{"id":2883,"date":"2012-04-10T07:07:42","date_gmt":"2012-04-10T10:07:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2883"},"modified":"2013-09-30T22:46:41","modified_gmt":"2013-10-01T01:46:41","slug":"osterio-os-desafios-da-educacao-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/osterio-os-desafios-da-educacao-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"OsteRio: os Desafios da Educa\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>Participei ontem, 9 de abril, do encontro semanal do OsteRio,\u00a0organizado por iniciativa do IETS, \u00a0\u00a0desta vez sobre os desafios da educa\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro. A estrela da noite foi Claudia Costin, Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio, que vem fazendo um trabalho extraordin\u00e1rio. Coube a mim dar o contexto e levantar algumas quest\u00f5es iniciais.<\/p>\n<p>As boas not\u00edcias: come\u00e7ando pela cidade, e mais recentemente no Estado como um todo, a educa\u00e7\u00e3o se despolitiza, existem indicadores de qualidade que s\u00e3o acompanhados, existem programas para lidar com problemas espec\u00edficos como analfabetismo funcional e escolas em \u00e1reas de risco, programas de incentivo ao desempenho, etc. Existem tamb\u00e9m experi\u00eancias pedag\u00f3gicas inovadoras, como o gin\u00e1sio carioca, a educop\u00e9dia, e o esfor\u00e7o de trazer para a educa\u00e7\u00e3o a contribui\u00e7\u00e3o da sociedade civil em suas diferentes formas. Existe tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente em ampliar e melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>No entanto, ainda existem muitos problemas a resolver. Alguns dados para entender o quadro: Em 2010 havia 810 mil estudantes no ensino fundamental no Rio de Janeiro, 541 mil na rede municipal e 235 mil em escolas privadas. Havia tamb\u00e9m 255 mil estudantes de ensino m\u00e9dio, dos quais 193 mil na rede estadual e nenhum na rede municipal. Isto significa que, por melhor que seja, a secretaria municipal s\u00f3 lida com uma parte da popula\u00e7\u00e3o estudantil. Mas s\u00e3o mais de 500 mil estudantes em mais de mil escolas, a maior rede municipal do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As taxas de conclus\u00e3o do ensino fundamental (16 anos) e m\u00e9dio (19) para o estado s\u00e3o de 65.5% e 54.1% respectivamente. Isto significa que quase metade dos jovens conclui tardiamente ou n\u00e3o conclui o ensino fundamental e m\u00e9dio. Os n\u00edveis de desempenho medidos pela Prova Brasil continuam muito ruins. Pela avalia\u00e7\u00e3o do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, que se utiliza de dados da Prova Brasil de 2009, na quarta s\u00e9rie\/ 5 ano, s\u00f3 35% dos alunos t\u00eam desempenho satisfat\u00f3rio em portugu\u00eas, e s\u00f3 31% em matem\u00e1tica. Na 8a s\u00e9rie\/ 9 ano, 25 e 11%; ao final do n\u00edvel m\u00e9dio, 18% e 5%. De l\u00e1 para c\u00e1, existem melhoras na 4a s\u00e9rie \/ 5 ano, mas n\u00e3o depois disto.<\/p>\n<p>A pergunta que se coloca \u00e9 se as iniciativas hora em curso v\u00e3o permitir que esta situa\u00e7\u00e3o possa melhorar de maneira muito significativa nos pr\u00f3ximos anos. As proje\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas que muitas vezes se \u00a0utilizam parecem sugerir que as coisas ir\u00e3o melhorando sempre, mas o que se v\u00ea \u00e9 que, mesmo quando existe alguma melhora nos primeiros anos, estes resultados se desfazem ao longo do tempo, como mostram os dados desastrosos da avalia\u00e7\u00e3o do final do ensino m\u00e9dio. Este \u00e9 o &#8220;teto de vidro&#8221; que precisa ser rompido com pol\u00edticas muito mais amplas e profundas do que as que v\u00eam sendo implementadas.<\/p>\n<p>Alguns pontos para considerar:<\/p>\n<p>&#8211; O peso do fator escola vs o peso das condi\u00e7\u00f5es sociais dos estudantes. Existe clara evidencia, em todo o mundo, de que o papel da escola \u00e9 limitado quando comparado com o papel do ambiente familiar e das condi\u00e7\u00f5es sociais dos estudantes nos resultados da aprendizagem. Mas se sabe tamb\u00e9m que boas escolas podem compensar, at\u00e9 certo ponto, estas limita\u00e7\u00f5es. Uma consequ\u00eancia deste fato \u00e9 que n\u00e3o se pode esperar que todos os estudantes sigam o mesmo programa de estudos, deve haver atendimento especial e programas diferenciados para estudantes que chegam com mais dificuldades e limita\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, a escola n\u00e3o pode separar e discriminar os estudantes em fun\u00e7\u00e3o de suas condi\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>&#8211; A Educa\u00e7\u00e3o infantil. O impacto das condi\u00e7\u00f5es sociais e familiares se d\u00e1 sobretudo nos primeiros anos, e isto tem justificado a expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil e pr\u00e9-escolar. No entanto, sabe-se que, sobretudo nos primeiros anos, nada substitui o relacionamento afetivo dos filhos com os pais, que as creches e pr\u00e9-escolas precisam ter qualidade para terem o efeito pedag\u00f3gico adequado, e que, mesmo nos melhores casos, os efeitos ben\u00e9ficos da pr\u00e9-escola podem se diluir se a qualidade da educa\u00e7\u00e3o subsequente n\u00e3o \u00e9 boa. A d\u00favida que se coloca \u00e9 na expans\u00e3o acelerada da educa\u00e7\u00e3o infantil, sem cuidar de sua qualidade, n\u00e3o esta trazendo mais problemas do que benef\u00edcios, ao criar problemas de institucionaliza\u00e7\u00e3o precoce e retirar recursos da educa\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p>&#8211; Os problemas de atraso e abandono escolar tem sido tratados com os programas de acelera\u00e7\u00e3o da aprendizagem e com a chamada \u201cEJA\u201d, a educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. Os programas de acelera\u00e7\u00e3o, ao dar um apoio adicional a estudantes atrasados, s\u00e3o valiosos; existem muito mais d\u00favidas sobre o EJA, que em muitos casos n\u00e3o passam de um mecanismo abreviado para as pessoas obterem um certificado escolar sem aprenderem de fato os conte\u00fados esperados.<\/p>\n<p>&#8211; Sobretudo a partir do final do ensino fundamental, aos 13-14 anos, j\u00e1 se coloca a necessidade de se oferecer aos estudantes um leque de op\u00e7\u00f5es que lhes permita avan\u00e7ar nas \u00e1reas e temas aonde t\u00eam mais interesse e condi\u00e7\u00f5es de seguir estudando. Uma parte importante destas op\u00e7\u00f5es seria a da forma\u00e7\u00e3o profissional. N\u00e3o se trata somente de dar flexibilidade aos cursos, como recente parecer do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o prop\u00f5e, mas de criar possibilidades reais de caminhos alternativos. Isto implica mexer com os curr\u00edculos, com a legisla\u00e7\u00e3o, e, no caso do ensino profissional, em parcerias efetivas entre o sistema educativo e o setor produtivo, proporcionando est\u00e1gios e criando sistemas organizados de aprendizagem. Existem experi\u00eancias isoladas em rela\u00e7\u00e3o a isto, mas ainda estamos longe de um sistema robusto de forma\u00e7\u00e3o profissional que ofere\u00e7a alternativas verdadeiras para os estudantes.<\/p>\n<p>&#8211; Existem problemas s\u00e9rios de curr\u00edculo que precisariam ser enfrentados. A \u00eanfase crescente em l\u00edngua e matem\u00e1tica \u00e9 correta e a precisa ser aprofundada; por outro lado, faltam temas importantes como economia e direito, e sobram outros de relev\u00e2ncia duvidosa, sobretudo quando mal ensinados.<\/p>\n<p>&#8211; Avan\u00e7amos muito pouco na quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de professores e cria\u00e7\u00e3o de uma profiss\u00e3o docente de qualidade. Do lado das redes escolares, isto tem a ver com criar carreiras aonde se incentiva o m\u00e9rito e a dedica\u00e7\u00e3o; mas tem a ver tamb\u00e9m com a cria\u00e7\u00e3o de pontes mais efetivas entre as redes de ensino e o sistema de forma\u00e7\u00e3o de professores nas universidades. A evidencia internacional em rela\u00e7\u00e3o a isto \u00e9 clara, nenhum sistema escolar \u00e9 melhor do que a qualidade de seus professores, e esta \u00e9 uma prioridade clara, que precisa ser tratada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participei ontem, 9 de abril, do encontro semanal do OsteRio,\u00a0organizado por iniciativa do IETS, \u00a0\u00a0desta vez sobre os desafios da educa\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro. 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