{"id":160,"date":"2007-06-30T07:54:00","date_gmt":"2007-06-30T10:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=160"},"modified":"2008-08-03T12:49:59","modified_gmt":"2008-08-03T15:49:59","slug":"a-decisao-da-suprema-corte-dos-estados-unidos-sobre-acao-afirmativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-decisao-da-suprema-corte-dos-estados-unidos-sobre-acao-afirmativa\/","title":{"rendered":"A decis\u00e3o da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a\u00e7\u00e3o afirmativa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">Da longa documenta\u00e7\u00e3o que acompanhou a decis\u00e3o recente da Suprema Corte Americana colocando limites \u00e0s pol\u00edticas raciais naquele pa\u00eds, Peter Fry destacou o seguinte fragmento, do voto do Juiz  Anthony M. Kennedy , que diz  melhor  o que eu e muitos outros temos tentado dizer sobre as propostas de pol\u00edticas raciais no Brasil. Esta \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas, e, abaixo, o texto original em ingl\u00eas:<\/span><\/p>\n<p>&#8220;O argumento a favor de marcar os individuos conforme sua ra\u00e7a ignora os perigos trazidos pelas classifica\u00e7\u00f5es individuais, perigos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o significativos quando os mesmos fins s\u00e3o obtidos por outros meios. Quando o governo classifica um indiv\u00edduo por ra\u00e7a, ele precisa primeiro definir o que ele entende por ra\u00e7a. Quem, exatamente, \u00e9 branco ou n\u00e3o branco? Ser for\u00e7ado a viver com um r\u00f3tulo racial definido pelo governo \u00e9 inconsistente com a dignidade dos indiv\u00edduos em nossa sociedade. \u00c9 um r\u00f3tulo que os indiv\u00edduos n\u00e3o t\u00eam o poder de mudar. Classifica\u00e7\u00f5es governamentais que obrigam a pessoas a marchar em diferentes dire\u00e7\u00f5es de acordo com tipologias raciais pode causar novas divis\u00f5es. A pr\u00e1tica pode levar a um discurso corrosivo, em que a ra\u00e7a deixa de ser elemento de nossa heran\u00e7a diversificada, e se transforma em uma ficha de negocia\u00e7\u00e3o no processo pol\u00edtico. Por outro lado, medidas que tomam a ra\u00e7a em considera\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o se baseiam em tratamentos diferenciais baseados em classifica\u00e7\u00f5es individuais, n\u00e3o t\u00eam este risco na mesma intensidade.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de que, se a ra\u00e7a \u00e9 o problema, a ra\u00e7a \u00e9 o instrumento pelo qual ele deveria ser solucionado, n\u00e3o pode ser aceita como um passo anal\u00edtico \u00e0 frente.  E se esta \u00e9 uma frustrante dualidade da Cl\u00e1usula de Igual Prote\u00e7\u00e3o [da Emenda 14 da Constitui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos], isto reflete, simplesmente, a dualidade de nossa hist\u00f3ria e de nossas tentativas de promover a liberdade em um mundo que muitas vezes parece como disposto a imped\u00ed-la.  Em nossa Constitui\u00e7\u00e3o o indiv\u00edduo, crian\u00e7a ou adulto, pode buscar sua pr\u00f3pria identidade, definir sua propria persona, sem a interven\u00e7\u00e3o do estado que o classifique conforme sua ra\u00e7a ou a cor de sua pele.&#8221;<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">No original: <\/span><\/p>\n<p>&#8220;The argument [in favour of marking individuals racially] ignores the dangers presented by individual classifications, dangers that are not as pressing when the same ends are achieved by more indirect means. When the government classifies an individual by race, it must first define what it means to be of a race. Who exactly is white and who is nonwhite? To be forced to live under a state-mandated racial label is inconsistent with the dignity of individuals in our society. And it is a label that an individual is powerless to change. Governmental classifications that command people to march in different directions based on racial typologies can cause a new divisiveness. The practice can lead to corrosive discourse, where race serves not as an element of our diverse heritage but instead as a bargaining chip in the political process. On the other hand race-conscious measures that do not rely on differential treatment based on individual classifications present these problems to a lesser degree.<\/p>\n<p>The idea that if race is the problem, race is the instrument with which to solve it cannot be accepted as an analytical leap forward. And if this is a frustrating duality of the Equal Protection Clause it simply reflects the duality of our history and our attempts to promote freedom in a world that sometimes seems set against it.Under our Constitution the individual, child or adult, can find his own identity, can define her own persona, without state intervention that classifies on the basis of his race or the color of her skin.&#8221;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da longa documenta\u00e7\u00e3o que acompanhou a decis\u00e3o recente da Suprema Corte Americana colocando limites \u00e0s pol\u00edticas raciais naquele pa\u00eds, Peter Fry destacou o seguinte fragmento, do voto do Juiz Anthony M. Kennedy , que diz melhor o que eu e muitos outros temos tentado dizer sobre as propostas de pol\u00edticas raciais no Brasil. 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