises que se enriquecem desta maneira.<\/p>\n<p>Mas o mais importante de tudo, talvez, seja a maturidade pol\u00edtica que sempre existiu no pa\u00eds de alguma maneira, sobreviveu aos anos de chumbo da ditadura, e hoje \u00e9, possivelmente, a principal diferen\u00e7a entre o Chile e a maioria dos outros paises do continente. Os partidos pol\u00edticos t\u00eam princ\u00edpios e programas, os pol\u00edticos s\u00e3o pessoas honradas, h\u00e1 pouca corrup\u00e7\u00e3o e pouco espa\u00e7o para o populismo barato que conhecemos t\u00e3o bem. Temas controversos \u2013 como a pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o da \u201cp\u00edlula do dia seguinte\u201d para adolescentes, a reforma da educa\u00e7\u00e3o, ou as rela\u00e7\u00f5es sempre dif\u00edceis com a Argentina \u2013 s\u00e3o discutidos de forma civilizada pela imprensa, o judici\u00e1rio \u00e9 independente e acatado  e, com a exce\u00e7\u00e3o da extrema esquerda alienada, todos respeitam e valorizam as institui\u00e7\u00f5es e os processos democr\u00e1ticos de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Que d\u00e1 inveja, d\u00e1&#8230;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o PIB mas alto da regi\u00e3o, segundo relat\u00f3rio recente do FMI, o Chile deixa cada vez mais de ser um pa\u00eds \u201clatino-americano\u201d, e se transforma em um pa\u00eds moderno e desenvolvido. Isto se v\u00ea com facilidade andando por Santiago, com a arquitetura moderna dos bairros altos, a recupera\u00e7\u00e3o do centro hist\u00f3rico, a moderniza\u00e7\u00e3o dos &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/chile-descolando-da-america-latina\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Chile: descolando da Am\u00e9rica Latina&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24,10,21],"tags":[],"class_list":["post-100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":441,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100\/revisions\/441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}