{"id":1427,"date":"2009-09-10T10:14:15","date_gmt":"2009-09-10T13:14:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=1427"},"modified":"2009-09-10T10:43:14","modified_gmt":"2009-09-10T13:43:14","slug":"claudio-considera-pre-sal-farsa-e-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/claudio-considera-pre-sal-farsa-e-tragedia\/","title":{"rendered":"Claudio Considera: Pr\u00e9-sal: farsa e trag\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1430\" title=\"cconsidera\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/cconsidera.jpg\" alt=\"cconsidera\" width=\"178\" height=\"197\" \/>Claudio M. Considera envia a seguinte colabora\u00e7\u00e3o: <\/em><\/p>\n<p>PR\u00c9-SAL: FARSA E TRAG\u00c9DIA<\/p>\n<p>Claudio M. Considera<\/p>\n<p>Em livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado (<em>Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil, <\/em>Ed. Campus, v\u00e1rios autores) Samuel Pessoa, Fernando de Holanda B. Filho e Fernando Veloso chamam a aten\u00e7\u00e3o para os poucos anos de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que o Brasil tem, comparativamente a diversos pa\u00edses (mais ricos ou mais pobres), e sua conseq\u00fc\u00eancia para o baixo crescimento que tivemos ao longo dos anos, e para a nossa perversa distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Samuel e Fernando Holanda nos deixam pesarosos ao se perguntarem pelo motivo do descuido da sociedade com a educa\u00e7\u00e3o na segunda metade do s\u00e9culo passado em diante. Para eles, aos olhos de hoje, \u00e9 dif\u00edcil entender que a sociedade tenha se mobilizado pelo \u201cpetr\u00f3leo \u00e9 nosso\u201d e que n\u00e3o tenha havido movimento equivalente pela universaliza\u00e7\u00e3o e por maior qualidade do ensino b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Se nos lembramos dessa \u00e9poca n\u00e3o foi apenas em petr\u00f3leo que o Estado brasileiro, do per\u00edodo do nacionalismo-desenvolvimentista, investiu pesadamente. V\u00e1rios setores da infra-estrutura b\u00e1sica, tais como minera\u00e7\u00e3o, siderurgia, telecomunica\u00e7\u00f5es, energia, portos, foram estatizados sob a alega\u00e7\u00e3o de que eram investimentos de longo prazo de matura\u00e7\u00e3o e de rentabilidade baixa, incapazes, portanto, de atrair o capital privado, quer nacional ou internacional.<\/p>\n<p>Por 30 anos, at\u00e9 1980, o Brasil cresceu a taxas espetaculares (7,4% ao ano, em m\u00e9dia) e seu PIB em 1980 tornou-se 8,5 vezes maior do que em 1950. Certamente esse crescimento tem como fator fundamental a a\u00e7\u00e3o investidora do Estado. De 1980 a 1992, com a fal\u00eancia do Estado crescemos apenas 1,36% e o PIB per capita teve uma redu\u00e7\u00e3o de 8%.<\/p>\n<p>Em 1992 quando se inicia o processo de privatiza\u00e7\u00e3o, cont\u00e1vamos com mais de 800 empresas estatais em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras, incapazes de serem recuperadas sem fortes investimentos. Em compensa\u00e7\u00e3o, a escolaridade m\u00e9dia da PEA brasileira em 1980 era de apenas 3,1 anos, apenas 1 ano superior \u00e0 \u00c1frica subsaariana e bastante inferior aos pa\u00edses de l\u00edngua inglesa (8,5 anos) e aos maiores pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, excluindo o Brasil (5,6 anos).<\/p>\n<p>Samuel e Fernando Holanda mencionam ainda estudos que mostram que a incapacidade do Brasil em universalizar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no momento em que pass\u00e1vamos pelo processo de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica (quando se passou\u00a0 a ter altas taxas de crescimento da popula\u00e7\u00e3o) explica diversas caracter\u00edsticas tr\u00e1gicas de nossa sociedade hoje: faveliza\u00e7\u00e3o das grandes cidades, o forte crescimento populacional, a explos\u00e3o da criminalidade, entre outras, al\u00e9m do aumento da desigualdade e da baixa produtividade do trabalho.<\/p>\n<p>Por sua vez, Fernando Veloso chama a aten\u00e7\u00e3o que os pa\u00edses mais ricos (renda per capita superior a 23 mil d\u00f3lares) em 2000 tinham escolaridade m\u00e9dia superior a 8 anos enquanto que o Brasil tinha pouco menos de 6 anos para uma renda per capita de cerca de 7 mil d\u00f3lares; escolaridade essa inferior \u00e0 de pa\u00edses com renda per capita inferior \u00e0 nossa. Mostra ainda que em 2006 essa pouca escolaridade brasileira era de m\u00e1 qualidade, pois nossa classifica\u00e7\u00e3o no Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (PISA) no m\u00e1ximo 49a com cerca de 393 pontos quando os dez primeiros colocados tinham acima de 500 pontos.<\/p>\n<p>Frente a esses resultados o Brasil se lan\u00e7ou num programa de re-estatiza\u00e7\u00e3o do setor de petr\u00f3leo no Brasil, turbinado na primeira semana de setembro pela explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal. A hist\u00f3ria se repete, agora como farsa e trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Como farsa, pois a raz\u00e3o ora esgrimida para que o Estado aumente sua participa\u00e7\u00e3o no setor \u00e9 oposta \u00e0quela da estatiza\u00e7\u00e3o do nacional-desenvolvimentismo: \u201ctrata-se de uma atividade bastante lucrativa que n\u00e3o deve ser deixada para o capital privado (nacional ou multinacional)\u201d, embora seus frutos s\u00f3 venham a se concretizar em 10 anos. De fato, \u00e9 apenas uma desculpa daqueles que acham que o Estado deve ser o propriet\u00e1rio dos recursos produtivos da na\u00e7\u00e3o e se ocupar da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os mercantis.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria se repete tamb\u00e9m como trag\u00e9dia: podemos, com base na nossa hist\u00f3ria, inferir os resultados dessa op\u00e7\u00e3o em continuar investindo pouco e mal em educa\u00e7\u00e3o: amplia\u00e7\u00e3o da faveliza\u00e7\u00e3o, da pobreza e da criminalidade nos anos que est\u00e3o por vir.<\/p>\n<p>Fico pesaroso em pensar o qu\u00e3o melhor o Brasil seria se os jornais da primeira semana de setembro anunciassem que os recursos (R$100 bilh\u00f5es = 5 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo a R$20,00 por barril) que a Uni\u00e3o gastar\u00e1 para capitalizar a Petrobr\u00e1s com vistas a explora\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9-sal seriam utilizados na educa\u00e7\u00e3o e os se os jornais de 8 de setembro estampassem em suas manchetes: \u201cO Brasil investir\u00e1 R$31,5 bilh\u00f5es para deflagrar uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o\u201d, ao inv\u00e9s de comprar armamentos. Isto sim beneficiaria a grande maioria dos pobres deste pa\u00eds, tornando-os mais produtivos, menos pobres, socialmente inclu\u00eddos e contribuindo definitivamente para o desenvolvimento brasileiro.<\/p>\n<p>Mas, como nos lembraria o Senador Cristovam Buarque, tal a\u00e7\u00e3o n\u00e3o rende votos mesmo que voltadas para os mais pobres. A sociedade continua preferindo estatais e armas.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudio M. Considera envia a seguinte colabora\u00e7\u00e3o: PR\u00c9-SAL: FARSA E TRAG\u00c9DIA Claudio M. Considera Em livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado (Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil, Ed. Campus, v\u00e1rios autores) Samuel Pessoa, Fernando de Holanda B. Filho e Fernando Veloso chamam a aten\u00e7\u00e3o para os poucos anos de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que o Brasil tem, comparativamente a diversos pa\u00edses (mais ricos &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/claudio-considera-pre-sal-farsa-e-tragedia\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Claudio Considera: Pr\u00e9-sal: farsa e trag\u00e9dia&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[10,22],"tags":[],"class_list":["post-1427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1427"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1431,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427\/revisions\/1431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}