{"id":33,"date":"2005-09-22T11:32:00","date_gmt":"2005-09-22T14:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=33"},"modified":"2008-08-03T13:10:46","modified_gmt":"2008-08-03T16:10:46","slug":"o-negocio-dos-cerebros-e-o-assalto-ao-trem-pagador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-negocio-dos-cerebros-e-o-assalto-ao-trem-pagador\/","title":{"rendered":"O neg\u00f3cio dos cerebros, e o assalto ao trem pagador"},"content":{"rendered":"<p>Imperd\u00edvel o survey sobre Educa\u00e7\u00e3o superior no mundo publicado pela revista The <span style=\"font-style:italic;\">Economist<\/span> de 10 de setembro, com o subt\u00edtulo de <span style=\"font-style:italic;\">The Brain Business,<\/span> sobretudo para quem quiser entender a enorme dist\u00e2ncia que separa o que est\u00e1 ocorrendo no mundo do projeto de \u201creforma\u201d proposto pelo nosso Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem quatro tend\u00eancias que est\u00e3o transformando a educa\u00e7\u00e3o superior em toda parte \u2013 massifica\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o da economia do conhecimento, a globaliza\u00e7\u00e3o e a competi\u00e7\u00e3o entre as universidades.  Tudo isto torna o ensino superior mais desejado, mais necess\u00e1rio, mais importante e mais caro. Nem tudo s\u00e3o flores. O pior dos mundos \u00e9 quando o Estado mant\u00e9m o ensino superior sob tutela, e n\u00e3o lhe d\u00e1 os recursos necess\u00e1rios. O melhor dos mundos (e, vindo da <span style=\"font-style:italic;\">The Economist<\/span>, n\u00e3o \u00e9 surpresa) \u00e9 quando o sistema \u00e9 desregulado, aumenta a competi\u00e7\u00e3o, e as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam liberdade de buscar seus pr\u00f3prios recursos. Os exemplos positivos s\u00e3o os Estados Unidos e a China; os exemplos negativos, a maioria dos estados europeus, simbolizados pela decadente Universidade de Humboldt. E a grande novidade \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma nova liga de universidades globais, que trabalham na fronteira do conhecimento.  O survey termina com dois conselhos, tanto para paises que est\u00e3o querendo desenvolver seus sistemas de ensino superior, como a \u00cdndia  e a China (o Brasil n\u00e3o merece muita aten\u00e7\u00e3o) quanto para os que tem que lidar com sistemas decadentes, como a Alemanha: diversifiquem suas fontes de financiamento, e deixem que mil flores flores\u00e7am. O pacto com o Estado, que antes mantinha as universidades funcionando, transformou-se em um pacto com o diabo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, consegui finalmente uma copia de <span style=\"font-style:italic;\">Education and jobs: the Great Training Robbery<\/span>,  de Ivar Berg, editado em 1971 (Center for Urban Education, Beacon Press), que estava procurando sobretudo por que havia gostado do t\u00edtulo. \u00c9 uma critica equilibrada e muito bem feita \u00e0 teoria do capital humano, que me parece muito necess\u00e1ria. A quest\u00e3o \u00e9 se o aumento observado de rendimentos associados \u00e0 posse de diplomas \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia das compet\u00eancias que estes diplomas refletem, ou de outras coisas como credenciais e posi\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio associadas aos t\u00edtulos. A resposta razo\u00e1vel \u00e9 que depende, mas n\u00e3o se pode continuar supondo, sem maiores qualifica\u00e7\u00f5es, que anos de escolaridade, ou diplomas, s\u00e3o a mesma coisa que conhecimento e compet\u00eancia. O termo \u201cind\u00fastria do conhecimento\u201d  e \u201cneg\u00f3cio de c\u00e9rebros\u201d ainda n\u00e3o estava em moda quando este pequeno livro foi escrito 35 anos atr\u00e1s, mas a tend\u00eancia ao crescimento ilimitado dos sistemas de ensino, justificada, sem avalia\u00e7\u00e3o mais cuidadosa, pelo aumento de produtividade que eles gerariam, j\u00e1 ocorria de forma clara, consumindo um volume cada vez maior de recursos p\u00fablicos e privados. O livro de Berg faz parte da corrente minorit\u00e1ria de estudiosos que n\u00e3o compram a teoria do capital humano na sua forma mais crua, e que inclue a Alison Wolf (<span style=\"font-style:italic;\">Does education matter? Miths about education and economic growth<\/span>,  Penguin, 2002)  e Randall Collins (<span style=\"font-style:italic;\">The Credential Society<\/span>, Academic Press, 1979).  Se os benef\u00edcios privados da educa\u00e7\u00e3o tem sido grandes, mas a rela\u00e7\u00e3o entre estes ganhos privados e os benef\u00edcios p\u00fablicos \u00e9 incerta, ent\u00e3o a justificativa para o subs\u00eddio p\u00fablico indiscriminado \u00e0 expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior fica abalada, assim como para a regula\u00e7\u00e3o detalhada dos t\u00edtulos e das profiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O survey da <span style=\"font-style:italic;\">The Economist <\/span> est\u00e1 totalmente na linha da teoria do capital humano, e n\u00e3o toma em considera\u00e7\u00e3o o problema da educa\u00e7\u00e3o de m\u00e1 qualidade, que floresce quando as credenciais predominam sobre os conte\u00fados, a n\u00e3o ser como fen\u00f4menos espor\u00e1dicos de \u201ccorrup\u00e7\u00e3o\u201d.  Mas a conclus\u00e3o, sobre a necessidade de abrir mais os sistemas educacionais e reduzir sua regulamenta\u00e7\u00e3o e controle por parte do Estado, vale nos dois casos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imperd\u00edvel o survey sobre Educa\u00e7\u00e3o superior no mundo publicado pela revista The Economist de 10 de setembro, com o subt\u00edtulo de The Brain Business, sobretudo para quem quiser entender a enorme dist\u00e2ncia que separa o que est\u00e1 ocorrendo no mundo do projeto de \u201creforma\u201d proposto pelo nosso Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. 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