{"id":2841,"date":"2012-03-20T11:57:25","date_gmt":"2012-03-20T14:57:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2841"},"modified":"2016-01-12T22:12:24","modified_gmt":"2016-01-13T01:12:24","slug":"o-wolf-report-sobre-o-ensino-profissional-na-inglaterra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-wolf-report-sobre-o-ensino-profissional-na-inglaterra\/","title":{"rendered":"O \u201cWolf Report\u201d sobre o ensino profissional na Inglaterra"},"content":{"rendered":"<p><script type='application\/json' class='__iawmlf-post-loop-links'>[{\"id\":502,\"href\":\"http:\\\/\\\/en.wikipedia.org\\\/wiki\\\/Goodhart's_law\",\"archived_href\":\"\",\"redirect_href\":\"https:\\\/\\\/en.wikipedia.org\\\/wiki\\\/Goodhart's_law\",\"checks\":[],\"broken\":false,\"last_checked\":null,\"process\":\"done\"}]<\/script>Alyson Wolf \u00e9 professora do King\u2019s College em Londres e autora, entre outros, de <em>Does Education Matter? Myths About Education and Economic Growth<\/em> (Penguin, 2002) aonde faz um ataque devastador ao complicado sistema de certifica\u00e7\u00f5es profissionais desenvolvido ao longo dos anos pela Inglaterra. Agora em 2012 o governo ingl\u00eas adotou oficialmente o relat\u00f3rio que ela coordenou sobre a educa\u00e7\u00e3o profissional (\u201cvocacional\u201d) na Inglaterra, propondo profundas mudan\u00e7as a partir de uma an\u00e1llise da situa\u00e7\u00e3o inglesa e de compara\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>A maior parte da discuss\u00e3o e das recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio s\u00e3o espec\u00edficas para o contexto ingl\u00eas, Mas, para quem conseguir superar o emaranhado infernal de siglas de institui\u00e7\u00f5es, certificados e qualifica\u00e7\u00f5es da Inglaterra, o Relat\u00f3rio traz an\u00e1lises e id\u00e9ias preciosas, que poderiam ser muito \u00fateis para a discuss\u00e3o brasileira que mal se inicia sobre este tema.<\/p>\n<p>Ainda que as propor\u00e7\u00f5es variem, todos os pa\u00edses enfrentam a situa\u00e7\u00e3o de que, por um lado, as credenciais e as qualifica\u00e7\u00f5es proporcionadas pela educa\u00e7\u00e3o mais acad\u00eamica s\u00e3o valorizadas pelas pessoas e pelo mercado de trabalho, mas, por outro lado, um n\u00famero significativo de jovens n\u00e3o consegue seguir o caminho tradicional que passa pela educa\u00e7\u00e3o geral no ensino m\u00e9dio e termina com a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A alternativa, adotada no passado pela Inglaterra e a maioria dos pa\u00edses europeus, era destinar a maior parte dos estudantes (geralmente de familias mais pobres e menos educadas) desde 12 ou 13 anos de idade, a cursos de forma\u00e7\u00e3o profissional e para o mercado de trabalho, reservando as carreiras mais acad\u00eamicas e a universidade para poucos.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o, mostra o relat\u00f3rio, est\u00e1 mudando, e precisa mudar rapidamente, por v\u00e1rias raz\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 justo definir o destino dos jovens t\u00e3o cedo na vida, colocando-os em cursos que os deixam sem op\u00e7\u00f5es para continuar avan\u00e7ando e se desenvolvendo. As familias percebem isto, e os cursos de forma\u00e7\u00e3o profissional s\u00e3o cada vez menos procurados. O mercado de trabalho tamb\u00e9m est\u00e1 mudando dramaticamente, sobretudo para os jovens. As antigas profiss\u00f5es artesanais est\u00e3o desaparecendo, compet\u00eancias gerais como o dom\u00ednio da l\u00edngua, da matem\u00e1tica e das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o cada vez mais importantes, e \u00e9 cada vez mais dificil para jovens de menos de 18 anos conseguir trabalho e adquirir experi\u00eancia pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa, no entanto, que todos devam seguir o mesmo programa de estudos, e que a forma\u00e7\u00e3o profissional deva ser abandonada ou colocada em segundo plano. O relat\u00f3rio mostra que se, por um lado, o complicado sistema de certifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias criado nas \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o produziu bons resultados, existem muitas experi\u00eancias de aprendizagem em empresas e escolas que combinam forma\u00e7\u00e3o geral e experi\u00eancia de trabalho pr\u00e1tico que d\u00e3o resultados excelentes e s\u00e3o muito valorizados no mercado de trabalho, as vezes mais do que a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria convencional.<\/p>\n<p>Um aspecto central do sistema ingl\u00eas \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o a que todos os estudantes s\u00e3o submetidos aos 16 anos, ou seja, ao final do que no Brasil seria a educa\u00e7\u00e3o fundamental, e quando obt\u00eam o GCSE, o Certificado Geral de Educa\u00e7\u00e3o Secund\u00e1ria. Aos 14 ou 15 anos os estudantes j\u00e1 come\u00e7am a escolher em que \u00e1reas pretendem ser avaliados (em ingl\u00eas, matem\u00e1tica ou ci\u00eancias, por exemplo), e os que est\u00e3o em programas de forma\u00e7\u00e3o profissional podem se concentrar nestas \u00e1reas. O relat\u00f3rio recomenda que as escolas neste n\u00edvel (o que eles chamam de <em>Key Stage 4)<\/em> tenham liberdade para oferecer as qualifica\u00e7\u00f5es que queiram, profissionais ou acad\u00eamicas, desde que fa\u00e7am parte de uma lista de \u00e1reas devidamente certificadas, e que tenham um conte\u00fado importante do ponto de vista da forma\u00e7\u00e3o dos estudantes. A partir da\u00ed, conforme os resultados do GCSE, os alunos come\u00e7am a buscar caminhos pr\u00f3prios e a se aprofundar nos temas de sua prefer\u00eancia, seja pela via academica (preparando-se para os \u201cA-Level\u201d aos 18-19 anos, para aceder \u00e0 universidade) seja para a vida profissional ou alguma combina\u00e7\u00e3o das duas coisas, com pelo menos\u00a0cinco caminhos alternativos principais .<\/p>\n<p>O problema principal com a educa\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 fazer com que ela n\u00e3o se transforme em um ritual sem significado para a forma\u00e7\u00e3o do estudante e para suas chances no mercado de trabalho, e n\u00e3o coloque o estudante em um beco sem sa\u00edda, aprendendo um of\u00edcio que pode se tornar obsoleto em pouco tempo. Aqui, como em seus trabalhos anteriores, Alyson Wolf critica a tend\u00eancia adotada na Inglaterra e muitos outros pa\u00edses de desenvolver sistemas detalhados de compet\u00eancias que seriam depois avaliadas por testes padronizados. A id\u00e9ia central \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o de uma pessoa n\u00e3o \u00e9 a simples agrega\u00e7\u00e3o de habilidades discretas e separadas, mas um processo integral. O que \u00e9 importante \u00e9 a experi\u00eancia real de trabalho, combinada com o aprofundamento e amplia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das compet\u00eancias no uso da l\u00edngua e da matem\u00e1tica. O ensino da l\u00edngua e da matem\u00e1tica n\u00e3o pode ser abandonado nem antes nem depois dos 16 anos, ainda que estudantes com n\u00edveis e interesses distintos possam fazer estes cursos em n\u00edveis diferentes.<\/p>\n<p>A outra caracteristica importante da forma\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 que ela seja feita com a participa\u00e7ao do setor empresarial, tanto quanto poss\u00edvel em sistemas de aprendizagem que funcionem em parceria com a educa\u00e7\u00e3o formal para o desenvolvimento das compet\u00eancias em linguagem e matem\u00e1tica. Fazer isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e duas linhas de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o sugeridas. A primeira \u00e9 dar apoio financeiro \u00e0s empresas que desenvolvam sistemas de aprendizagem e forma\u00e7\u00e3o profissional. Como estes aprendizes tamb\u00e9m trabalham nas empresas, e podem ser eventualmente contratados depois de formados, as empresas devem cobrir parte dos custos, mas ser tamb\u00e9m financiadas na propor\u00e7\u00e3o do trabalho formativo que realizam. A segunda \u00e9 modificar e fortalecer o sistema de certifica\u00e7\u00e3o das institui\u00e7oes e programas de ensino profissional e de aprendizagem, n\u00e3o pela soma das compet\u00eancias que proporcionam (o que estimula a acumula\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sem maior relev\u00e2ncia) mas pela qualidade da experi\u00eancia educativa e profissional que proporcionam. Esta certifica\u00e7\u00e3o precisa ser feita com a participa\u00e7\u00e3o ativa do setor empresarial, e n\u00e3o pode ser reduzir a sistemas simplistas de indicadores sint\u00e9ticos de qualidade que, como mostra a<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Goodhart's_law\" target=\"_blank\"> Lei de Goodhart<\/a>s, por defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o medem o que pretendem.<\/p>\n<p>O sistema ingles n\u00e3o pode nem deve ser copiado, mas temos muita coisa a aprender com seus erros e acertos. Entre os erros, evitar a especializa\u00e7\u00e3o precoce, a prolifera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica das \u201ccompeet\u00eancias\u201d e habilidades e de t\u00edtulos e certificados que nem eles mesmo entendem bem. Entre os acertos, permitir que os estudantes comecem a escolher seus caminhos aos 14 ou 15 anos, que em quase todo mundo correspondem ao \u201csecund\u00e1rio inferior\u201d mas no Brasil foram incorporados ao ensino fundamental; abrir muito mais o leque de alternativas de estudo e forma\u00e7\u00e3o profissional a partir dos 16 anos, no \u201csecund\u00e1rio superior\u201d, que \u00e9 nosso ensino m\u00e9dio; n\u00e3o abrir m\u00e3o da certifica\u00e7\u00e3o da qualidade dos cursos, dentro da voca\u00e7\u00e3o e interesse de cada um; estimular o setor privado a participar de forma ativa das atividades de educa\u00e7\u00e3o, dando aos estudantes experi\u00eancias concretas de trabalho profissional, sem abrir m\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua em l\u00edngua e matem\u00e1tica; valorizar ao m\u00e1ximo os sistemas de aprendizagem, em parceria com as escolas; estimular a exist\u00eancia de escolas de forma\u00e7\u00e3o profissional e especializada; e manter sempre aberta possibilidade de que as pessoas continuem a estudar e a se aperfei\u00e7oar, independentemente dos caminhos que seguiram, ou n\u00e3o seguiram, em sua educa\u00e7\u00e3o fundamental e m\u00e9dia.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alyson Wolf \u00e9 professora do King\u2019s College em Londres e autora, entre outros, de Does Education Matter? 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