{"id":2179,"date":"2011-05-05T09:56:19","date_gmt":"2011-05-05T12:56:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2179"},"modified":"2011-05-05T09:56:19","modified_gmt":"2011-05-05T12:56:19","slug":"a-nova-linha-de-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-nova-linha-de-pobreza\/","title":{"rendered":"A nova linha de pobreza"},"content":{"rendered":"<p>V\u00e1rios jornalistas t\u00eam me telefonado perguntando sobre a nova linha de extrema pobreza anunciada pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social. \u00c9 bom que o Brasil tenha uma linha oficial de probreza? \u00a0Este valor \u00e9 muito baixo? Ser\u00e1 que os dados de pobreza anteriores estavam equivocados, e que na verdade a pobreza extrema no Brasil \u00e9 maior do que se dizia?<\/p>\n<p>A primeira observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, felizmente, \u00a0esta n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;linha oficial de pobreza&#8221;, como chegou a ser noticiado, mas simplesmente um crit\u00e9rio utilizado pelo Minist\u00e9rio para um programa de erradica\u00e7\u00e3o da pobreza extrema que ainda deve ser anunciado pelo governo. Eu sempre argumentei que o Brasil n\u00e3o deveria ter uma &#8220;linha oficial&#8221; \u00fanica de pobreza, porque qualquer que seja a linha ela ser\u00e1 sempre dependente de metodologias que podem variar muito, e n\u00e3o tem sentido escolher uma delas e atrelar todas as pol\u00edticas sociais futuras a uma regra que vai ser muito dificil de alterar depois.<\/p>\n<p>A segunda observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que os dados de antes n\u00e3o estavam errados &#8211; diferentes metodologias e bases de dado d\u00e3o normalmente resultados distintos. As melhores medidas de pobreza tomam em conta as varia\u00e7\u00f5es de custo de vida e de renda monet\u00e1ria que existe entre as diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, o que parece n\u00e3o ter ocorrido com esta linha anunciada pelo MDS. A renda monet\u00e1ria declarada nas \u00e1reas rurais tende a ser \u00a0menor do que nas \u00e1reas urbanas, em parte pelo fato de que a produ\u00e7\u00e3o para o auto-consumo \u00e9 maior no campo. Al\u00e9m disto, existem muitos tipos diferentes de pobreza, e a pobreza t\u00edpica das periferias das grandes cidades, que \u00e9 aonde se concentram os problemas sociais mais graves do pa\u00eds, pode estar associada a n\u00edveis de renda monet\u00e1ria maiores do que os do campo.<\/p>\n<p>O programa \u00a0Bolsa Fam\u00edlia tem sido muito mais voltado para a popula\u00e7\u00e3o rural do que para a urbana. Isto n\u00e3o est\u00e1 mal na medida em que a pobreza rural precisa de fato ser atendida, mas n\u00e3o est\u00e1 bem deixar de lado a pobreza urbana porque os n\u00edveis de renda monet\u00e1ria declarada desta popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o maiores.<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia, existem duas maneiras de medir a pobreza, a absoluta e a relativa. No Brasil sempre se buscou medir a pobreza absoluta, entendida como a das pessoas cuja renda n\u00e3o permite comprar o m\u00ednimo de calorias necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia. O programa Fome Zero do in\u00edcio do governo Lula partia da id\u00e9ia de que no Brasil ainda haviam milh\u00f5es de pessoas nestas condi\u00e7\u00f5es, passando fome, e foi com grande surpresa que se constatou, depois, que o Brasil n\u00e3o tem na realidade problemas de fome generalizados, mas sim outros associados \u00e0 falta de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, e inclusive \u00e0 obesidade.<\/p>\n<p>As medidas de pobreza relativa, por outro lado, buscam identificar as pessoas cujas condi\u00e7oes de vida s\u00e3o consideradas piores do que a sociedade considera como minimamente satisfat\u00f3rio. Este m\u00ednimo varia de sociedade para sociedade, e pode variar tamb\u00e9m por regi\u00e3o e caracter\u00edsticas da popula\u00e7\u00e3o. Ainda que situa\u00e7\u00f5es de pobreza extrema continuem existindo, a \u00a0metodologia \u00a0da renda absoluta \u00e9 mais apropriada para pa\u00edses de renda muito abaixo da brasileira, como dos a \u00c1frica ao Sul do Saara, do que para pa\u00edses de renda m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Me parece que j\u00e1 \u00e9 tempo de mudar a abordagem centrada nas medidas absolutas e come\u00e7ar a lidar tamb\u00e9m com os problemas de pobreza relativa que afetam sobretudo as popula\u00e7\u00f5es das periferias das grandes cidades, e que n\u00e3o s\u00e3o menos s\u00e9rios e priorit\u00e1rios do que os do campo.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rios jornalistas t\u00eam me telefonado perguntando sobre a nova linha de extrema pobreza anunciada pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social. \u00c9 bom que o Brasil tenha uma linha oficial de probreza? \u00a0Este valor \u00e9 muito baixo? 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