{"id":2584,"date":"2011-11-07T20:51:44","date_gmt":"2011-11-07T23:51:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2584"},"modified":"2011-11-07T20:51:44","modified_gmt":"2011-11-07T23:51:44","slug":"o-teto-de-vidro-da-educacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-teto-de-vidro-da-educacao-brasileira\/","title":{"rendered":"O teto de vidro da educa\u00e7\u00e3o brasileira"},"content":{"rendered":"<p><em>O artigo abaixo foi publicado na Foha de S\u00e3o Paulo de 7 de novembro de 2011<\/em><\/p>\n<p><strong>O teto de vidro da educa\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong><br \/>\n<strong>Simon Schwartzman\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2585\" aria-describedby=\"caption-attachment-2585\" style=\"width: 614px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Untitled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2585\" title=\"Gastos p\u00fablicos por estudante e desempenho em matem\u00e1tica no SAEB, 8a s\u00e9re\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Untitled-1024x745.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Untitled-1024x745.jpg 1024w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Untitled-300x218.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Untitled.jpg 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2585\" class=\"wp-caption-text\">Gastos p\u00fablicos por estudante e desempenho em matem\u00e1tica no SAEB, 8a s\u00e9re<\/figcaption><\/figure>\n<p>Todos sabemos que a educa\u00e7\u00e3o brasileira tem problemas s\u00e9rios de qualidade e acesso. Sabemos tamb\u00e9m que t\u00eam havido melhoras importantes desde a d\u00e9cada de 90.A d\u00favida \u00e9 se essas melhoras caracterizam um avan\u00e7o cont\u00ednuo que em poucos anos nos colocar\u00e1 no mesmo n\u00edvel dos pa\u00edses mais desenvolvidos ou se estamos diante de um impasse. Se h\u00e1 um &#8220;teto de vidro&#8221; que temos dificuldade em enxergar, mas que nos impede de avan\u00e7ar com a velocidade e a qualidade que precisamos, fazendo uso adequado dos recursos dispon\u00edveis.\u00a0Algumas pequenas melhoras que parecem ter surgido mais recentemente nas avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o restritas demais, dispersas e sujeitas a questionamentos estat\u00edsticos, e n\u00e3o justificam o tom de euforia eleitoral que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o tem adotado a respeito delas.<\/p>\n<p>O Congresso tem discutido, nos \u00faltimos meses, o texto do que seria um novo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Uma das quest\u00f5es que mais se discute \u00e9 se o Brasil, cujo setor p\u00fablico j\u00e1 gasta cerca de 5% do PIB em educa\u00e7\u00e3o, deveria aumentar essa propor\u00e7\u00e3o para 7%, como prop\u00f5e o governo, ou para 10%, como tem sido proposto pelas in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es sociais, corpora\u00e7\u00f5es e movimentos sociais ligados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais dinheiro \u00e9 sempre bom, permitindo pagar melhor aos professores, expandir a educa\u00e7\u00e3o de tempo completo, melhorar as instala\u00e7\u00f5es das escolas etc. Mas duas quest\u00f5es fundamentais t\u00eam sido deixadas de fora nesta discuss\u00e3o.\u00a0A primeira \u00e9 de onde vai sair esse dinheiro adicional, dada a resist\u00eancia da sociedade a transferir cada vez mais impostos para o governo. A segunda quest\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 sendo discutida \u00e9 que mais dinheiro nem sempre significa melhores resultados, como mostra o gr\u00e1fico acima.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o devemos investir mais em educa\u00e7\u00e3o, mas que esses investimentos s\u00f3 devem ser feitos quando associados a projetos com objetivos bem definidos e cujos resultados possam ser avaliados com clareza e precis\u00e3o. Aumentar simplesmente os gastos sem saber em que e como eles ser\u00e3o aplicados pode levar somente a um aumento no custo da burocracia p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o sem que os estudantes e a popula\u00e7\u00e3o se beneficiem dos resultados.<\/p>\n<p>As reformas necess\u00e1rias na educa\u00e7\u00e3o brasileira incluem uma mudan\u00e7a profunda nos sistemas de forma\u00e7\u00e3o e contrata\u00e7\u00e3o de professores, fazendo com que eles sejam capacitados para lidar com as necessidades educativas dos estudantes e sejam estimulados e recompensados pelo seu desempenho.\u00a0Incluem tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo m\u00ednimo obrigat\u00f3rio para o ensino de portugu\u00eas, matem\u00e1tica e ci\u00eancias naturais e humanas para a educa\u00e7\u00e3o fundamental.\u00a0Precisamos de uma transforma\u00e7\u00e3o profunda no ensino m\u00e9dio, abrindo caminho para op\u00e7\u00f5es e alternativas de forma\u00e7\u00e3o conforme as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem e os interesses dos estudantes.Al\u00e9m disso, as reformas devem contemplar o desenvolvimento de sistemas de avalia\u00e7\u00e3o com requerimentos claros de desempenho para os diferentes n\u00edveis escolares e tipos de forma\u00e7\u00e3o, associados aos curr\u00edculos obrigat\u00f3rios. Por fim, incluem transforma\u00e7\u00f5es profundas na forma como as redes de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e3o organizadas, tornando as escolas mais aut\u00f4nomas para buscar seus caminhos e respons\u00e1veis pelo seu desempenho, recebendo para isso o apoio e o est\u00edmulo de que necessitam.<\/p>\n<p>Nada disso \u00e9 f\u00e1cil: s\u00e3o caminhos novos que o Brasil ainda n\u00e3o conhece e que ser\u00e3o discutidos no semin\u00e1rio promovido hoje pelo Instituto Teot\u00f4nio Vilela, no Rio. Caminhos que o pa\u00eds precisa come\u00e7ar a aprender a trilhar, em vez de continuar tentando fazer sempre mais do mesmo de sempre, como tem sido a pr\u00e1tica dominante at\u00e9 agora.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo abaixo foi publicado na Foha de S\u00e3o Paulo de 7 de novembro de 2011 O teto de vidro da educa\u00e7\u00e3o brasileira Simon Schwartzman\u00a0 Todos sabemos que a educa\u00e7\u00e3o brasileira tem problemas s\u00e9rios de qualidade e acesso. 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