{"id":2689,"date":"2012-01-27T18:54:57","date_gmt":"2012-01-27T21:54:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2689"},"modified":"2012-01-27T18:57:51","modified_gmt":"2012-01-27T21:57:51","slug":"a-chegada-da-walmart-no-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-chegada-da-walmart-no-ensino-superior\/","title":{"rendered":"A chegada das Walmart no ensino superior"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2690\" title=\"walmart_4299\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/walmart_4299.gif\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/walmart_4299.gif 366w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/walmart_4299-300x229.gif 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 85vw, 366px\" \/><em>Quando o \u00a0Walmart chega a uma pequena cidade, a popula\u00e7\u00e3o pode comprar produtos mais baratos e diferentes, mas muitos pequenos neg\u00f3cios fecham, e\u00a0muita gente perde seu emprego, ou tem que aceitar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que a grande empresa oferece. Para sobreviver, \u00e9 preciso oferecer um produto diferenciado, um servi\u00e7o mais pessoal e de melhor qualidade,\u00a0<\/em><em>mesmo que a a um pre\u00e7o maior, que os grandes supermercados n\u00e3o podem proporcionar. Ser\u00e1 que isto est\u00e1 ocorrendo tamb\u00e9m no ensino superior privado no Brasil, com a entrada das grandes universidades privadas de ensino de massas?\u00a0<\/em><em>\u00a0Existe ainda espa\u00e7o para as pequenas faculadades familiares e personalizadas?\u00a0Veja abaixo o desabafo do diretor de uma pequena institui\u00e7\u00e3o familiar no interior Paulista.<\/em><\/p>\n<p>Escreve Robinson Ricci, diretor da <a href=\"http:\/\/www.esefap.edu.br\/\" target=\"_blank\">ESEFAP<\/a>:<\/p>\n<p>Dirijo uma pequena (tr\u00eas cursos) IES no interior de S\u00e3o Paulo, criada em 1970 por um grupo de jovens profissionais liberais, ent\u00e3o em torno de 35 anos. Estes foram, durante d\u00e9cadas, seus mantenedores\/diretores, at\u00e9 que a segunda gera\u00e7\u00e3o assumiu a dire\u00e7\u00e3o (2007).<\/p>\n<p>Como boa parte das pequenas IES, a que dirijo tem caracter\u00edstica societ\u00e1ria\/familiar &#8211; os s\u00f3cios n\u00e3o t\u00eam v\u00ednculo sangu\u00edneo, mas, como disse, mant\u00eam seus filhos na dire\u00e7\u00e3o atualmente. Assim tamb\u00e9m ocorre com as outras duas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior existentes na cidade. Tup\u00e3, ainda que no estado mais rico, est\u00e1 na segunda regi\u00e3o mais pobre de SP, a Alta Paulista, at\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo tratada pelo jornal O Estado de S\u00e3o Paulo como &#8220;Corredor da Fome&#8221;. H\u00e1 ainda um campus experimental da UNESP.<\/p>\n<p>Vivenciamos as tr\u00eas IES particulares atualmente crise sem precedentes, que, num\u00a0mea culpa\u00a0tacanho, poderia debitar sobre a incompet\u00eancia de seus dirigentes (com algumas poucas exce\u00e7\u00f5es), que insistem em manter, de certa forma, uma gest\u00e3o quase desconectada do cen\u00e1rio atual da Educa\u00e7\u00e3o particular brasileira, n\u00e3o fossem as avalia\u00e7\u00f5es do MEC. H\u00e1 diversos outros fatores que explicam esta crise, como a quest\u00e3o cultural no interior, em que o profissional docente n\u00e3o sente diariamente a cobran\u00e7a e a competi\u00e7\u00e3o como nas grandes cidades. Ou ainda o perfil dos corpos docentes &#8211; que muda lentamente &#8211; composto em sua maioria por t\u00e9cnicos e n\u00e3o educadores.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que poderia ser abordada \u00e9 a demogr\u00e1fica (diminui\u00e7\u00e3o no n\u00ba de filhos) e mesmo o perfil do alunato das IES particulares: trabalhador, de baixa renda familiar, com p\u00e9ssima forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e, ent\u00e3o, desacostumado a ler, a estudar. Uma \u00faltima justificativa seria a amplia\u00e7\u00e3o das ofertas de escolas t\u00e9cnicas e a absor\u00e7\u00e3o desses jovens pelo mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esta crise pesad\u00edssima e muito grave que vivencio hoje n\u00e3o parece ser apenas fruto de tudo isso, muito menos do perfil societ\u00e1rio-familiar das pequenas IES da regi\u00e3o, mesmo porque outras de maior porte, como universidades e centros universit\u00e1rios, que de alguma forma incrementaram a gest\u00e3o, hoje um tanto mais profissional, tamb\u00e9m sofrem com a capta\u00e7\u00e3o\/fideliza\u00e7\u00e3o de novos alunos e a alta inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9, professor, infelizmente, e apesar de nossos esfor\u00e7os (o curso de Enfermagem desta institui\u00e7\u00e3o, quando da avalia\u00e7\u00e3o de reconhecimento, em 2008, recebeu conceito \u00f3timo (5) ), estamos em um cen\u00e1rio devastador! N\u00e3o me importa discutir se o ensino, mesmo o superior, tamb\u00e9m deveria ser unicamente p\u00fablico, mas a real situa\u00e7\u00e3o das pequenas IES privadas e &#8211; ao menos parte de &#8211; seus dirigentes que um dia sonharam (e ainda insistem) em gerir sua institui\u00e7\u00e3o como um meio de transformar o ser humano (isso, apesar dos pesares, ainda tentamos) e, ent\u00e3o, a realidade da regi\u00e3o, a consci\u00eancia do cidad\u00e3o &#8211; de baix\u00edssima auto-estima, e de todos os profissionais e suas fam\u00edlias envolvidos, ou seja, sem demagogia, embora soe um hino piegas, nosso presente e nosso futuro.<\/p>\n<p>No gabinente docente, coloquei h\u00e1 alguns anos um quadro com foto de Cora Coralina e sua frase: &#8220;Feliz aquele que transmite o que sabe e aprende o que ensina&#8221;. \u00c9 triste ver os meios de comunica\u00e7\u00e3o discutindo a concentra\u00e7\u00e3o do ensino superior em cinco ou seis grupos, que por sinal, como temos observado, padronizam e achatam o ensino, continuam captando recursos na Bolsa, demitem centenas de docentes, divulgam parcialmente seus resultados nos exames nacionais, enquanto n\u00f3s, as pequenas IES, em grave crise, ningu\u00e9m discute. Afinal de contas, para que servem as pequenas IES, professor?<\/p>\n<p>Corremos o risco iminente de esquecer a poesia de Cora Coralina. E, sinceramente, n\u00e3o sei mais onde encontrar for\u00e7as para mudar este cen\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o \u00a0Walmart chega a uma pequena cidade, a popula\u00e7\u00e3o pode comprar produtos mais baratos e diferentes, mas muitos pequenos neg\u00f3cios fecham, e\u00a0muita gente perde seu emprego, ou tem que aceitar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que a grande empresa oferece. Para sobreviver, \u00e9 preciso oferecer um produto diferenciado, um servi\u00e7o mais pessoal e de melhor &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-chegada-da-walmart-no-ensino-superior\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A chegada das Walmart no ensino superior&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-2689","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-superior"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2689"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2697,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2689\/revisions\/2697"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}