{"id":103,"date":"2006-10-05T16:08:00","date_gmt":"2006-10-05T19:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=103"},"modified":"2008-08-03T14:54:57","modified_gmt":"2008-08-03T17:54:57","slug":"sao-paulo-e-o-estado-nacional-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/sao-paulo-e-o-estado-nacional-2\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo e o Estado Nacional (2)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">Vejam o artigo de hoje de Oct\u00e1vio Frias Filho, diretor de reda\u00e7\u00e3o da Folha de S\u00e3o Paulo, com o t\u00edtulo de &#8220;Yankees e Rebeldes&#8221;, e comparem com minha nota anterior:<br \/>\n<\/span><br \/>\nMUITO SE TEM escrito sobre a divis\u00e3o do Brasil em duas metades que emergiu no domingo. Os jornais trazem mapas onde Rio, Minas, o Nordeste e o Norte aparecem em vermelho (Lula), enquanto S\u00e3o Paulo, o Sul e o Centro-oeste est\u00e3o em azul (Alckmin).<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o entre &#8220;yankees&#8221; e confederados em nossa &#8220;Guerra Civil&#8221; eleitoral j\u00e1 foi enfocada sob seus dois prismas mais evidentes, o antagonismo de classe e a desigualdade geogr\u00e1fica. Grosso modo, o primeiro op\u00f5e as classes populares \u00e0s classes m\u00e9dias. O segundo \u00e2ngulo op\u00f5e o &#8220;Norte&#8221; ao &#8220;Sul&#8221;.<\/p>\n<p>Descontado o esquematismo desse tipo de recortes, h\u00e1 um terceiro prisma a acrescentar. \u00c9 aquele que separa as regi\u00f5es onde a presen\u00e7a do Estado na economia e na vida das pessoas ainda \u00e9 muito grande (vermelho), daquelas \u00e1reas nas quais o peso do poder p\u00fablico \u00e9 menor (azul).<\/p>\n<p>O capitalismo se enraizou h\u00e1 muito tempo em S\u00e3o Paulo e no Sul, onde o dinamismo econ\u00f4mico prescinde, ao menos em boa parte, do Estado. N\u00e3o por acaso \u00e9 a regi\u00e3o mais sens\u00edvel ao \u00fanico tema novo, em termos eleitorais, que surgiu nesta elei\u00e7\u00e3o: o da redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria hoje pr\u00f3xima de 40% do PIB.<\/p>\n<p>Embora se atribua a inclina\u00e7\u00e3o anti-Lula no Centro-oeste \u00e0 crise da agricultura, essa regi\u00e3o se mostra como t\u00edpica geografia de fronteira, um eldorado de oportunidades, empreendimento pessoal e terras abundantes. Lugar onde vigora o &#8220;cada um por si, Deus por todos&#8221;.<br \/>\nEm grande parte do Nordeste, e mesmo em Minas e no Rio, o cen\u00e1rio \u00e9 outro. S\u00e3o regi\u00f5es onde a onipresen\u00e7a do Estado remonta ao per\u00edodo colonial; s\u00e3o lugares onde o poder do Estado para contratar, subsidiar, autorizar verbas segue enorme, at\u00e9 por compensar a relativa debilidade da economia privada.<\/p>\n<p>Talvez por isso, tamb\u00e9m, seja not\u00f3ria certa aus\u00eancia de debate program\u00e1tico. No fundo, o programa de Alckmin se resume a menos Estado ou, no eufemismo publicit\u00e1rio, a Estado menor, menos caro e mais eficiente. E a plataforma de Lula se resume a garantir alguma compensa\u00e7\u00e3o social, via Estado, em troca da liberdade para o mercado.<\/p>\n<p>Alckmin, por sua vez, tem pouco v\u00ednculo org\u00e2nico com o que tem sido o PSDB at\u00e9 agora. O n\u00facleo tradicional do partido gravita h\u00e1 30 anos em torno de intelectuais paulistas, muitos deles uspianos, muitos exilados na ditadura, quase todos antigos marxistas que desacreditaram do marxismo durante o ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Em termos geracionais e ideol\u00f3gicos, Alckmin significa outra coisa. Subiu na pol\u00edtica pelas m\u00e3os de M\u00e1rio Covas, a quem os &#8220;intelectuais&#8221; respeitavam, mas \u00e0 dist\u00e2ncia. Em vez de ex-marxista, Alckmin \u00e9 cat\u00f3lico conservador; em vez de cidad\u00e3o cosmopolita, ostenta com orgulho a marca do interiorano; em vez de soci\u00f3logo ou economista, \u00e9 um gerente p\u00f3s-ideol\u00f3gico. <span style=\"font-style: italic;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vejam o artigo de hoje de Oct\u00e1vio Frias Filho, diretor de reda\u00e7\u00e3o da Folha de S\u00e3o Paulo, com o t\u00edtulo de &#8220;Yankees e Rebeldes&#8221;, e comparem com minha nota anterior: MUITO SE TEM escrito sobre a divis\u00e3o do Brasil em duas metades que emergiu no domingo. 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