{"id":208,"date":"2008-06-19T14:52:00","date_gmt":"2008-06-19T17:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=208"},"modified":"2009-07-13T11:31:05","modified_gmt":"2009-07-13T14:31:05","slug":"o-novo-relatorio-do-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-novo-relatorio-do-crescimento\/","title":{"rendered":"O novo relat\u00f3rio do crescimento"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: bold;\">The Growth Report, <\/span>documento escrito por uma comiss\u00e3o de not\u00e1veis liderada pelo Pr\u00eamio Nobel de economia Michael Spence, da qual faz parte Edmar Bacha, est\u00e1 sendo considerado por muitos como o novo \u201cconsenso de Washington\u201d, que deixa para tr\u00e1s as receitas simplistas de \u201cestabilidade econ\u00f4mica, menos estado e mais mercado\u201d dos anos 80, e apresenta um quadro muito mais rico e complexo dos fatores que permitem ou n\u00e3o o desenvolvimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>O desenvolvimento que interessa n\u00e3o \u00e9 somente o de curto prazo, que pode ocorrer por uma alta s\u00fabita dos pre\u00e7os das <span style=\"font-style: italic;\">commodities<\/span>, como vem ocorrendo ultimamente, mas a capacidade dos pa\u00edses em manter este desenvolvimento atrav\u00e9s do tempo e transformar a riqueza em benef\u00edcio para toda a popula\u00e7\u00e3o.  Cauteloso, o relat\u00f3rio come\u00e7a dizendo que n\u00e3o existem receitas prontas, que cada pa\u00eds deve buscar seu pr\u00f3prio caminho, mas nem por isto deixa de apontar os fatores que diferenciam os pa\u00edses que conseguem daqueles que n\u00e3o conseguem se desenvolver.<\/p>\n<p>O primeiro destes fatores \u00e9 a abertura, n\u00e3o somente aos mercados, mas \u00e0s id\u00e9ias, tecnologias e recursos dispon\u00edveis globalmente. Estrat\u00e9gias de crescimento para dentro, voltadas para o mercado interno, podem ser menos arriscadas, mas n\u00e3o conseguem ir muito longe. O segundo fator s\u00e3o os investimentos: nenhum pa\u00eds consegue crescer sem altas taxas de poupan\u00e7a, da ordem de 20 a 25%. Estes recursos podem ser obtidos, em parte, no mercado internacional, mas o mais importante \u00e9 a poupan\u00e7a domestica que os pa\u00edses s\u00e3o capazes de fazer.<\/p>\n<p>Para que estas e outras pol\u00edticas possam ser implementadas, a principal condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a capacidade de lideran\u00e7a pol\u00edtica e a efic\u00e1cia dos governos, assim como sua legitimidade \u2013 a capacidade de convencer as pessoas de que o investimento no futuro vale a pena. N\u00e3o \u00e9 que as economias n\u00e3o possam crescer sem mercados, institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas adequadas, mas \u00e9 um crescimento muito mais incerto, e existe sempre o perigo da \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d &#8211; o crescimento concentrado que mata tudo o que existe em volta. Os governos devem fazer muitas coisas importantes \u2013 manter a economia em equil\u00edbrio, desde logo, mas tamb\u00e9m cuidar da educa\u00e7\u00e3o, da pobreza, do meio ambiente e da infra-estrutura de comunica\u00e7\u00e3o e transportes.<\/p>\n<p>Os governos  devem trabalhar, tamb\u00e9m, pela institucionaliza\u00e7\u00e3o e fortalecimento dos mercados, fazendo as reformas institucionais que sejam necess\u00e1rias. A economia n\u00e3o pode se desenvolver plenamente sem mercados, mas existe uma grande diferen\u00e7a entre mercados \u201cmaduros\u201d, bem institucionalizados, com regras claras sobre os direitos de propriedade, garantias dos contratos e competitividade, e os mercados selvagens que caracterizam muitas das economias dos pa\u00edses em desenvolvimento. Para fazer tudo isto, os governos precisam ser honestos, tecnicamente competentes e capazes de desenvolver pol\u00edticas de longo prazo, de forma pragm\u00e1tica, que possam ir al\u00e9m dos ciclos eleitorais.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio n\u00e3o chega a condenar a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas industriais, que favorecem alguns setores da economia considerados mais din\u00e2micos,  mas n\u00e3o deixa de dizer que atividades empresariais que dependem de subs\u00eddios permanentes e pre\u00e7os distorcidos n\u00e3o merecem existir. A fun\u00e7\u00e3o do governo n\u00e3o \u00e9 proteger empresas, mas pessoas. O relat\u00f3rio reconhece que o desenvolvimento econ\u00f4mico pode gerar desigualdades, e recomenda pol\u00edticas para corrigir as distor\u00e7\u00f5es nos extremos da distribui\u00e7\u00e3o de renda, sem com isto restringir a flexibilidade dos mercados.<\/p>\n<p>Finalmente, o relat\u00f3rio reconhece a import\u00e2ncia da quest\u00e3o clim\u00e1tica, e de toda a quest\u00e3o dos limites ao desenvolvimento, e a\u00ed tamb\u00e9m \u00e9 cauteloso. N\u00e3o \u00e9 verdade que o crescimento da ind\u00fastria na China vai impedir o desenvolvimento em outras partes: com mais riqueza, haver\u00e1 lugar para todos. E o limite para o desenvolvimento econ\u00f4mico e a redu\u00e7\u00e3o da pobreza vai depender n\u00e3o somente dos limites da natureza, que s\u00e3o reais, mas de nossa capacidade para lidar com eles.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 propriamente novidade nestas id\u00e9ias, me parece , mas, ao serem apresentadas de forma clara e coerente, por uma comiss\u00e3o internacional de credenciais inquestion\u00e1veis, elas podem se transformar em divisor de \u00e1guas entre o que faz sentido e as ortodoxias e heterodoxias que ainda circulam tanto.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The Growth Report, documento escrito por uma comiss\u00e3o de not\u00e1veis liderada pelo Pr\u00eamio Nobel de economia Michael Spence, da qual faz parte Edmar Bacha, est\u00e1 sendo considerado por muitos como o novo \u201cconsenso de Washington\u201d, que deixa para tr\u00e1s as receitas simplistas de \u201cestabilidade econ\u00f4mica, menos estado e mais mercado\u201d dos anos 80, e apresenta &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-novo-relatorio-do-crescimento\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O novo relat\u00f3rio do crescimento&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,8],"tags":[],"class_list":["post-208","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=208"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1271,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/208\/revisions\/1271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}