{"id":106,"date":"2006-10-08T09:36:00","date_gmt":"2006-10-08T12:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=106"},"modified":"2010-06-20T08:19:28","modified_gmt":"2010-06-20T11:19:28","slug":"lies-damn-lies-and-statistics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/lies-damn-lies-and-statistics\/","title":{"rendered":"Lies, damn lies, and statistics"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:1161,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.schwartzman.org.br\\\/simon\\\/2006_Bolsaesc.pdf&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20260416031506\\\/http:\\\/\\\/www.schwartzman.org.br\\\/simon\\\/2006_Bolsaesc.pdf&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-16 14:13:23&quot;,&quot;http_code&quot;:206},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 22:47:25&quot;,&quot;http_code&quot;:206}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 22:47:25&quot;,&quot;http_code&quot;:206},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p>Como ex-presidente do IBGE, n\u00e3o posso subscrever a esta famosa frase que atribuem a Disraeli, e as vezes tamb\u00e9m a Winston Churchill:  &#8220;existem tr\u00eas tipos de mentira: mentira, mentiras malditas, e estat\u00edsticas!&#8221;  Tamb\u00e9m atribuem a Disraeli outra frase: &#8220;a \u00fanica estat\u00edstica na qual voc\u00ea pode acreditar \u00e9 a aquela que voc\u00ea mesmo falsificou! &#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade. Na \u00e1rea das estat\u00edsticas da pobreza, o IBGE vem coordenando desde 1997 um grupo de trabalho das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o tema, e j\u00e1 existe um forte consenso internacional a respeito das diferentes maneiras de medir e avaliar as condi\u00e7\u00f5es de pobreza de um pa\u00eds, uma regi\u00e3o ou um grupo social. Basta percorrer um pouco esta literatura para vermos que n\u00e3o existe uma maneira \u00fanica e simples de medir a pobreza, mas um leque de alternativas, cada qual com suas qualidades e suas limita\u00e7\u00f5es: pobreza absoluta, pobreza relativa, medidas relacionadas \u00e0 renda, medidas relacinadas ao consumo de alimentos, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade&#8230;<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa que n\u00e3o possam haver diferentes maneiras  de usar e interpretar os indicadores dispon\u00edveis, como revela o debate entre Claudio Considera e Marcelo Neri relatado aqui, mesmo quando todos utilizam a mesma informa\u00e7\u00e3o,  no caso os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios do IBGE (PNAD). \u00c9 por isto mesmo, tamb\u00e9m, que eu n\u00e3o penso que seja uma boa id\u00e9ia definir uma linha de pobreza oficial para o pa\u00eds. Isto significaria adotar, arbitrariamente, uma das diferentes medidas dispon\u00edveis, e us\u00e1-la para avaliar pol\u00edticas e criar direitos para determinadas pessoas e regi\u00f5es, ao inv\u00e9s de tratar de forma diferenciada as diferentes situa\u00e7\u00f5es de pobreza que existem no pa\u00eds, na \u00e1rea rural, nas cidades, entre os jovens, os velhos, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, etc.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 pol\u00eamica em si, minha \u00fanica observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o gosto do uso de percentagens sobre percentagens como medida de evolu\u00e7\u00e3o ou mudan\u00e7a. Veja por exemplo o que acontecia com a frequ\u00eancia \u00e0 escola para alunos do quinto mais pobre da popula\u00e7\u00e3o, entre 8 e 13 anos de idade, em rela\u00e7\u00e3o aos que recebiam ou n\u00e3o a bolsa escola em 2003, conforme a PNAD 2003.  Para os que n\u00e3o recebiam a bolsa, a percentagem de ausentes \u00e0 escola era de 2,7%.  Para os que recebiam a bolsa, a percentagem de ausentes era 0,7%.  Dividindo um pelo outro, poder\u00edamos concluir que o programa de bolsa escola tinha um fort\u00edssimo impacto neste grupo, j\u00e1 que diminuia a aus\u00eancia escolar em quase quatro vezes.  Olhando pelas diferen\u00e7as de percentagem, no entanto, a conclus\u00e3o \u00e9 oposta: para este grupo, a diferen\u00e7a \u00e9 de 99.3 para 97.3, ou seja, um aumento de 2% somente, o que significa que o impacto do programa era praticamente nenhum (a an\u00e1lise completa est\u00e1 dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/simon\/2006_Bolsaesc.pdf\">aqui<\/a>).<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como ex-presidente do IBGE, n\u00e3o posso subscrever a esta famosa frase que atribuem a Disraeli, e as vezes tamb\u00e9m a Winston Churchill: &#8220;existem tr\u00eas tipos de mentira: mentira, mentiras malditas, e estat\u00edsticas!&#8221; Tamb\u00e9m atribuem a Disraeli outra frase: &#8220;a \u00fanica estat\u00edstica na qual voc\u00ea pode acreditar \u00e9 a aquela que voc\u00ea mesmo falsificou! &#8221; N\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/lies-damn-lies-and-statistics\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Lies, damn lies, and statistics&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[26,8],"tags":[],"class_list":["post-106","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencias-sociais","category-politica-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1688,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106\/revisions\/1688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}