{"id":170,"date":"2007-09-16T09:32:00","date_gmt":"2007-09-16T12:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=170"},"modified":"2008-08-03T12:42:52","modified_gmt":"2008-08-03T15:42:52","slug":"o-napoleaozinho-de-campinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-napoleaozinho-de-campinas\/","title":{"rendered":"O Napole\u00e3ozinho de Campinas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">O Mandarim &#8211; Hist\u00f3ria da Inf\u00e2ncia da Unicamp,<\/span> do jornalista Eust\u00e1quio Gomes, publicado em 2006 pela pr\u00f3pria Universidade, \u00e9 sobretudo a hist\u00f3ria dos mandos e desmandos de seu fundador, Zeferino Vaz, que havia sido antes interventor na Universidade de Bras\u00edlia e, antes ainda, fundador da Faculdade de Medicina da USP de Ribeir\u00e3o Preto. O livro \u00e9 bem escrito, baseado em depoimentos e documentos internos da Universidade, e um excelente exemplo do que pode e n\u00e3o pode fazer um ditador. Entre 1966 e 1978, Zeferino Vaz fez o que quis na UNICAMP, navegando nas \u00e1guas turvas da ditadura militar, exibindo quando necess\u00e1rio suas credenciais de anti-comunista militante,  defendendo e at\u00e9 tirando da cadeia \u00a8seus comunistas\u00a8, e manobrando todo o tempo para tirar do caminho as pessoas que questionavam seu poder.<\/p>\n<p>Zeferino tinha uma qualidade, que era haver entendido desde cedo que  \u00a8institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, universit\u00e1rias ou isoladas, constroem-se com c\u00e9rebros e n\u00e3o com edif\u00edcios\u00a8. Curiosamente, o livro n\u00e3o diz nada sobre o que Zeferino Vaz fez em sua pr\u00f3pria \u00e1rea, de medicina e zoologia. Nas outras \u00e1reas, que n\u00e3o conhecia diretamente, buscou nomes de grande prest\u00edgio e reputa\u00e7\u00e3o, trazendo para Campinas e dando total apoio a alguns cientistas brilhantes que haviam feito seu nome no exterior, especialmente S\u00e9rgio Porto, Rog\u00e9rio Cerqueira Leite, que criaram a nova \u00e1rea de f\u00edsica do estado s\u00f3lido, e a grande estrela que era C\u00e9sar Lattes, que permaneceu isolado. Na \u00e1rea das ci\u00eancias sociais e humanas, come\u00e7ou, n\u00e3o se sabe por qu\u00ea, entregando-a um obscuro professor de filosofia fenomenol\u00f3gica, que foi um desastre; em economia, optou por fazer da universidade a continuadora da tradi\u00e7\u00e3o da CEPAL, ent\u00e3o na moda na Am\u00e9rica Latina; e descobriu depois que, com o fim da ditadura que j\u00e1 se pressentia, era dos soci\u00f3logos marxistas que precisava, desde que n\u00e3o fizessem pol\u00edtica nem se confrontassem com ele. Em 1975, promoveu um grande semin\u00e1rio internacional estrelado pelo historiador marxista Eric Hobsbaum que deu \u00e0 universidade da ditadura uma \u00e1urea de centro avan\u00e7ado de pensamento de esquerda, preparada para os anos que viriam.<\/p>\n<p>Comparada com a cria\u00e7\u00e3o da USP trinta anos antes, que foi buscar nos centros universit\u00e1rios europeus os melhores talentos, chama a aten\u00e7\u00e3o o provincianismo do projeto da Unicamp, aonde o \u00fanico estrangeiro de renome, que estava l\u00e1 por acaso, era o geneticista Gustav Brieger, que cedo se indisp\u00f4s com Zeferino e acabou se afastando. Zeferino entendia que sem c\u00e9rebros n\u00e3o se constr\u00f3i uma universidade, mas nunca entendeu ou aceitou que estes c\u00e9rebros formam comunidades de pessoas ativas e pensantes, sem cuja participa\u00e7\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o  t\u00eam como crescer e fortalecer. O livro \u00e9 rico de documentos que mostram as brigas por poder na Universidade, mas nada que mostre a exist\u00eancia de delibera\u00e7\u00f5es e consultas sobre programas, prioridades, e pol\u00edtica de recursos humanos.<\/p>\n<p>O livro tamb\u00e9m vale pelas fofocas que revelam o estilo e o car\u00e1ter de muitos personagens que ainda est\u00e3o entre n\u00f3s \u2013 mas isto fica para o ju\u00edzo pessoal de cada um.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Mandarim &#8211; Hist\u00f3ria da Inf\u00e2ncia da Unicamp, do jornalista Eust\u00e1quio Gomes, publicado em 2006 pela pr\u00f3pria Universidade, \u00e9 sobretudo a hist\u00f3ria dos mandos e desmandos de seu fundador, Zeferino Vaz, que havia sido antes interventor na Universidade de Bras\u00edlia e, antes ainda, fundador da Faculdade de Medicina da USP de Ribeir\u00e3o Preto. 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