{"id":39,"date":"2005-11-08T10:07:00","date_gmt":"2005-11-08T13:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=39"},"modified":"2008-08-03T18:20:39","modified_gmt":"2008-08-03T21:20:39","slug":"autonomia-universitaria-la-e-ca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/autonomia-universitaria-la-e-ca\/","title":{"rendered":"Autonomia Universit\u00e1ria, l\u00e1 e c\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o Columbus \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que re\u00fane reitores da Europa e da Am\u00e9rica Latina, e este ano, para sua reuni\u00e3o em Lisboa, convidaram a mim e outras pessoas para fazer apresenta\u00e7\u00f5es e discutir a quest\u00e3o da autonomia universit\u00e1ria. A maioria dos reitores presentes eram de Portugal, Espanha e Brasil; os apresentadores eram Christine Musselin, do CNRS na Fran\u00e7a; Michael Shattock, antes da Universidade de Warwick, e hoje no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o em Londres; e Jos\u00e9 Gines Mora, do Centro de Estudos em Gest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior da Universidade Polit\u00e9cnica de Valencia.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se centrou no tema da \u201cprivatiza\u00e7\u00e3o\u201d, mas todos partiram do suposto de que o setor p\u00fablico j\u00e1 n\u00e3o tem como ser mais o \u00fanico provedor de recursos para as universidades, e quando este recurso existe, ele j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais transferido de forma autom\u00e1tica e desvinculada de resultados que precisam ser explicitados e avaliados.<\/p>\n<p>Na minha apresenta\u00e7\u00e3o, lembrei a hist\u00f3ria do Movimento da Reforma Universit\u00e1ria de C\u00f3rdoba de 1918, que se espalhou por toda a Am\u00e9rica Latina a partir da\u00ed, difundindo uma no\u00e7\u00e3o peculiar de autonomia acad\u00eamica, baseada no poder dos estudantes, no governo tripartite, nos processos de decis\u00e3o tomados em assembl\u00e9ia, no princ\u00edpio da extra-territorialidade, e na livre admiss\u00e3o de estudantes. Argumentei, essencialmente, que este modelo pode ter tido sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, criando um espa\u00e7o para a livre manifesta\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias e forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as pol\u00edticas na regi\u00e3o, mas n\u00e3o produziu uma boa universidade, e a autonomia que se busca hoje n\u00e3o pode ser a mesma de 100 anos atr\u00e1s. Christine Musselin falou da experi\u00eancia francesa de contratos de quatro anos entre governos e universidades, e mostrou como \u00e9 poss\u00edvel estabelecer um novo tipo de pacto entre governos e universidades pelo qual o governo n\u00e3o renuncia a sua responsabilidade de definir prioridades, e as universidades tamb\u00e9m ganham no processo. A autonomia universit\u00e1ria, argumenta ela, n\u00e3o precisa ser vista como um jogo de soma zero, em que, ou ganha um lado, ou ganha o outro, mas ambos podem ganhar. Gin\u00e9s Mora tamb\u00e9m falou sobre o novo tipo de pacto entre o setor p\u00fablico e as universidades, em que as institui\u00e7\u00f5es devem dar conta do uso dos recursos que usam, e, em troca, t\u00eam muito mais autonomia para gerir seus recursos, sejam de origem p\u00fablica, sejam de origem privada. Michael Shattock, finalmente, fez uma discuss\u00e3o aprofundada dos processos de gerenciamento das novas universidades, argumentando que elas precisam de lideran\u00e7as fortes e uma vis\u00e3o de longo prazo a ser atingida, e n\u00e3o de um plano detalhado de funcionamento, como se fossem empresas.<\/p>\n<p>O que me chamou mais a aten\u00e7\u00e3o foi a resist\u00eancia que muitos reitores, sobretudo da Am\u00e9rica Latina e da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, mostraram a estas id\u00e9ias. Um reitor da Venezuela disse que, para ele, a autonomia que ele precisa \u00e9 ainda a de C\u00f3rdoba, para defender sua institui\u00e7\u00e3o da manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos aliados de Ch\u00e1vez. O reitor da Universidade de Lisboa disse que, por detr\u00e1s das quest\u00f5es de autonomia, avalia\u00e7\u00e3o, e participa\u00e7\u00e3o do setor privado, havia uma conspira\u00e7\u00e3o para domesticar a intelig\u00eancia e o pensamento critico das universidades. Uma reitora brasileira disse que contratar dirigentes universit\u00e1rios de fora da institui\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de comit\u00eas de busca, como ocorre nos Estados Unidos e outros pa\u00edses, poderia funcionar l\u00e1 fora, mas nunca no Brasil, aonde a cultura era diferente.<\/p>\n<p>Fiquei com a impress\u00e3o de que o abismo entre a universidades hispano-americanas e as do resto do mundo \u2013 n\u00e3o s\u00f3 dos Estados Unidos e Europa Ocidental, mas tamb\u00e9m da \u00c1sia e da Europa Oriental \u2013 est\u00e1 crescendo cada vez mais.  Nestes dias, o Times Higher Education Supplement publicou sua nova lista das 200 melhores universidades do mundo. L\u00e1 na lanterninha aparecem duas universidades latinoamericanas, a Universidade Nacional do M\u00e9xico e a USP. E s\u00f3.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o Columbus \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que re\u00fane reitores da Europa e da Am\u00e9rica Latina, e este ano, para sua reuni\u00e3o em Lisboa, convidaram a mim e outras pessoas para fazer apresenta\u00e7\u00f5es e discutir a quest\u00e3o da autonomia universit\u00e1ria. 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