{"id":206,"date":"2008-06-16T13:08:00","date_gmt":"2008-06-16T16:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=206"},"modified":"2008-08-03T00:42:48","modified_gmt":"2008-08-03T03:42:48","slug":"ideb-celebrar-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ideb-celebrar-o-que\/","title":{"rendered":"IDEB: celebrar o qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">Que significam, de fato, os n\u00fameros do Indice de Denvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, difundidos recentemente pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o?  Este texto de Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira e Carlos Henrique Ferreira de Araujo, ex-diretor do INEP, ajuda a entender:<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel a euforia das autoridades em querer celebrar os resultados do IDEB \u2013 o indicador de desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.  A divulga\u00e7\u00e3o, em tom cuidadoso, foi logo seguida de euforia, ampliada pela m\u00eddia. Apenas alguns jornalistas e um \u00fanico articulista, Na\u00e9rcio Menezes Filho, sugeriram cautela.  Mesmo porque os dados divulgados n\u00e3o revelam informa\u00e7\u00f5es importantes, pois o IDEB mistura resultados de Portugu\u00eas com os de Matem\u00e1tica e com taxas de aprova\u00e7\u00e3o.  Pode ser pr\u00e1tico ter um \u00fanico \u00edndice, mas \u00e9 importante ter clareza sobre o que ele revela e o que esconde.<\/p>\n<p>O que nos diz o IDEB 2007? O que mudou em rela\u00e7\u00e3o ao IDEB de 2005? Basicamente mudaram duas coisas. Primeiro, a m\u00e9dia nacional da 4\u00aa. s\u00e9rie do Ensino Fundamental passou de 3.8 para 4.2. Numa escala de zero a dez, trata-se de mudan\u00e7a de cerca de quatro por cento.  Em 11 estados, dos quais 10 est\u00e3o situados no Nordeste ou Centro-Oeste, a mudan\u00e7a variou de 5 a 8 pontos percentuais.  Todos esses estados estavam abaixo de 4 pontos no IDEB anterior, e apenas 3 deles conseguiram superar a marca de 4 pontos com os novos avan\u00e7os.  Segundo, os dados divulgados at\u00e9 o momento sugerem que metade ou mais dos avan\u00e7os se deve a mudan\u00e7as nas taxas de aprova\u00e7\u00e3o e a um pequeno avan\u00e7o nos resultados da prova de matem\u00e1tica.  As demais altera\u00e7\u00f5es nos indicadores s\u00e3o desprez\u00edveis, tanto do ponto de vista estat\u00edstico quanto educacional.<\/p>\n<p>Podemos dizer que a melhoria \u00e9 significativa? Certamente o \u00e9 para os estados no Nordeste, n\u00e3o para a maioria do pa\u00eds. Mas cabe observar que melhorar de 3 para 3.5 ou 3.8 \u00e9 muito mais f\u00e1cil do que melhorar de 8 para 8.2 ou de 9.5 para 9.6.  Houve avan\u00e7os, sim, mas justamente onde \u00e9 mais f\u00e1cil. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem razo\u00e1vel dizer que essas mudan\u00e7as possam ser atribu\u00eddas a melhorias na qualidade do ensino ou da introdu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas educacionais espec\u00edficas \u2013 exceto, talvez, no caso da promo\u00e7\u00e3o de alunos, que \u00e9 uma medida administrativa. Os dados n\u00e3o mostram o resultado de determinadas redes estaduais ou municipais de ensino que teriam introduzido mudan\u00e7as significativas nas suas pol\u00edticas ou pr\u00e1ticas, mas do agregado das redes em cada estado. Os dados, em compara\u00e7\u00e3o com s\u00e9ries hist\u00f3ricas, tamb\u00e9m n\u00e3o permitem afirmar que houve uma revers\u00e3o de tend\u00eancias \u2013 mesmo porque tend\u00eancias s\u00e3o reflexo de mudan\u00e7as em v\u00e1rios momentos, e n\u00e3o apenas um ou dois.<\/p>\n<p>Portanto, estamos diante de um fen\u00f4meno que n\u00e3o comporta explica\u00e7\u00f5es simples ou simplistas, muito menos explica\u00e7\u00f5es oportunistas, que colocam em jogo a validade, utilidade e credibilidade das avalia\u00e7\u00f5es. Houve melhoras, houve avan\u00e7o nos \u00edndices. Isso \u00e9 ineg\u00e1vel. Mas esses avan\u00e7os n\u00e3o podem ser atribu\u00eddos \u00e0s pol\u00edticas educacionais em curso. As celebra\u00e7\u00f5es de sucesso poderiam sugerir que bastaria continuar a fazendo o que o pa\u00eds vem fazendo para que a educa\u00e7\u00e3o chegue aos n\u00edveis dos pa\u00edses desenvolvidos. Isso equivale a dizer que basta fazer muito, nada ou qualquer coisa, pois \u00e9 exatamente isso que vem ocorrendo no pa\u00eds .<\/p>\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es de autoridades tamb\u00e9m insinuam que resultados de pol\u00edticas educativas aparecem em prazos muito curtos \u2013 e independentemente de mudan\u00e7as estruturais.  Ora, a explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel \u00e9 que as mudan\u00e7as ocorridas nos indicadores \u2013 e que se concentraram em alguns estados e apenas na 4\u00aa. s\u00e9rie &#8211; se devem ao efeito de mudan\u00e7as em vari\u00e1veis extra-escolares, notadamente o aumento da renda e da m\u00e9dia de escolaridade dos pais, o que se verificou sobretudo nas regi\u00f5es mais pobres e que incide sobre os alunos mais jovens. Ou seja: \u00e9 a economia que est\u00e1 contribuindo para melhorar os resultados da educa\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o vice-versa &#8211; como seria de se esperar.<\/p>\n<p>O que \u00e9 necess\u00e1rio fazer para que as escolas fa\u00e7am diferen\u00e7a na economia e na vida das pessoas, sobretudo as de n\u00edvel s\u00f3cio-econ\u00f4mico mais modesto?  Seria preciso fazer uma profunda reforma educativa, cujos contornos s\u00e3o bem conhecidos e que podem ser aprendidos da experi\u00eancia dos pa\u00edses onde a educa\u00e7\u00e3o d\u00e1 certo. A receita \u00e9 bem conhecida, e vem sendo divulgada h\u00e1 pelo menos tr\u00eas d\u00e9cadas nos estudos sobre reformas eficazes. O tema foi objeto de um semin\u00e1rio internacional promovido pela Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados, em agosto de 2007 e tamb\u00e9m divulgado recentemente em relat\u00f3rio da empresa de consultoria McKinsey. Nada a ver com as propostas em curso no pa\u00eds.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que significam, de fato, os n\u00fameros do Indice de Denvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, difundidos recentemente pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o? 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