{"id":191,"date":"2008-02-12T15:49:00","date_gmt":"2008-02-12T18:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=191"},"modified":"2022-10-31T16:17:21","modified_gmt":"2022-10-31T19:17:21","slug":"maria-helena-guimaraes-castro-premiar-o-merito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/maria-helena-guimaraes-castro-premiar-o-merito\/","title":{"rendered":"Maria Helena Guimar\u00e3es Castro: premiar o m\u00e9rito"},"content":{"rendered":"<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/bp2.blogger.com\/_QiS7NmwxcOc\/R7Hq-t21XfI\/AAAAAAAAAEo\/Vn9QL_xAmg0\/s1600-h\/secretariafotoveja.jpg\"><\/a><br \/><span style=\"font-style: italic;\">A Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Maria Helena Guimar\u00e3es Castro, que foi tamb\u00e9m quem estruturou o INEP na gest\u00e3o de Paulo Renato de Souza no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, deu \u00e0 revista Veja a entrevista abaixo,  nas P\u00e1ginas Amarelas, edi\u00e7\u00e3o de 13 de fevereiro de 2008 (n. 2047)  sobre a educa\u00e7\u00e3o brasileira e seus projetos atuais. Vale a pena ler:<\/span><\/p>\n<p>Como secret\u00e1ria estadual de Educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, a professora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro, 61 anos, comanda uma rede de 5 500 escolas, 250 000 professores e 5 milh\u00f5es de alunos. Nenhuma outra no pa\u00eds chega perto de tais n\u00fameros. \u00c9 justamente nesse universo que ser\u00e1 implantado pela primeira vez no Brasil um sistema segundo o qual as escolas passar\u00e3o a ter metas acad\u00eamicas no horizonte e receber\u00e3o mais verbas caso consigam cumpri-las. O tal b\u00f4nus ser\u00e1 distribu\u00eddo entre os funcion\u00e1rios. Depois de anunciado o novo sistema, a secret\u00e1ria passou a receber dezenas de e-mails de professores, alguns deles furiosos. &#8220;Eles querem aumento de sal\u00e1rio, sim, mas dissociado do desempenho. Est\u00e3o na contram\u00e3o&#8221;, diz a secret\u00e1ria. Cientista social de forma\u00e7\u00e3o, desde 1993, quando assumiu a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o em Campinas, Maria Helena ocupou diversos cargos p\u00fablicos, entre eles o de secret\u00e1ria executiva do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), durante o governo FHC, onde \u00e9 lembrada por ter liderado a constru\u00e7\u00e3o de um valioso sistema de avalia\u00e7\u00e3o das escolas brasileiras. Casada, m\u00e3e de tr\u00eas filhos e av\u00f3 de quatro netos, ela concedeu a VEJA a seguinte entrevista:<\/p>\n<p>Veja \u2013 Nas pr\u00f3ximas semanas, as escolas estaduais de S\u00e3o Paulo se tornar\u00e3o as primeiras no pa\u00eds a ter metas acad\u00eamicas a cumprir \u2013 e a ser premiadas com mais dinheiro caso consigam atingi-las. Quais resultados a senhora espera alcan\u00e7ar com tais medidas?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 O objetivo \u00e9 criar incentivos concretos para o progresso das escolas, a exemplo da bem-sucedida experi\u00eancia de outros pa\u00edses do mundo desenvolvido, como Inglaterra e Estados Unidos. Eles n\u00e3o inventaram nenhuma f\u00f3rmula mirabolante, mas, sim, conseguiram p\u00f4r em pr\u00e1tica sistemas capazes de distinguir e premiar, com base em crit\u00e9rios objetivos, as escolas com bom desempenho acad\u00eamico. As pesquisas mostram que, em todos os lugares onde uma pol\u00edtica de reconhecimento ao m\u00e9rito foi implantada, a educa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou. No Brasil, esse \u00e9 um debate novo e, infelizmente, ainda contraria uma parcela dos educadores.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Qual \u00e9 exatamente o motivo das cr\u00edticas ao novo sistema?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Em pleno s\u00e9culo XXI, h\u00e1 pessoas que persistem em uma vis\u00e3o sindicalista ultrapassada e corporativista, segundo a qual todos os professores merecem ganhar o mesmo sal\u00e1rio no fim do m\u00eas. Essa velha pol\u00edtica da isonomia salarial passa ao largo dos diferentes resultados obtidos em sala de aula, e a\u00ed est\u00e1 o erro. Ao ignorar m\u00e9ritos e dem\u00e9ritos, ela deixa de jogar luz sobre os mais talentosos e esfor\u00e7ados e, com isso, contribui para a acomoda\u00e7\u00e3o de uma massa de profissionais numa zona de mediocridade. Por isso, demos um passo na dire\u00e7\u00e3o oposta.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Os professores se queixam de sal\u00e1rios baixos. A senhora d\u00e1 raz\u00e3o a eles?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Na compara\u00e7\u00e3o com outros profissionais no Brasil e tamb\u00e9m com professores de escolas particulares, um conjunto de pesquisas j\u00e1 demonstrou que os sal\u00e1rios dos docentes na rede p\u00fablica chegam a ser at\u00e9 mais altos. Esse \u00e9 um fato, ancorado em n\u00fameros. Apesar disso, acho, sim, que faz parte das atribui\u00e7\u00f5es do estado criar est\u00edmulos financeiros \u00e0 carreira, de modo a valoriz\u00e1-la e conseguir atrair mais gente boa para as escolas p\u00fablicas. O que n\u00e3o se pode fazer \u00e9 defender aumento de sal\u00e1rio indiscriminado para professor ruim, desinteressado ou que mal aparece na escola. Quem merece mais dinheiro no fim do m\u00eas s\u00e3o os bons professores e aquelas escolas p\u00fablicas capazes de oferecer um raro ensino de qualidade, apesar das evidentes dificuldades.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Como funcionar\u00e1 o novo sistema de premia\u00e7\u00e3o dos professores em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Criamos um indicador para aferir a situa\u00e7\u00e3o atual de cada escola e, com base nele, estabelecer metas concretas. O desempenho dos alunos em provas aplicadas pela pr\u00f3pria secretaria ter\u00e1 o maior peso. Esse \u00e9, n\u00e3o resta d\u00favida, um excelente medidor do sucesso acad\u00eamico de uma escola. Outro \u00e9 o tempo que um aluno leva para concluir os ciclos escolares. Da combina\u00e7\u00e3o desses e mais fatores resultar\u00e1 o tal \u00edndice. Depois de um ano, ele voltar\u00e1 a ser calculado. S\u00f3 as escolas que conseguirem melhorar nas estat\u00edsticas v\u00e3o receber mais dinheiro.<\/p>\n<p>Veja \u2013 De quanto ser\u00e1 o pr\u00eamio?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 O b\u00f4nus pode chegar ao equivalente a mais tr\u00eas sal\u00e1rios num ano. Isso para cada funcion\u00e1rio da escola, da faxineira ao diretor. Foi com um sistema bem semelhante a esse que a cidade de Nova York alcan\u00e7ou avan\u00e7os not\u00e1veis. Fizemos aqui uma adapta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 realidade brasileira: os professores mais faltosos ser\u00e3o automaticamente exclu\u00eddos da lista dos premiados. \u00c9 apenas o justo. O Brasil ainda est\u00e1 pouco habituado a encarar as pol\u00edticas para a educa\u00e7\u00e3o sob uma \u00f3tica mais voltada para os alunos. Eles merecem, afinal, assistir a uma boa aula \u2013 e por isso estamos deixando de premiar os professores campe\u00f5es em aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Veja \u2013 De acordo com os mais recentes dados da OCDE (organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane pa\u00edses da Europa e os Estados Unidos), os estudantes brasileiros aparecem nas \u00faltimas coloca\u00e7\u00f5es em leitura, ci\u00eancias e matem\u00e1tica. Como mudar esse cen\u00e1rio?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Um passo fundamental \u00e9 fazer a escola se sentir respons\u00e1vel pelos resultados dos estudantes, algo ainda bastante long\u00ednquo, mas poss\u00edvel de alcan\u00e7ar com a cobran\u00e7a de metas. Fiz uma pesquisa sobre o assunto na qual professores entrevistados em diferentes estados brasileiros repetiam a mesm\u00edssima ladainha: &#8220;As notas dos alunos s\u00e3o ruins porque a escola p\u00fablica \u00e9 carente de recursos e os professores ganham mal&#8221;. N\u00e3o acho que seja razo\u00e1vel atribuir tudo a fatores externos. Segundo essa mentalidade atrasada e comodista, a culpa pelo p\u00e9ssimo desempenho geral \u00e9 invariavelmente do estado brasileiro, nunca dos pr\u00f3prios professores, muitos dos quais incapacitados para dar uma boa aula. A falta de professores preparados para desempenhar a fun\u00e7\u00e3o \u00e9, afinal, um mal cr\u00f4nico do sistema educacional brasileiro. Sem desatar esse n\u00f3, n\u00e3o d\u00e1 para pensar em bom ensino.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Qual seria o melhor caminho para elevar o n\u00edvel dos professores?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de pedagogia do pa\u00eds, at\u00e9 mesmo as mais conceituadas, como a da USP e a da Unicamp, e recome\u00e7aria tudo do zero. Isso porque se consagrou no Brasil um tipo de curso de pedagogia voltado para assuntos exclusivamente te\u00f3ricos, sem nenhuma conex\u00e3o com as escolas p\u00fablicas e suas reais demandas. Esse \u00e9 um modelo equivocado. No dia-a-dia, os alunos de pedagogia se perdem em longas discuss\u00f5es sobre as grandes quest\u00f5es do universo e os maiores pensadores da humanidade, mas ignoram o b\u00e1sico sobre did\u00e1tica. As faculdades de educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o muito preocupadas com um discurso ideol\u00f3gico sobre as m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es transformadoras do ensino. Elas deixam em segundo plano evid\u00eancias cient\u00edficas sobre as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que de fato funcionam no Brasil e no mundo. Com isso, tamb\u00e9m prestam o desservi\u00e7o de divulgar e perpetuar antigos mitos. Ao retirar o foco das quest\u00f5es centrais, esses mitos s\u00f3 atrapalham.<\/p>\n<p>Veja \u2013 A senhora pode dar alguns exemplos desses mitos?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Um dos mais populares \u00e9 aquele segundo o qual o aumento no sal\u00e1rio dos professores leva sempre \u00e0 melhoria do ensino. As pesquisas mostram que, quando o dinheiro vem dissociado de uma pol\u00edtica de reconhecimento do m\u00e9rito, ele surte pouco ou nenhum efeito. Um segundo mito bastante divulgado diz respeito ao tamanho das classes. Os educadores afirmam por a\u00ed ser imposs\u00edvel oferecer uma boa aula diante de classes cheias, mas os estudos sobre o assunto indicam que, tirando as s\u00e9ries iniciais, esse \u00e9 um fator de pouca relev\u00e2ncia. Escolas de diferentes pa\u00edses decidiram inclusive aumentar o n\u00famero de alunos em sala de aula para resolver outra quest\u00e3o \u2013 esta, sim, de grande efeito positivo. Eles est\u00e3o esticando as horas de perman\u00eancia dos estudantes nas escolas e, para arcar com os custos da medida, precisam fazer caber mais gente numa mesma sala. Resta ainda o mito do livro did\u00e1tico. Os estudantes de faculdades de pedagogia aprendem a encarar os livros como uma esp\u00e9cie de camisa-de-for\u00e7a, e n\u00e3o como uma base a partir da qual podem ampliar os horizontes em sala de aula.<\/p>\n<p>Veja \u2013 O curr\u00edculo escolar tamb\u00e9m \u00e9 visto com certa retic\u00eancia pelos professores brasileiros, segundo mostram as pesquisas&#8230;<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 De novo, os professores se sentem tolhidos na sua liberdade de ensinar \u2013 baboseira ideol\u00f3gica que passa ao largo de uma quest\u00e3o central. Sem contar com um curr\u00edculo, o professor de escola p\u00fablica no Brasil, de modo geral, continua a encarar as classes sem uma refer\u00eancia m\u00ednima na qual se mirar. Poucos estados brasileiros (entre as exce\u00e7\u00f5es, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e o Tocantins) disp\u00f5em de um curr\u00edculo para oferecer \u00e0s escolas, no qual estejam inclu\u00eddos os assuntos a ser abordados em cada mat\u00e9ria, no detalhe. \u00c9 uma pena. A experi\u00eancia mostra que professores com um apoio did\u00e1tico dessa natureza v\u00e3o mais longe em sala de aula. Investir na constru\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo, como fizeram alguns dos pa\u00edses da Europa dois s\u00e9culos atr\u00e1s, \u00e9 certamente um destino mais adequado para as verbas p\u00fablicas do que esparramar canteiros de obras Brasil afora \u2013 um caminho t\u00e3o comum para o or\u00e7amento da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Quais s\u00e3o as melhores aplica\u00e7\u00f5es para o dinheiro destinado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Tr\u00eas tipos de uso do dinheiro surtem mais efeito em sala de aula, conforme apontam as pesquisas: al\u00e9m do investimento em produ\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico, os cursos para melhorar a forma\u00e7\u00e3o dos professores e os programas de valoriza\u00e7\u00e3o aos bons docentes tamb\u00e9m resultam em melhorias concretas no n\u00edvel do ensino. N\u00e3o d\u00e1 para fugir ainda de gastos extras com escolas sem a infra-estrutura m\u00ednima. \u00c0 frente dos 5\u2009500 col\u00e9gios estaduais de S\u00e3o Paulo, tenho visto de tudo. Em algumas das escolas, a diretora precisa retirar diariamente l\u00e2mpadas e fia\u00e7\u00f5es ao final das aulas, para evitar roubos por parte dos pr\u00f3prios alunos. Eles costumavam trocar esses objetos por drogas. Outras escolas se tornaram verdadeiros emaranhados de &#8220;puxadinhos&#8221;, extens\u00f5es labir\u00ednticas do pr\u00e9dio original feitas pela pr\u00f3pria comunidade. S\u00e3o apenas alguns retratos da desordem que precisamos enfrentar. Diante de tantas precariedades, a velha tradi\u00e7\u00e3o brasileira de fazer pirotecnia com o dinheiro p\u00fablico da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece ter o menor sentido.<\/p>\n<p>Veja \u2013 A que tipo de &#8220;pirotecnia&#8221; a senhora se refere?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 \u00c0 constru\u00e7\u00e3o de escolas monumentais, repletas de quadras poliesportivas, piscinas ol\u00edmpicas e centenas de computadores, por exemplo. Em geral, elas s\u00e3o um convite \u00e0 gastan\u00e7a de dinheiro sem nenhuma evid\u00eancia de retorno para a sala de aula a longo prazo. Isso porque, segundo indica a experi\u00eancia, em pouco tempo essas escolas entram em decad\u00eancia por exigir uma manuten\u00e7\u00e3o cara demais para os cofres p\u00fablicos. Volto \u00e0 mesma tecla: o que d\u00e1 certo na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o disciplinada de um conjunto de medidas bem mais b\u00e1sicas \u2013 e n\u00e3o aquelas de efeito festivo e mais vistosas, como ainda preferem alguns.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Como algumas escolas p\u00fablicas conseguem sobressair diante das demais, apesar do mesmo or\u00e7amento apertado?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 H\u00e1 um fator comum a todas as escolas nota 10, e ele merece a aten\u00e7\u00e3o das demais: trata-se da presen\u00e7a de um diretor competente, com atributos de lideran\u00e7a semelhantes aos de qualquer chefe numa grande empresa. Sob sua batuta, os professores trabalham estimulados, os alunos desfrutam um clima positivo para o aprendizado e os pais s\u00e3o atra\u00eddos para o ambiente escolar. Se tais diretores fossem a maioria, o ensino p\u00fablico n\u00e3o estaria t\u00e3o mal das pernas.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Na sua opini\u00e3o, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) tem tomado medidas acertadas?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 No geral, sim. Os esfor\u00e7os concentrados para melhorar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e a \u00eanfase dada \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es das escolas s\u00e3o dois dos pontos positivos. Para mim, ver a educa\u00e7\u00e3o de volta aos trilhos \u00e9 um al\u00edvio. No primeiro mandato do governo Lula, tive meus momentos de tristeza.<\/p>\n<p>Veja \u2013 Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Maria Helena \u2013 Foi um per\u00edodo de paralisia para a educa\u00e7\u00e3o, com um retrocesso: o desmantelamento do antigo Prov\u00e3o, uma prova criada durante o governo Fernando Henrique para aferir a qualidade das universidades. Funcionava bem, mas acabou v\u00edtima de um velho h\u00e1bito da pol\u00edtica brasileira: o de n\u00e3o dar continuidade \u00e0s medidas adotadas pelos antecessores. Numa \u00e1rea como a educa\u00e7\u00e3o, de resultados de longo prazo, o tradicional bota-abaixo a cada troca de governo \u00e9 algo a ser combatido, tal qual fizeram pa\u00edses como a Irlanda e a Cor\u00e9ia do Sul, hoje modelos na educa\u00e7\u00e3o. Eles s\u00f3 conseguiram abandonar o atoleiro de notas vermelhas depois de firmar uma esp\u00e9cie de pacto nacional, capaz de sobreviver \u00e0s sucessivas trocas de governo ao longo de d\u00e9cadas. O Brasil tem hoje uma meta, para daqui a quinze anos, e h\u00e1 um bom consenso em torno das estrat\u00e9gias para alcan\u00e7\u00e1-la. Precisa, daqui para a frente, come\u00e7ar a dar mostras de maturidade pol\u00edtica para conseguir deixar a rabeira nos rankings internacionais de ensino \u2013 e, quem sabe um dia, aparecer entre os melhores.<span hidden class=\"__iawmlf-post-loop-links\" data-iawmlf-links=\"[{&quot;id&quot;:1149,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/bp2.blogger.com\\\/_QiS7NmwxcOc\\\/R7Hq-t21XfI\\\/AAAAAAAAAEo\\\/Vn9QL_xAmg0\\\/s1600-h\\\/secretariafotoveja.jpg&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20260416022645\\\/http:\\\/\\\/bp2.blogger.com\\\/_QiS7NmwxcOc\\\/R7Hq-t21XfI\\\/AAAAAAAAAEo\\\/Vn9QL_xAmg0\\\/s1600-h\\\/secretariafotoveja.jpg&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-20 02:23:20&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-23 14:28:46&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-27 04:59:38&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-03 05:55:13&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-08 23:18:02&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-12 12:04:56&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-17 07:27:49&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-22 08:27:07&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-25 15:02:46&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-05-29 22:23:28&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-03 01:09:58&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-06 22:32:30&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-10 12:16:05&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-13 21:48:28&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-17 13:02:39&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-23 08:17:32&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-06-30 04:10:11&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-03 18:03:34&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-10 00:05:22&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-16 12:58:03&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-21 23:47:19&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-07-27 12:33:21&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-02 10:14:32&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-06 11:46:33&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-16 13:20:44&quot;,&quot;http_code&quot;:200}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-08-16 13:20:44&quot;,&quot;http_code&quot;:200},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]\"><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Maria Helena Guimar\u00e3es Castro, que foi tamb\u00e9m quem estruturou o INEP na gest\u00e3o de Paulo Renato de Souza no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, deu \u00e0 revista Veja a entrevista abaixo, nas P\u00e1ginas Amarelas, edi\u00e7\u00e3o de 13 de fevereiro de 2008 (n. 2047) sobre a educa\u00e7\u00e3o brasileira e seus projetos &hellip; 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