{"id":1907,"date":"2010-11-10T09:30:27","date_gmt":"2010-11-10T12:30:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=1907"},"modified":"2010-11-10T10:06:13","modified_gmt":"2010-11-10T13:06:13","slug":"enem-o-que-realmente-importa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/enem-o-que-realmente-importa\/","title":{"rendered":"ENEM &#8211; o que realmente importa"},"content":{"rendered":"<p>A nova confus\u00e3o com o ENEM mostrou mais uma vez a grande capacidade dos brasileiros de concentrar no que menos importa, deixando de ver ou considerar as coisas de fundo.\u00a0 Est\u00e1 bem, o INEP tem sido incapaz de administrar o sistema de provas que montou. S\u00e3o problemas log\u00edsticos, que cedo ou tarde acabar\u00e3o se ajustando.O que interessa saber, no entanto, \u00e9: precisamos deste ENEM, com este formato?\u00a0 Que vantagens e problemas ele traz? N\u00e3o existem outras maneiras melhores de fazer isto?<\/p>\n<p>O principal objetivo do ENEM, desde suas primeiras vers\u00f5es, foi estabelecer um padr\u00e3o de refer\u00eancia para as pessoas que se formam no ensino m\u00e9dio. Como as escolas s\u00e3o muito diferentes, e as notas dadas pelos professores de cada curso s\u00e3o subjetivas, ter um padr\u00e3o nacional permite avaliar o que o aluno realmente aprendeu, e, de tabela, dizer algo sobre suas escolas, quando temos um n\u00famero significativo de alunos da mesma escola participando. S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m podem ser usadas por universidades em seus processos de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este tipo de avalia\u00e7\u00e3o final do ensino m\u00e9dio existe em muitos pa\u00edses, mas de forma muito diferente da nossa. Na Europa, a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer com que o aluno passe por uma avalia\u00e7\u00e3o feita geralmente nas pr\u00f3prias escolas sob supervis\u00e3o externa &#8211; \u00e9 o Abitur alem\u00e3o, o GCSE ingl\u00eas (General Certificate of Secondary Education), ou o Bachaleaurat franc\u00eas. No caso ingl\u00eas, o aluno tem que ser avaliado em conte\u00fados centrais (core subjects), ingl\u00eas, matem\u00e1tica e uma entre diversas op\u00e7\u00f5es em ci\u00eancias) e diversas outras op\u00e7\u00f5es em l\u00ednguas, tecnologia, humanidades, ci\u00eancias sociais e artes. O importante \u00e9 o que o aluno pode escolher os exames que quer fazer &#8211; existem cerca de 40 op\u00e7\u00f5es &#8211; e as diversas universidades e cursos usam os diferentes resultados conforme seus crit\u00e9rios pr\u00f3prios. Na Universidade de Warwick, por exemplo, diz o Site, &#8220;all applicants must possess a minimum level of competence in the English Language and in Mathematics\/Science. A pass at Grade C or above in GCSE English Language and in Mathematics or a Science, or an equivalent qualification, satisfies this University requirement. For many courses, requirements are above this University minimum, so you should check the relevant course-specific entry requirements&#8221;. A outra caracter\u00edstica importante do sistema ingl\u00eas \u00e9 que os exames s\u00e3o feitos por cinco &#8220;examination boards&#8221; independentes, organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas de compet\u00eancia t\u00e9cnica reconhecida.\u00a0 Se trata, portanto, de um sistema aberto, com muitas op\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o coloca os alunos na camisa de for\u00e7a de um exame \u00fanico como o ENEM, e que as universidades usam conforme achem mais conveniente.<\/p>\n<p>O melhor exemplo de um outro modelo \u00e9 o Scholastic Aptidude Test &#8211; SAT &#8211; utilizado nos Estados Unidos. Uma diferen\u00e7a importante com o modelo europeu \u00e9 que o SAT n\u00e3o busca medir conhecimentos, e sim compet\u00eancias, em pensamento cr\u00edtico, matem\u00e1tica e escrita. O SAT \u00e9 desenvolvido por uma funda\u00e7\u00e3o n\u00e3o lucrativa de direito privado, o College Board, e administrado por outra institui\u00e7\u00e3o, o Educational Testing Service. Enquanto que o sistema ingl\u00eas atribui conceitos de A a D para aas provas, os resultados do SAT s\u00e3o estatisticamente padronizados, e compar\u00e1veis ano a ano.\u00a0 Quase todas as universidades americanas usam o SAT como um dos elementos para a sele\u00e7\u00e3o de seus alunos.<\/p>\n<p>Estes exemplos mostram que as op\u00e7\u00f5es, para este tipo de prova, s\u00e3o ou fazer uma prova baseada em conte\u00fados, mas de forma diferenciada e descentralizado, e dando op\u00e7\u00f5es para os estudantes, como na Europa, ou fazer uma prova de compet\u00eancias gerais, mais unificada (mas sempre diferenciando pelo menos entre as \u00e1reas de linguagem e matem\u00e1tica). No caso do SAT, o exame \u00e9 dado v\u00e1rias vezes por ano em muitos locais diferentes, em um sistema computadorizado no qual as quest\u00f5es v\u00e3o aparecendo para o estudante conforme ele vai avan\u00e7ando.<\/p>\n<p>O ENEM atual \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o perversa dos dois modelos: por um lado, como na Europa, ele \u00e9 fortemente baseado em conte\u00fados, aparentemente para atender \u00e0s demandas das universidades, para que elas possam, no limite, dispensar seus pr\u00f3prios vestibulares; mas ele n\u00e3o d\u00e1 op\u00e7\u00f5es, e al\u00e9m disto \u00e9 aplicado em um momento \u00fanico, quando o exemplo do SAT mostra que existem alternativas para isto<\/p>\n<p>O resultado, al\u00e9m do pesadelo burocr\u00e1tico e log\u00edstico das provas, \u00e9 que ele vai contra a necessidade de criar mais alternativas de estudo no ensino m\u00e9dio, for\u00e7a os alunos a uma maratona de dois dias de prova cujo resultado pode decidir seu futuro, e muitas das principais universidades do pa\u00eds relutam em usar seus resultados como crit\u00e9rio de admiss\u00e3o para seus cursos.O ENEM atual teria uma outra fun\u00e7\u00e3o, que seria permitir que os alunos pudessem se candidatar, de uma s\u00f3 vez, a diferentes universidades em todo o pa\u00eds. Mas, na aus\u00eancia de um sistema adequado de resid\u00eancia universit\u00e1ria e bolsas de manuten\u00e7\u00e3o para os estudantes, \u00e9 muito improv\u00e1vel esta mobilidade esteja sendo criada, e institui\u00e7\u00f5es de excel\u00eancia, como a UNICAMP e o ITA, j\u00e1 fazem tradicionalmente vestibulares de alcance nacional.<\/p>\n<p>O que fazer?\u00a0 Algumas sugest\u00f5es:\u00a0 1) tirar a implementa\u00e7\u00e3o do ENEM do INEP e do sistema de licita\u00e7\u00f5es anuais, e colocar em uma ou mais institui\u00e7\u00f5es especializadas, a ser constituidas;\u00a0 2) voltar ao formato de uma prova \u00fanica geral de compet\u00eancias centrais aplicada de forma descentralizada e por computadores; 3) abrir o leque de avalia\u00e7\u00f5es por \u00e1reas de conhecimento, conforme os interesses dos estudantes e das universidades que queiram fazer uso destas informa\u00e7\u00f5es. 4) criar um sistema adequado de financiamento do sistema, com contribui\u00e7\u00f5es das universidades que usam os resultados, dos alunos que fazem as provas (com as devidas isen\u00e7\u00f5es) e do governo 5) dar transpar\u00eancia ao sistema, publicando os documentos t\u00e9cnicos e as matrizes de refer\u00eancia para as diferentes \u00e1reas em avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas podem n\u00e3o ser as melhores sugest\u00f5es, mas \u00e9 isto que dever\u00edamos estar discutindo, e n\u00e3o os erros log\u00edsticos que t\u00eam surgido, embora eles sejam, pelo menos em parte, conseq\u00fc\u00eancia do sistema mastod\u00f4ndico de avalia\u00e7\u00e3o que se decidiu adotar,<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova confus\u00e3o com o ENEM mostrou mais uma vez a grande capacidade dos brasileiros de concentrar no que menos importa, deixando de ver ou considerar as coisas de fundo.\u00a0 Est\u00e1 bem, o INEP tem sido incapaz de administrar o sistema de provas que montou. 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