{"id":2888,"date":"2012-04-11T22:17:45","date_gmt":"2012-04-12T01:17:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=2888"},"modified":"2015-11-25T21:02:22","modified_gmt":"2015-11-26T00:02:22","slug":"cem-mil-bolsas-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/cem-mil-bolsas-no-exterior\/","title":{"rendered":"Cem mil bolsas no exterior"},"content":{"rendered":"<p>O programa &#8220;Ci\u00eancia sem Fronteiras&#8221;, pelo qual o governo brasileiro anunciou a inten\u00e7\u00e3o de dar cem mil bolsas para estudos no exterior ao longo de 4 anos, vem provocando muito interesse, mas tamb\u00e9m muitas d\u00favidas. Vale a pena este esfor\u00e7o? \u00a0Ser\u00e1 que vai dar certo?<\/p>\n<p>A revista Interesse Nacional, em seu n\u00famero de abril\/junho de 2012, publica um artigo assinado por Claudio de Moura Castro, Helio Barros, James-Ito Adler e mim aonde tratamos de reunir as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre o programa e discutir seus diferentes aspectos (<a href=\"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/simon\/cemmil.pdf\" target=\"_blank\">o texto integral pode ser baixado aqui<\/a>). \u00a0Ao final, concluimos que \u00a0&#8221; tanto pelo seu tamanho como por sua orienta\u00e7\u00e3o, o programa Ci\u00eancia sem Fronteiras pode significar uma virada importante para a educa\u00e7\u00e3o superior e a ci\u00eancia e tecnologia do pa\u00eds. Ele rompe com um certo provincianismo que parecia ter se acentuado no setor nos \u00faltimos anos e confirma a voca\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em ter uma participa\u00e7\u00e3o cada vez maior, mais competente e mais competitiva no mundo atual, onde os conhecimentos de alto n\u00edvel s\u00e3o o fator mais escasso. Enfatiza tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, profissional e cient\u00edfica, ao lado da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica mais tradicional.<\/p>\n<p>O fato de ser um programa implantado \u201cde cima para baixo\u201d, pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ao mesmo tempo em que lhe d\u00e1 for\u00e7a e visibilidade, traz tamb\u00e9m riscos importantes. Decis\u00f5es de alto n\u00edvel e negocia\u00e7\u00f5es intergovernamentais s\u00f3 s\u00e3o bem sucedidos quando se institucionalizam em ag\u00eancias capazes de acumular experi\u00eancias ao longo do tempo e contar com o apoio e a participa\u00e7\u00e3o dos setores da sociedade com os quais trabalham. A hist\u00f3ria da CAPES e do CNPq mostra que sabem como trabalhar de forma individualizada com professores universit\u00e1rios de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e cientistas, mas sabem muito menos como operar em grande escala e trabalhar com o setor empresarial e com cursos de forma\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>Falta muito por esclarecer sobre como ser\u00e1 a parte propriamente empresarial do programa, respons\u00e1vel por um quarto das bolsas previstas. As institui\u00e7\u00f5es que aparecem at\u00e9 agora como financiadoras podem ter, simplesmente, respondido a um apelo presidencial ao qual n\u00e3o poderiam se furtar. Mas falta que se envolvam no processo de sele\u00e7\u00e3o de bolsistas e no estabelecimento de parcerias com outras empresas no exterior. Visto em seu conjunto, o programa Brasil sem Fronteiras parece ter seu resultado assegurado na linha mais tradicional, de amplia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de alto n\u00edvel no exterior. N\u00e3o obstante h\u00e1 d\u00favidas, cada vez maiores na medida em que nos afastamos deste n\u00facleo duro e entramos nas \u00e1reas priorit\u00e1rias, mas mais incertas, dos est\u00e1gios de curta dura\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional. \u00c9, sobretudo, nestas \u00e1reas que o programa precisa se fortalecer.<\/p>\n<p>Finalmente, embora o aumento de recursos para a fixa\u00e7\u00e3o de jovens talentos e de professores visitantes estrangeiros seja um passo no bom sentido, ainda existe muito a ser feito para tornar o Brasil um pa\u00eds realmente atrativo para estudantes, professores e pesquisadores internacionais que possam trazer para o pa\u00eds suas experi\u00eancias, culturas e contribui\u00e7\u00e3o. As melhores universidades brasileiras n\u00e3o est\u00e3o preparadas e nem t\u00eam estimulos para receber estudantes internacionais. Os concursos, estritamente tradicionais, para professores, os n\u00edveis salariais definidos burocraticamente e a rigidez do servi\u00e7o p\u00fablico limitam fortemente, embora n\u00e3o impe\u00e7am totalmente, que as universidades brasileiras compitam internacionalmente pelos melhores talentos. Para que a ci\u00eancia brasileira se torne realmente sem fronteiras, \u00e9 preciso que desbravem novos caminhos, em todas as dire\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O programa &#8220;Ci\u00eancia sem Fronteiras&#8221;, pelo qual o governo brasileiro anunciou a inten\u00e7\u00e3o de dar cem mil bolsas para estudos no exterior ao longo de 4 anos, vem provocando muito interesse, mas tamb\u00e9m muitas d\u00favidas. Vale a pena este esfor\u00e7o? \u00a0Ser\u00e1 que vai dar certo? 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