{"id":143,"date":"2007-04-11T09:23:00","date_gmt":"2007-04-11T12:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=143"},"modified":"2008-08-03T13:01:46","modified_gmt":"2008-08-03T16:01:46","slug":"por-uma-nova-doutrina-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/por-uma-nova-doutrina-militar\/","title":{"rendered":"Por uma nova doutrina militar"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro, a crise da Aeron\u00e1utica com os conroladores de v\u00f4o; agora, o governador S\u00e9rgio Cabral pedindo mais uma vez o apoio do Ex\u00e9rcito para lidar com a criminalidade do Rio, coisa que os militares n\u00e3o gostam nem sabem fazer. Mas qual deveria ser, na verdade, o papel das for\u00e7as armadas no Brasil de hoje?<\/p>\n<p>No passado, desde a Guerra do Paraguai, a resposta era que as for\u00e7as armadas deveriam defender o pa\u00eds de inimigos externos, que, por falta de outros, acabava sendo sempre a Argentina, nos exerc\u00edcios militares. Com a guerra fria, al\u00e9m do alinhamento militar com os Estados Unidos, surgiu a Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional, que n\u00e3o s\u00f3 justificou o controle do \u201cinimigo interno\u201d, os comunistas reais e imagin\u00e1rios, mas a tutela da economia e da sociedade do pa\u00eds como um todo. Depois da volta aos quart\u00e9is comandada por Geisel e Figueiredo, \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos voltado aos anos anteriores \u00e0 guerra fria, com a diferen\u00e7a de que a Argentina era agora nossa parceira no Mercosul. A cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Defesa, comandado por um civil, deveria ser o primeiro passo na defini\u00e7\u00e3o de uma nova doutrina militar, identificando com clareza a miss\u00e3o necess\u00e1ria e poss\u00edvel para os militares no pa\u00eds. Isto, no entanto, n\u00e3o foi feito nem no governo FHC, nem no atual. Com isto, os militares forem perdendo recursos, administrando equipamentos obsoletos, e sem nenhuma clareza sobre seu papel, que inclusive justificasse os recursos que eles sempre solicitam.<\/p>\n<p>Precisamos, claramente, de uma nova doutrina militar para o pa\u00eds. Eu nao tenho uma para propor, mas acho que a discuss\u00e3o precisa ser aberta, e existem algumas id\u00e9ias que  t\u00eam circulado, e que deveriam ser aprofundadas. Uma delas \u00e9 terminar com o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, incompat\u00edvel com o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e das for\u00e7as armadas, e substitu\u00ed-lo pelo servi\u00e7o militar profissional. Segundo, existem miss\u00f5es tradicionais, de seguran\u00e7a externa, que precisam ser dimensionadas, e receber recursos para isto: seguran\u00e7a dos portos, seguran\u00e7a do espa\u00e7o a\u00e9reo, seguran\u00e7a de fronteiras. Com as novas tecnologias, deve ser poss\u00edvel pensar em sistemas muito amplos de vigil\u00e2ncia, combinados com for\u00e7as m\u00f3veis de r\u00e1pido deslocamento, quando necess\u00e1rio.  Terceiro, existem \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o interna que as for\u00e7as armadas poderiam desempenhar, incluindo a supervis\u00e3o das pol\u00edcias estaduais, o controle das \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental, e a administra\u00e7\u00e3o de alguns servi\u00e7os estrat\u00e9gicos, que poderia incluir at\u00e9 mesmo o controle do espa\u00e7o a\u00e9reo, desde que em um formato distinto da burocracia militar convencional. Depois, existem programas de pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gico, inclusive o programa espacial, que necessitariam ser revistos, e, ou interrompidos, ou apoiados com mais determina\u00e7\u00e3o. Finalmente, as for\u00e7as armadas deveriam ser capazes de interferir e agir rapidamente em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia e desastres naturais, e de mobilizar mais recursos na hip\u00f3tese remota de alguma amea\u00e7a externa significativa.<\/p>\n<p>Tudo isto aponta para uma for\u00e7a militar pequena, moderna, profissional e \u00e1gil.  A elabora\u00e7\u00e3o de uma nova doutrina militar exigiria a participa\u00e7\u00e3o ativa dos militares, combinada com uma lideran\u00e7a civil capaz de olhar estas quest\u00f5es de um ponto de vista mais amplo, compat\u00edvel com as necessidades atuais do pa\u00eds e a disponilidade de recursos. Quando \u00e9 que este tema entrar\u00e1 na pauta?<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro, a crise da Aeron\u00e1utica com os conroladores de v\u00f4o; agora, o governador S\u00e9rgio Cabral pedindo mais uma vez o apoio do Ex\u00e9rcito para lidar com a criminalidade do Rio, coisa que os militares n\u00e3o gostam nem sabem fazer. Mas qual deveria ser, na verdade, o papel das for\u00e7as armadas no Brasil de hoje? 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