{"id":2718,"date":"2012-02-09T11:20:26","date_gmt":"2012-02-09T14:20:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2718"},"modified":"2016-07-18T09:47:45","modified_gmt":"2016-07-18T12:47:45","slug":"oesp-desastre-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/oesp-desastre-na-educacao\/","title":{"rendered":"OESP: Desastre na Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>O jornal O Estado de S\u00e3o Paulo publica hoje, 9 de fevereiro, o editorial abaixo, sobre a situa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Desastre na Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com 3,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens fora da escola e padr\u00f5es de ensino muito ruins, o Brasil ter\u00e1 muita dificuldade para se manter entre as maiores e mais pr\u00f3speras economias, diante de competidores empenhados em investir seriamente em boa educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia. Para dezenas de milh\u00f5es de pessoas, o atraso educacional continuar\u00e1 limitando o acesso a empregos modernos e a padr\u00f5es de bem-estar compar\u00e1veis com aqueles alcan\u00e7ados h\u00e1 muito tempo nas sociedades mais desenvolvidas. Mesmo a cria\u00e7\u00e3o de vagas ser\u00e1 dificultada, porque as empresas perder\u00e3o espa\u00e7o &#8211; como j\u00e1 v\u00eam perdendo &#8211; para ind\u00fastrias mais eficientes, mais equipadas com tecnologia e operadas por pessoal qualificado. Oportunidades de emprego s\u00e3o oportunidades de bem-estar e de vida melhor para o trabalhador e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>M\u00e1s pol\u00edticas para a educa\u00e7\u00e3o p\u00f5em em risco esses valores e ainda condenam os indiv\u00edduos, por seu despreparo, a uma cidadania muito rudimentar. N\u00e3o h\u00e1 como evitar pensamentos pessimistas depois de conhecer o \u00faltimo relat\u00f3rio do movimento Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, divulgado nessa ter\u00e7a-feira. O relat\u00f3rio confirma, com dados assustadores, as piores avalia\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas educacionais seguidas nos \u00faltimos nove anos &#8211; marcadas por prioridades erradas e orientadas por interesses populistas. A partir de 2003 o governo federal deu \u00eanfase \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de faculdades e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao chamado ensino superior, negligenciando a forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica das crian\u00e7as e jovens e menosprezando a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. S\u00f3 recentemente as autoridades federais passaram a dar aten\u00e7\u00e3o ao ensino profissionalizante.<\/p>\n<p>Por muito tempo ficaram concentradas no alvo errado, enquanto os maiores problemas est\u00e3o nos n\u00edveis fundamental e m\u00e9dio. A progress\u00e3o dos estudantes j\u00e1 se afunila perigosamente antes do acesso \u00e0s faculdades. Segundo o relat\u00f3rio, em apenas 35 cidades &#8211; 0,6% do total &#8211; 50% ou mais dos estudantes t\u00eam conhecimentos matem\u00e1ticos adequados \u00e0 sua s\u00e9rie. No caso da l\u00edngua portuguesa, aqueles 50% ou mais foram encontrados em apenas 67 munic\u00edpios. Criada como entidade n\u00e3o governamental em 2006, a organiza\u00e7\u00e3o Todos pela Educa\u00e7\u00e3o definiu metas finais e intermedi\u00e1rias para o per\u00edodo at\u00e9 2022. Talvez fosse mais apropriado falar de &#8220;marcos desej\u00e1veis&#8221;, j\u00e1 que a fixa\u00e7\u00e3o de metas deve caber a quem disp\u00f5e dos instrumentos e dos poderes para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. O confronto dos dados efetivos com esses marcos &#8211; nenhum deles muito ambicioso &#8211; permite uma avalia\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os, em geral muito modestos, da atividade educacional brasileira. O quadro \u00e9 constrangedor.<\/p>\n<p>Em 2010, 80% ou mais das crian\u00e7as no final do terceiro ano fundamental deveriam dominar a leitura, a escrita e as opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas b\u00e1sicas. No caso da escrita, 53,3% alcan\u00e7aram o padr\u00e3o desejado. No da leitura, 56,1%. No da matem\u00e1tica, 42,8%. As porcentagens melhoram, em algumas s\u00e9ries mais altas, mas, em contrapartida, h\u00e1 um sens\u00edvel afunilamento. S\u00f3 50% dos jovens com at\u00e9 19 anos concluem o ensino m\u00e9dio. Destes, apenas 11% aprenderam o m\u00ednimo previsto de matem\u00e1tica. N\u00e3o tem muito sentido pr\u00e1tico alargar as portas de acesso \u00e0s faculdades, como fez o governo durante v\u00e1rios anos, quando poucos est\u00e3o preparados para enfrentar um bom ensino universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, neste momento, grandes perspectivas de melhora. Porque a legisla\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio continua desastrosa, como deixaram bem claro, em<a title=\"O CNE e o pesadelo do ensino m\u00e9dio\" href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2700\" target=\"_blank\"> artigo publicado no Estado de ontem, os especialistas Jo\u00e3o Batista A. Oliveira, Simon Schwartzman e Cl\u00e1udio de Moura Castro, <\/a>\u00a0analisando a Resolu\u00e7\u00e3o 2 do Conselho Nacional de Ensino, publicada em 30\/1\/2012, que &#8220;alarga o fosso que existe entre as elites brasileiras e o mundo das pessoas que dependem de suas decis\u00f5es&#8221;. Al\u00e9m disso, a vertente profissionalizante do ensino m\u00e9dio \u00e9 oferecida n\u00e3o como alternativa real, mas como um caminho mais trabalhoso, com adi\u00e7\u00e3o de 800 horas ao curr\u00edculo. Diante desse quadro, as inova\u00e7\u00f5es propostas pelo governo &#8211; como a distribui\u00e7\u00e3o de tablets aos professores &#8211; parecem piadas de mau gosto. Engenhocas podem ser muito \u00fateis, mas nenhuma pode produzir o milagre de tornar eficiente um sistema fundamentalmente mal concebido e orientado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal O Estado de S\u00e3o Paulo publica hoje, 9 de fevereiro, o editorial abaixo, sobre a situa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds: Desastre na Educa\u00e7\u00e3o Com 3,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens fora da escola e padr\u00f5es de ensino muito ruins, o Brasil ter\u00e1 muita dificuldade para se manter entre as maiores e mais pr\u00f3speras &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/oesp-desastre-na-educacao\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;OESP: Desastre na Educa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-2718","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2718"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2718\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5558,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2718\/revisions\/5558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}