{"id":1654,"date":"2010-05-05T12:48:12","date_gmt":"2010-05-05T15:48:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=1654"},"modified":"2010-05-05T12:48:12","modified_gmt":"2010-05-05T15:48:12","slug":"avaliando-a-educacao-media-no-brasil-benchmarking-secondary-education-in-brazil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/avaliando-a-educacao-media-no-brasil-benchmarking-secondary-education-in-brazil\/","title":{"rendered":"Avaliando a Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dia no Brasil |Benchmarking secondary education in Brazil"},"content":{"rendered":"<p>Em 3-4 de maio de 2010 participei de um semin\u00e1rio organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em parceria com a OECD, sobre as melhores pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, em uma perspectiva internacional. A quest\u00e3o principal que me tocou foi discutir em que medida um indicador como o IDEB, desenvolvido pelo INEP para avaliar e estabelecer metas para a educa\u00e7\u00e3o fundamental, poderia ser tamb\u00e9m utilizado para avaliar a educa\u00e7\u00e3o media, ou secund\u00e1ria. O texto que apresentei, em vers\u00e3o inglesa, <a href=\"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/simon\/bench2010.pdf\" target=\"_blank\">est\u00e1 dispon\u00edvel aqui.<\/a> A vers\u00e3o em portugu\u00eas ainda n\u00e3o existe,<\/p>\n<p>O IDEB, \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, combina informa\u00e7\u00f5es sobre os resultados de provas de portugu\u00eas e matem\u00e1tica com informa\u00e7\u00f5es sobre fluxo \u2013 quantos estudantes que iniciam uma s\u00e9rie a terminam com sucesso no final do ano. Assim, uma escola com bons resultados nos testes, mas muitas reprova\u00e7\u00f5es e abandono, fica t\u00e3o ruim no \u00edndice quanto uma escola com resultados med\u00edocres mas que passa todo mundo.\u00a0 O objetivo \u00e9 transmitir a\u00a0 mensagem de que as boas escolas precisam mostrar bons resultados e n\u00e3o reprovar, o que \u00e9 importante para o Brasil, que tem uma triste tradi\u00e7\u00e3o de reprovar e nem por isto proporcionar um ensino de qualidade. No entanto, a gente fica sem saber, muitas vezes, o que um valor neste \u00edndice significa mesmo; eu preferiria manter os dois indicadores separados.<\/p>\n<p>O problema maior \u00e9 quando se pretende usar o IDEB para o ensino m\u00e9dio. No Brasil,\u00a0 \u201ceduca\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d significa fundamental (de 9 anos) e m\u00e9dia (de 3 anos).\u00a0 Mas a prova Brasil, aplicada nas escolas para os alunos de 4a. e 8a. s\u00e9rie (ou 5o. e 9o. ano no novo sistema)\u00a0 n\u00e3o foi aplicada para o ensino m\u00e9dio. Ent\u00e3o, o IDEB, apesar do nome, n\u00e3o existe para o ensino m\u00e9dio por escola.\u00a0 Nunca vi uma explica\u00e7\u00e3o para isto, mas o fato \u00e9 que a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel sobre o desempenho do ensino m\u00e9dio \u00e9 o SAEB, que \u00e9 uma prova amostral, que serviu de base para elaborar a prova Brasil, mas que s\u00f3 permite dar o IDEB de um estado como todo,\u00a0 n\u00e3o das escolas individualmente.\u00a0 O SAEB do ensino m\u00e9dio ainda inclui uma prova de ci\u00eancias, tamb\u00e9m amostral.<\/p>\n<p>Qual seria o problema de fazer com o ensino m\u00e9dio o que j\u00e1 se faz com o ensino fundamental?\u00a0 Me parecem que existem dois problemas, um ligado ao outro.\u00a0 O primeiro \u00e9 que, enquanto o acesso ao ensino fundamental no Brasil est\u00e1 quase totalmente universalizado, o acesso ao ensino m\u00e9dio ainda \u00e9 muito limitado, com menos de 50% dos jovens de 15 a 17 anos estudando neste n\u00edvel, e\u00a0 n\u00e3o est\u00e1 crescendo como deveria.\u00a0 Para o ensino fundamental, o IDEB lida com um problema importante, que \u00e9 o do atraso escolar; ele \u00e9 impotente, no entanto, para captar o problema do ensino m\u00e9dio, que \u00e9, al\u00e9m da repet\u00eancia e do atraso escolar, o grande n\u00famero de jovens que nunca chegam l\u00e1.<\/p>\n<p>O segundo problema, ligado ao primeiro, tem a ver com o fato de que no Brasil s\u00f3 existe, na pr\u00e1tica, uma modalidade de curso de n\u00edvel m\u00e9dio, que \u00e9 o acad\u00eamico, cheio de cursos pendurados, influenciado pelos requisitos dos exames vestibulares. Em\u00a0 todos os pa\u00edses que conseguiram universalizar, ou quase, o ensino m\u00e9dio, existem diferentes alternativas de estudo e forma\u00e7\u00e3o para os jovens, algumas mais acad\u00eamicas, outras voltadas para o mercado de trabalho, seja em escolas ou redes escolares diferentes, seja em escolas \u201cabrangentes\u201d que oferecem diferentes alternativas e programas de estudo para diferentes estudantes.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um problema muito central do ensino m\u00e9dio brasileiro, que explica pelo menos em parte porque tantas pessoas nunca completam este n\u00edvel,\u00a0 e a aplica\u00e7\u00e3o do IDEB para este segmento teria uma conseq\u00fc\u00eancia bastante negativa, que seria a de refor\u00e7ar o modelo \u00fanico do ensino m\u00e9dio do qual precisamos evoluir.\u00a0 Este problema tamb\u00e9m ocorre com o ENEM, que, apesar de incluir diferentes \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 realmente op\u00e7\u00f5es para os estudantes, que t\u00eam que se sair bem em toda a prova, e desta forma refor\u00e7a a camisa de for\u00e7a do curr\u00edculo do ensino m\u00e9dio.<span hidden class=\"__iawmlf-post-loop-links\" data-iawmlf-links=\"[{&quot;id&quot;:694,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.schwartzman.org.br\\\/simon\\\/bench2010.pdf&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]\"><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 3-4 de maio de 2010 participei de um semin\u00e1rio organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em parceria com a OECD, sobre as melhores pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, em uma perspectiva internacional. 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