{"id":141,"date":"2007-04-06T17:48:00","date_gmt":"2007-04-06T20:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=141"},"modified":"2008-08-03T13:03:19","modified_gmt":"2008-08-03T16:03:19","slug":"guiomar-namo-de-mello-impacto-e-uso-da-tecnologia-na-educacao-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/guiomar-namo-de-mello-impacto-e-uso-da-tecnologia-na-educacao-escolar\/","title":{"rendered":"Guiomar Namo de Mello: Impacto e uso da tecnologia na educa\u00e7\u00e3o escolar"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style:italic;\">Escreve Guiomar Namo de Mello:<\/span><\/p>\n<p>Volto a bater sempre na mesma tecla: se o professor aprender a usar o computador para ele pr\u00f3prio aprender (qualquer coisa, n\u00e3o necessariamente relacionada com a tarefa de ensino); repito, se o professor perceber o potencial do computador meio caminho est\u00e1 andado para o uso em sala de aula. Desconfio muit dos softwares que s\u00f3 funcionam em situa\u00e7\u00f5es muito controladas.<\/p>\n<p>Entendo porque o uso da internet melhora as coisas. Na Internet o professor est\u00e1 usando a ferramenta para si mesmo antes de us\u00e1-la com os alunos. Quanto mais a rede fica enriquecida de conte\u00fados mais desconfio dos softwares a n\u00e3o ser que se os possa baixar da pr\u00f3pria rede para fins que o internauta sabe quais s\u00e3o.<\/p>\n<p>Anexo um papersinho meu sobre o tema.<\/p>\n<p>IMPACTO E USO DA TECNOLOGIA NA EDUCA\u00c7\u00c3O ESCOLAR<\/p>\n<p>Guiomar Namo de Mello<\/p>\n<p>Janeiro de 2001<\/p>\n<p>\uf02e Um breve retrospecto do desenvolvimento da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, permite distinguir pelo menos dois momentos importantes. Esses dois momentos se sobrep\u00f5em e ainda est\u00e3o plenamente vigentes. Um deles  \u00e9 o que se inicia com o advento do computador e tem seu ponto mais alto no aparecimento do PC \u2013 personal computer \u2013  cujo aperfei\u00e7oamento ainda est\u00e1 longe de ser conclu\u00eddo. O segundo come\u00e7a com as primeiras redes de comunica\u00e7\u00e3o que utilizam computadores conectados a um servidor central e desenvolve-se at\u00e9 o ponto atual da www \u2013 world wide web \u2013 rede mundial de computadores.<\/p>\n<p>\uf02e Na primeira fase h\u00e1 um aumento espantoso na rapidez e exatid\u00e3o com que a informa\u00e7\u00e3o passa a ser processada, armazenada e editada. Mas o paradigma da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento permanece intocado e principalmente a possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o do significado do conhecimento ainda tem de fazer-se pelas formas tradicionais de intera\u00e7\u00e3o das quais o telefone e o fax s\u00e3o as mais desenvolvidas.<\/p>\n<p>\uf02e O segundo momento trouxe uma mudan\u00e7a epistemol\u00f3gica significativa. \u00c9 a partir da rede mundial de computadores que se d\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o, ainda em seu in\u00edcio, na maneira como o conhecimento \u00e9 produzido, organizado, compartilhado e disseminado.<\/p>\n<p>\uf02e Essa transforma\u00e7\u00e3o decorre dos recursos que se tornaram dispon\u00edveis quando o desenvolvimento da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o viabilizou a rede mundial de computadores. Entre eles destacam-se:<\/p>\n<p>(a) ir al\u00e9m do seu pr\u00f3prio arquivo ou banco de dados e conectar-se  com outras formas ou lugares de armazenamento de dados e informa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>(b) mandar e receber informa\u00e7\u00f5es e interagir por via eletr\u00f4nica;<\/p>\n<p>(c) cruzar, relacionar, comparar, verificar, desmembrar, separar, reunir, referenciar, indexar, analisar e testar a proced\u00eancia da an\u00e1lise, extrapolar e simular a extrapola\u00e7\u00e3o, e  outras opera\u00e7\u00f5es intelectuais que se tornam mais r\u00e1pidas e principalmente poss\u00edveis de serem validadas em tempo real;<\/p>\n<p>(d) apresentar para um grande n\u00famero de interlocutores relevantes o resultado desse trabalho e receber coment\u00e1rios, avalia\u00e7\u00f5es, sugest\u00f5es em tempo real.<\/p>\n<p>\uf02e Esses dois momentos corresponderam a desafios diferentes dentro da escola. Primeiro foi o de introduzir o computador como uma ferramenta tecnologicamente mais avan\u00e7ada para fazer mais e melhor do mesmo: calcular, fazer tabelas, escrever, descrever, apresentar, representar. Para esse tipo de uso n\u00e3o era necess\u00e1rio repensar o curr\u00edculo.<\/p>\n<p>\uf02e Nesse mesmo per\u00edodo os primeiros softwares educativos j\u00e1 permitiam vislumbrar o potencial que a nova ferramenta tinha para orientar atividades que envolvem a constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos novos a partir de hip\u00f3teses ou de dados existentes. No entanto os softwares t\u00eam vida limitada, esgotam-se a partir de um tempo  de uso, precisam de substitui\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o e, principalmente, admitem nenhuma intera\u00e7\u00e3o ou um pouco dela de modo simulado.<\/p>\n<p>\uf02e O potencial acenado nos softwares educativos multiplica-se quase ao infinito com o advento da rede mundial de computadores:<\/p>\n<p>(a) o percurso do estudante para construir conhecimento pode incluir  todo tipo de conte\u00fado existente na rede desde que algu\u00e9m oriente e demarque esse percurso;<\/p>\n<p>(b) a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento j\u00e1 n\u00e3o precisa limitar-se a seq\u00fc\u00eancias lineares, ela pode ter uma configura\u00e7\u00e3o em rede;<\/p>\n<p>(c) a possibilidade de compartilhar significados com os colegas \u00e9 potencializada e a intera\u00e7\u00e3o com o professor presencial ou virtualmente \u00e9 potencializada.<\/p>\n<p>\uf02e O uso inteligente de um instrumento dessa natureza requer mudan\u00e7as no n\u00facleo duro do processo de ensino aprendizagem \u2013 o curr\u00edculo \u2013 que por sua vez v\u00e3o acarretar mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o escola e da sala de aula.<\/p>\n<p>\uf02e Tradicionalmente organizado em disciplinas r\u00edgidas e seriado de modo hier\u00e1rquico, o curr\u00edculo que at\u00e9 hoje trabalhamos n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel a aprendizagem em rede que a rede mundial de computadores viabiliza. \u00c9 preciso repens\u00e1-lo n\u00e3o apenas no plano da proposta ou projeto curricular como no plano do ensino e da aprendizagem, tamb\u00e9m chamado de curr\u00edculo em a\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>(a) as disciplinas ser\u00e3o for\u00e7adas a se expandir, fronteirizando-se com outras disciplinas do curr\u00edculo ou com outros campos do conhecimento que at\u00e9 hoje n\u00e3o foram cogitados como objeto de ensino; o<\/p>\n<p>(b) os alunos dever\u00e3o envolver-se mais em projetos de estudo, projetos de trabalho, projetos de execu\u00e7\u00e3o ou de produ\u00e7\u00e3o, cujos temas, objetos de trabalho, ou resultados requeiram o concurso de diferentes disciplinas;<\/p>\n<p>(c) os professores ter\u00e3o que orientar a busca e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, a an\u00e1lise do dispon\u00edvel, o cotejamento dos pontos de vista e todos os atos sociais e cognitivos que contribuem para construir significados, valores e disposi\u00e7\u00f5es de conduta.<\/p>\n<p>\uf02e Neste ponto introduz-se a freq\u00fcente pergunta: o professor est\u00e1 preparado para esse novo paradigma curricular? A resposta \u00e9: provavelmente n\u00e3o. Mas o importante s\u00e3o as raz\u00f5es do despreparo do professor n\u00e3o a sua constata\u00e7\u00e3o. Dependendo da explica\u00e7\u00e3o que se tenha para a defasagem entre professor e demandas educacionais da sociedade do conhecimento, a solu\u00e7\u00e3o para super\u00e1-la ser\u00e1 diferente.<\/p>\n<p>\uf02e O pressuposto deste trabalho \u00e9 o de que o despreparo da escola e sobretudo do professor se d\u00e1 em raz\u00e3o da falta de dom\u00ednio dos objetos sociais do conhecimento que constituem o conte\u00fado do ensino e das formas de transposi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica desse conte\u00fado.<\/p>\n<p>\uf02e Ao destacar a debilidade da forma\u00e7\u00e3o conteud\u00edstica e did\u00e1tica do professor esta abordagem distingue-se  daquelas que explicam a defasagem do ensino diante das novas tecnologias, pela aus\u00eancia de conhecimento, familiaridade e dom\u00ednio das pr\u00f3prias tecnologias. Para essas abordagens, a solu\u00e7\u00e3o seria treinar o professor no uso das tecnologias.<\/p>\n<p>\uf02e Ao contr\u00e1rio, nossa abordagem aponta que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliar e aprofundar os conhecimentos do professor tanto dos objetos de ensino como dos m\u00e9todos. Trata-se assim de usar as novas tecnologias para formar o professor em contraste com outras iniciativas que se prop\u00f5em formar o professor para o uso das novas tecnologias.<\/p>\n<p>\uf02e Explicando melhor esse pressuposto de trabalho que \u00e9 b\u00e1sico: o despreparo do professor para enfrentar os desafios de ensinar e aprender num mundo congestionado de informa\u00e7\u00f5es, onde o acesso ao conhecimento vai se tornando mais f\u00e1cil, r\u00e1pido e prazeroso, n\u00e3o decorre de sua pouca familiaridade com o computador. Decorre de sua fragilidade profissional, sua forma\u00e7\u00e3o de base que foi aligeirada e de m\u00e1 qualidade, sua cultura geral que \u00e9 restrita, sua falta de oportunidade para desenvolver a sensibilidade para problemas e tend\u00eancias da vida contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>\uf02e Dito pelo lado positivo, um professor que teve oportunidade de construir conhecimentos s\u00f3lidos sobre sua \u00e1rea de especialidade e como ensin\u00e1-la, que possui uma cultura geral ampla e diversificada e uma auto-estima profissional pautada no sucesso, ter\u00e1 facilidade de atender \u00e0s demandas educacionais de seus alunos ainda que estes estejam conectados permanentemente e que ele, professor, nunca tenha ligado um computador. E, mais ainda, esse professor aprender\u00e1 mais r\u00e1pida e construtivamente a lidar com novas tecnologias.<\/p>\n<p>\uf02e Trata-se portanto de utilizar ao m\u00e1ximo as novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o para melhorar a forma\u00e7\u00e3o dos professores, criando oportunidades para que eles aprendam a aprender utilizando conhecimentos de sua \u00e1rea de especialidade: vivam a experi\u00eancia de construir conhecimento e organiz\u00e1-lo de modo inovador, expandindo as fronteira disciplinares; estabele\u00e7am rela\u00e7\u00f5es de aprendizagem colaborada; adquiram h\u00e1bitos de acessar, processar, arquivar e organizar dados. E mobilizem esses saberes em situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de ensino e aprendizagem nas suas respectivas \u00e1reas de conhecimento. Ao colocar as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da melhoria da qualidade da forma\u00e7\u00e3o do professor, essa abordagem metodol\u00f3gica est\u00e1 tamb\u00e9m preparando o professor para usar as novas tecnologias com seus alunos, em contextos nos quais essas tecnologias estejam dispon\u00edveis.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escreve Guiomar Namo de Mello: Volto a bater sempre na mesma tecla: se o professor aprender a usar o computador para ele pr\u00f3prio aprender (qualquer coisa, n\u00e3o necessariamente relacionada com a tarefa de ensino); repito, se o professor perceber o potencial do computador meio caminho est\u00e1 andado para o uso em sala de aula. 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