{"id":2184,"date":"2011-05-06T17:13:59","date_gmt":"2011-05-06T20:13:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2184"},"modified":"2011-05-06T17:15:29","modified_gmt":"2011-05-06T20:15:29","slug":"andre-medici-a-pobreza-dos-servicos-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/andre-medici-a-pobreza-dos-servicos-de-saude\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Medici: a pobreza dos servi\u00e7os de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<div><em>A prop\u00f3sito de <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2179&amp;lang=pt-br\" target=\"_blank\">minha nota sobre a nova linha de pobreza extrema do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social,<\/a> escreve Andr\u00e9 M\u00e9dici:<\/em><\/div>\n<div><em><br \/>\n<\/em><\/div>\n<div>Obrigado por mais esta postagem. A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que a nova linha de pobreza adotada pelo pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o nova. O valor de R$70 per capita, ao que me consta, j\u00e1 estava vigente no ano passado. Concordo contigo sobre a id\u00e9ia de que o Brasil, dada sua diversidade em espa\u00e7os regionais e as distintas dimens\u00f5es urbanas e rurais, n\u00e3o deveria ter uma linha oficial de pobreza.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No entanto, o que tamb\u00e9m concordo contigo e que devemos explorar mais, \u00e9 que parte substancial da pobreza ainda \u00e9 dada pela falta de acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos. Por exemplo, pelo menos 35% da popula\u00e7\u00e3o brasileira com renda inferior a um quarto de sal\u00e1rio m\u00ednimo per-capita n\u00e3o tinha acesso ao Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade segundo os dados da \u00faltima PNAD. As condicionalidades de sa\u00fade do Bolsa Fam\u00edlia, por exemplo s\u00e3o aplicadas a uma popula\u00e7\u00e3o benefici\u00e1ria que \u00e9 menor do que as que seguem as condicionalidades de educa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na semana passada (29 de abril) fui convidado para apresentar no Semin\u00e1rio New Strategies for Health Promotion na Universidade de Harvard, uma breve avalia\u00e7\u00e3o dos impactos das condicionalidades de sa\u00fade do Bolsa Fam\u00edlia no Brasil. Estou anexando o <a href=\"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/simon\/health_strat.pdf\" target=\"_blank\">Programa do Semin\u00e1rio<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/simon\/andre_bf.pdf\" target=\"_blank\">minha apresenta\u00e7\u00e3o.<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>As principais conclus\u00f5es que podemos tirar s\u00e3o que:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(a) O impacto das condicionalidades em sa\u00fade nos programas de transfer\u00eancias condicionadas tem sido pequeno, especialmente em pa\u00edses de maior desenvolvimento como o Brasil e o M\u00e9xico. Al\u00e9m do mais, uma avalia\u00e7\u00e3o de 11 programas dessa natureza, baseada em meta-an\u00e1lises, conclui que existem efeitos perversos e n\u00e3o acompanhados pelos sistemas de sa\u00fade destes programas, tais\u00a0como o aumento da obesidade (inclusive entre crian\u00e7as) e o aumento da incid\u00eancia de tabaco nos grupos mais pobres, dada a relativa inelasticidade do consumo de tabaco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda para a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o-informada e sem acompanhamento do setor sa\u00fade.\u00a0A maioria dos <em>cash-transfer programs<\/em> tem sido\u00a0acompanhada no setor sa\u00fade por condicionalidades associadas aos temas materno-infantis. No entanto, os fatores de risco associados a doen\u00e7as cr\u00f4nicas &#8211; que s\u00e3o os grandes males que afetam as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade nos pa\u00edses em desenvolvimento num contexto de finaliza\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica &#8211; n\u00e3o tem sido acompanhados. Tais fatores de risco &#8211; alcool, tabaco, obesidade &#8211; deveriam ser\u00a0acompanhados e fazer parte das condicionalidades de sa\u00fade dos programas de transfer\u00eancia condicionada de renda. Mas isto n\u00e3o tem sido feito, nem no Bolsa Fam\u00edlia, nem em outros programas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(b) Com rela\u00e7\u00e3o ao Bolsa-Familia, se pode\u00a0notar que tem aumentado\u00a0o n\u00famero de fam\u00edlias\u00a0que\u00a0s\u00e3o acompanhadas pelas condicionalidades de sa\u00fade (ver slide\u00a0n\u00famero 12). No entanto, tem diminuido o n\u00famero absoluto de crian\u00e7as com as condicionalidades de sa\u00fade cumpridas (slide\u00a013), o que n\u00e3o ocorre com as gestantes acompanhadas pelo programa (slide 14).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(c) As \u00faltimas avalia\u00e7\u00f5es de impacto do Bolsa Familia realizadas pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social em 2010 mostram (diferentemente da avalia\u00e7\u00e3o de 2005) que o Programa come\u00e7a a ter impactos em rela\u00e7\u00e3o ao grupo de controle em \u00e1reas como vacina\u00e7\u00e3o, amamenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o (slide 17). No entanto, a real melhoria dos resultados do\u00a0Bolsa Familia\u00a0em sa\u00fade se encontra estritamente associada ao Programa de Sa\u00fade da Familia (PSF) o qual, apesar de seu impacto positivo,\u00a0tem sua expans\u00e3o limitada pela falta de servi\u00e7os\u00a0e profissionais de sa\u00fade nas \u00e1reas onde vivem\u00a0as popula\u00e7\u00f5es de menor renda.<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito de minha nota sobre a nova linha de pobreza extrema do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social, escreve Andr\u00e9 M\u00e9dici: Obrigado por mais esta postagem. A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que a nova linha de pobreza adotada pelo pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o nova. 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