{"id":26,"date":"2005-06-26T09:17:00","date_gmt":"2005-06-26T12:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=26"},"modified":"2008-08-03T13:15:10","modified_gmt":"2008-08-03T16:15:10","slug":"universidades-de-classe-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/universidades-de-classe-internacional\/","title":{"rendered":"Universidades de classe internacional"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que os pa\u00edses em desenvolvimento precisam de universidades de padr\u00e3o internacional, capazes de competir ou se igualar \u00e0s universidades de primeira linha do mundo, como Harvard, Oxford ou Cambridge, na produ\u00e7\u00e3o de pesquisa e na forma\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel? Este foi o tema do semin\u00e1rio de dois dias sobre \u201cFlagships: Research Universities in Developing and Middle-Income Countries\u201d organizado pelo Center for International Higher Education do Boston College e pela Funda\u00e7\u00e3o Ford neste fim de semana. Foram apresentados trabalhos sobre Argentina, Brasil, Chile, M\u00e9xico, \u00cdndia, China, Cor\u00e9ia e Jap\u00e3o, que, depois de revistos, ser\u00e3o publicados como um livro. Do Brasil, al\u00e9m do meu texto, que versa sobre a Universidade de S\u00e3o Paulo (<a href=\"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/simon\/worldclasss.pdf\">e que estou disponibilizando em minha p\u00e1gina na Internet ainda como vers\u00e3o preliminar<\/a>), havia um outro, de Jo\u00e3o Steiner, que apresenta, entre outras coisas, uma classifica\u00e7\u00e3o das universidades brasileiras em termos de sua capacidade de pesquisa.<br \/>\nUma das coisas mais interessantes da reuni\u00e3o foi o contraste entre os pa\u00edses asi\u00e1ticos e os pa\u00edses latinoamericanos. Para chineses e coreanos, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que eles necessitam ter universidades de pesquisa de primeira linha, que possam garantir a competitividade de seus pa\u00edses no mundo. Os dados da China s\u00e3o impressionantes. O n\u00famero de doutores formados anualmente naquele pa\u00eds passou de 19 em 1983 para 18.625 em 2003 (compare com o Brasil, cerca de 8 mil ao ano). Existe uma pol\u00edtica bem definida de concentrar recursos nas universidades de ponta, todas elas t\u00eam alta capacidade gerencial, cobram anuidades e posssuem empresas de alta tecnologia, e a China at\u00e9 mant\u00e9m um centro de pesquisa que se dedica a estudar o tema das universidades de pesquisa, e que publicou um ranking das universidades do mundo, que todos criticam mas todos citam. A Cor\u00e9ia, que tem um dos melhores sistemas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do mundo, matricula 80% dos jovens no ensino superior, e est\u00e1 investindo pesadamente em um projeto de fortalecer suas institui\u00e7\u00f5es de ponta, que j\u00e1 competem internacionalmente em termos de produtividade cient\u00edfica. O Jap\u00e3o tem dados para mostrar que a Universidade de T\u00f3quio s\u00f3 perde para Harvard em qualidade e produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, se preocupa com a competi\u00e7\u00e3o que vem dos chineses e coreanos, e trabalha para n\u00e3o ficar para tr\u00e1s, tendo transformado suas universidades p\u00fablicas em corpora\u00e7\u00f5es de direito privado, para ter a flexibilidade de buscar recursos pr\u00f3prios e competir internacionalmente. A \u00cdndia est\u00e1 passando por um processo acelerado de desenvolvimento econ\u00f4mico, e possui uma enorme capacidade instalada de pesquisa e forma\u00e7\u00e3o de elite em suas melhores universidades e institutos de pesquisa, junto com muitas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de qualidade med\u00edocre, e se parece um pouco com os pa[ises da Am\u00e9rica Latina em sua dificuldade de definir com clareza aonde quer ir. Existe uma pol\u00edtica de concentra\u00e7\u00e3o de recursos em centros de excel\u00eancia, que continua, mas que tem que se combinar com pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa que trazem consequ\u00eancias bastante complicadas para o funcionamento e a qualidade das institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm nossa regi\u00e3o, Argentina e M\u00e9xico enfrentam a quest\u00e3o de o que fazer com suas grandes universidades nacionais, que combinam grandes inefici\u00eancias com centros de qualidade, e onde tudo \u00e9 politizado e muito dif\u00edcil de mudar. Tanto um quanto o outro t\u00eam buscado caminhos alternativos, criando novas institui\u00e7\u00f5es e centros de pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o isolados e protegidos, mas em escala ainda muito limitada, em termos de recursos e capacidade de gera\u00e7\u00e3o de conhecimentos e forma\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel. Para eles, o contraste com o Brasil, que hoje produz mais doutores e faz mais pesquisa do que o resto da Am\u00e9rica Latina combinados, e particularmente com a USP, \u00e9 muito forte. O Chile, apesar de um pa\u00eds pequeno, tamb\u00e9m se destaca pelo esfor\u00e7o deliberado de desenvolver seus recursos humanos conforme os padr\u00f5es internacionais, e a flexibilidade e o apoio que tem dado \u00e0s suas universidades de ponta.<br \/>\nTudo isto pode ser discutido e questionado. At\u00e9 que ponto vale a pena tentar competir com as grandes economias? Ser\u00e1 que o tema da \u201csociedade do conhecimento\u201d n\u00e3o est\u00e1 sendo exagerado? Ser\u00e1 que os demais pap\u00e9is tradicionais das universidades nacionais, como centros de cultura e forma\u00e7\u00e3o de elites, n\u00e3o deveriam ser preservados?  Como conciliar e combinar a necessidade de fortalecer os centros de excel\u00eancia e a necessidade de aumentar a inclus\u00e3o social e corrigir os desequil\u00edbrios regionais?  Que tipos de transforma\u00e7\u00e3o organizacional e gerencial s\u00e3o requeridos para o trabalho acad\u00eamico e de pesquisa de alto n\u00edvel (capacidade gerencial, liberdade de capta\u00e7\u00e3o de recursos, parcerias internacionais e com o setor privado, modalidades de financiamento p\u00fablico, sistemas de avalia\u00e7\u00e3o, estabelecimento de prioridades de pesquisa?)<br \/>\nO participante japon\u00eas tratava de me explicar como ele via a diferen\u00e7a entre os latinaomericanos e os orientais. Os latinoamericanos faziam discuss\u00f5es complexas, examinando os problemas por todos os seus \u00e2ngulos,  as dificuldades e a as poss\u00edveis alternativas sobre o que fazer. Os orientais, simplesmente, olhavam para os dados, definiam os objetivos, e iam em frente&#8230;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que os pa\u00edses em desenvolvimento precisam de universidades de padr\u00e3o internacional, capazes de competir ou se igualar \u00e0s universidades de primeira linha do mundo, como Harvard, Oxford ou Cambridge, na produ\u00e7\u00e3o de pesquisa e na forma\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel? 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