{"id":171,"date":"2007-09-19T22:51:00","date_gmt":"2007-09-20T01:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=171"},"modified":"2008-08-03T12:42:26","modified_gmt":"2008-08-03T15:42:26","slug":"o-impacto-da-ampliacao-da-bolsa-familia-para-os-jovens-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-impacto-da-ampliacao-da-bolsa-familia-para-os-jovens-2\/","title":{"rendered":"O impacto da amplia\u00e7\u00e3o da bolsa fam\u00edlia para os jovens (2)"},"content":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o dos dados da PNAD 2006 permite uma an\u00e1lise mais fina do poss\u00edvel impacto da anunciada amplia\u00e7\u00e3o da  bolsa fam\u00edlia para jovens de 16 e 17 anos (antes, eu tinha feito uma primeira an\u00e1lise com os dados de 2005).<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, o aux\u00edlio era dado para todas as fam\u00edlias que tenham at\u00e9 60 reais de renda familiar per capita, e para fam\u00edlias com filhos at\u00e9 15 anos que tenham renda familiar per capita de at\u00e9 120 reais.  O aux\u00edlio para cada fam\u00edlia \u00e9 de 60 reais mensais, mais 15 reais por at\u00e9 tr\u00eas filhos. Com a constata\u00e7\u00e3o que o programa estava mal focalizado do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o, porque a grande maioria das crian\u00e7as at\u00e9 15 anos est\u00e1 na escola de qualquer maneira,  o governo anunciou que vai ampliar o aux\u00edlio tamb\u00e9m para fam\u00edlias com jovens de 16 e 17 anos. H\u00e1 ainda a promessa de aumentar estes valores, mas eles foram utilizados aqui para estes c\u00e1lculos.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">O tamanho do problema.<\/span><\/p>\n<p>O Brasil tem hoje cerca de 7 milh\u00f5es de jovens de 16 e 17 anos de idade,  dos quais 5.5 milh\u00f5es estudam, e 1.5 milh\u00f5es n\u00e3o.. Dos que estudam, 1.7 milh\u00f5es trabalham, e outros 570 mil dizem que est\u00e3o buscando trabalho. Dos 1.5 milh\u00f5es que n\u00e3o estudam, 620 mil tamb\u00e9m n\u00e3o trabalham. Dos 5.5 milh\u00f5es que estudam, 1.6 milh\u00f5es est\u00e3o ainda no ensino b\u00e1sico, o que significa que t\u00eam grandes chances de n\u00e3o completar sua educa\u00e7\u00e3o. O problema, portanto, \u00e9 fazer com que os 1.5 milh\u00f5es for a da escola completem sua educa\u00e7\u00e3o, e que os 1.6 milh\u00f5es que est\u00e3o atrasados n\u00e3o fiquem pelo caminho. Pouco mais de 3 milh\u00f5es precisando de alguma pol\u00edtica educativa.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">O tamanho da solu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Quantos destes poderiam se beneficiar da amplia\u00e7\u00e3o da bolsa fam\u00edlia?  Para estimar isto, \u00e9 necess\u00e1rio eliminar as fam\u00edlias que t\u00eam mais de 120 reais mensais de renda familiar per capita;  e tamb\u00e9m as fam\u00edlias com menos de 60 reais mensais, porque j\u00e1 se qualificam para a bolsa de qualquer maneira. Al\u00e9m disto, se a fam\u00edlia tiver um outro filho em casa de at\u00e9 15 anos, ela j\u00e1 se qualifica, e a inclus\u00e3o do jovem de 16 e 17 anos vai acrescentar somente 15 reais mensais \u00e0 fam\u00edlia, isto se ela j\u00e1 n\u00e3o ver tr\u00eas filhos estudando.<\/p>\n<p>Fazendo todas estas elimina\u00e7\u00f5es, chegamos a um total de 318  mil jovens e suas fam\u00edlias. Destes, 179 mil estudam, e, entre os que estudam, 45 mil trabalham, o que mostra que o trabalho n\u00e3o \u00e9 necessariamente um impedimento para o estudo. Dos 138 mil que n\u00e3o estudam, 38 mil trabalham, e 28 mil buscam trabalho; 80 mil n\u00e3o fazem nada. Dos que estudam, 90 mil est\u00e3o ainda no ensino fundamental, e mais 30 mil na primeira s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Na melhor das hip\u00f3teses, pois, a amplia\u00e7\u00e3o do programa para jovens de 16 e 17 anos poderia trazer de volta \u00e0 escola 130 mil jovens, e apoiar outros 80 ou 90 mil em risco de abandonar por excesso de atraso escolar \u2013 menos de 10% do grupo alvo.<\/p>\n<p>Isto supondo, naturalmente, que a bolsa seria suficiente para que eles de fato voltassem \u00e0 escola. A renda m\u00e9dia dos que estudam, trabalham e t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 de 104 reais mensais; a dos que trabalham e n\u00e3o estudam, 150 reais, ou metade, aproximadamente, da renda familiar (s\u00e3o fam\u00edlias pequenas, que n\u00e3o t\u00eam outros filhos menores), e dificilmente eles trocariam seu trabalho por uma bolsa de metade do valor, E supondo, tamb\u00e9m que o atraso ou o abandono da escola se deva \u00e0 necessidade de trabalhar, coisa que o grande n\u00famero de estudantes que estudam e trabalham, assim como o de jovens que nem estudam nem trabalham, mostra que est\u00e1 longe de ser verdade.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa repetir: a principal causa do abandono escolar \u00e9 a m\u00e1 qualidade da escola, e sua incapacidade de dar aos jovens, principalmente os mais pobres, conhecimentos e compet\u00eancias que lhes interessem e que eles possam assimilar. Nada contra dar  uma pequena bolsa a 318 mil fam\u00edlias necessitadas. Mas isto n\u00e3o tem nada a ver com educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o dos dados da PNAD 2006 permite uma an\u00e1lise mais fina do poss\u00edvel impacto da anunciada amplia\u00e7\u00e3o da bolsa fam\u00edlia para jovens de 16 e 17 anos (antes, eu tinha feito uma primeira an\u00e1lise com os dados de 2005). 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