{"id":4105,"date":"2012-10-16T21:48:13","date_gmt":"2012-10-17T00:48:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4105"},"modified":"2018-05-24T07:13:05","modified_gmt":"2018-05-24T10:13:05","slug":"andres-bernasconi-os-rankings-internacionais-sao-injustos-com-as-universidades-latino-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/andres-bernasconi-os-rankings-internacionais-sao-injustos-com-as-universidades-latino-americanas\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9s Bernasconi: os rankings internacionais s\u00e3o injustos com as universidades latino-americanas?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Andr\u00e9s Bernasconi, professor da Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica do Chile, publicou no blog &#8220;Inside Higher Education &#8211; The World View&#8221; um coment\u00e1rio sobre os lament\u00e1veis resultados das universidades latino-americanas nos rankings internacionais, cujo <a href=\"http:\/\/www.insidehighered.com\/blogs\/world-view\/are-global-rankings-unfair-latin-american-universities\" target=\"_blank\">texto original est\u00e1 dispon\u00edvel aqui.<\/a>\u00a0Coloco abaixo minha tradu\u00e7\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p><strong>Os rankings internacionais s\u00e3o injustos com as universidades latinoamericanas?<\/strong><\/p>\n<p>Andr\u00e9s Bernasconi<\/p>\n<p>A temporada dos rankings \u00e9 um tempo de m\u00e1s not\u00edcias para as universidades latino-americanas. Na sua vers\u00e3o mais recente (3 de outubro), o <a href=\"http:\/\/www.timeshighereducation.co.uk\/world-university-rankings\/\" target=\"_blank\"><em>Times Higher Education World University Ranking<\/em><\/a> n\u00e3o colocou nenhuma universidade da Am\u00e9rica Latina no grupo dos 100 melhores, e apenas quatro entre todo o elenco de 400.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 errado com a gente? Como Andr\u00e9s Oppenheimer, o jornalista argentino e editor de Am\u00e9rica Latina do Miami Herald observou, o Brasil \u00e9 a sexta e o M\u00e9xico a 14a economia do mundo, o que deveria significar alguma coisa em termos da possibilidade de apoiar institui\u00e7\u00f5es de ensino superior de boa qualidade. Claro, algumas das universidades da Uni\u00e3o Europeia e da Ivy League americana s\u00e3o muito antigas, e isto ajuda na reputa\u00e7\u00e3o, uma das vari\u00e1veis de maior peso neste ranking, mas algumas das mais antigas institui\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m datam dos s\u00e9culos XVI e XVII. Al\u00e9m disso, as universidades que tem mais avan\u00e7ado nos rankings, na maior parte localizadas na Cor\u00e9ia, Cingapura, Taiwan e China, s\u00e3o bastante novas, e a juventude n\u00e3o parece ser um problema para elas.<\/p>\n<p>Em estilo bem latino-americano, muitos l\u00edderes universit\u00e1rios nesta parte do mundo preferem matar o mensageiro, lan\u00e7am a suspeita de que existe uma conspira\u00e7\u00e3o global contra a regi\u00e3o, e buscam ref\u00fagio em um universo paralelo. Assim, um grupo se reuniu no M\u00e9xico em maio, com apoio da UNESCO, e denunciou os rankings globais como medidas inv\u00e1lidas de qualidade, criticou a tendenciosidade \u201canglo-sax\u00e3\u201d das avalia\u00e7\u00f5es e proclamou que, dado que as universidades nesta parte do mundo s\u00e3o diferentes, \u00e9 necess\u00e1rio criar novos rankings que reflitam a miss\u00e3o &#8220;social&#8221; das universidades na Am\u00e9rica Latina, um conceito obscuro para descrever o que as universidades fazem que n\u00e3o \u00e9 pesquisa, nem ensino, nem transfer\u00eancia de resultados de pesquisa, e nenhuma das outras fun\u00e7\u00f5es associadas \u00e0s universidades como uma institui\u00e7\u00e3o em outras partes do mundo.<\/p>\n<p>Um grupo de interesse liderado por universidades nacionais como a Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, a Universidade de Buenos Aires, a Universidade Nacional de Col\u00f4mbia, e a Universidade de Chile (precisamente aquelas que deveriam estar muito melhor nos rankings se seu desempenho cient\u00edfico estivesse \u00e0 altura da bela imagem que t\u00eam de si mesmas) vai muito provavelmente continuar a dar as costas ao que os rankings internacionais mostram de forma consistente: que a educa\u00e7\u00e3o superior da Am\u00e9rica Latina permanece na periferia da busca moderna pelo conhecimento, mais um espectador que um ator.<\/p>\n<p>Se, no entanto, os l\u00edderes universit\u00e1rios decidissem considerar a possibilidade de que os rankings t\u00eam algo de verdadeiro, aqui est\u00e3o algumas hip\u00f3tese do que pode estar errado com as universidades da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Primeiro e mais importante: o corpo docente. N\u00e3o seu n\u00famero, nem sua voca\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 universidade, nem a qualidade do seu ensino. O problema \u00e9 sua falta de qualifica\u00e7\u00e3o para o que no resto do mundo se entende por pesquisa cient\u00edfica leg\u00edtima, sua capacidade limitada para usar o ingl\u00eas para acessar \u00e0s principais correntes de conhecimento mundiais e os sal\u00e1rios insustentavelmente baixos. Na maioria das melhores universidades da Am\u00e9rica Latina (com exce\u00e7\u00e3o de cerca 20 das melhores do Brasil) o n\u00famero de pessoal docente com doutorado continua a ser uma minoria e a flu\u00eancia em outros idiomas al\u00e9m do espanhol e portugu\u00eas ainda \u00e9 excepcional. H\u00e1 muitas raz\u00f5es perfeitamente compreens\u00edveis para isso, mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver pesquisa internacionalmente competitiva feita por professores que n\u00e3o foram treinados para pesquisar (incluindo neste grupo muitos que obtiveram seu doutorado j\u00e1 no meio ou ao final de suas carreiras, em programas med\u00edocres), ou de acad\u00eamicos cuja base de conhecimento se limita ao que \u00e9 publicado em espanhol ou portugu\u00eas; e tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esperar bons resultados quando os sal\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o baixos que os professores, ainda que nominalmente em tempo integral, precisam trabalhar em dois ou tr\u00eas lugares para ter uma vida decente, como ocorre em quase todos os lugares exceto em algumas poucas universidades na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O segundo obst\u00e1culo \u00e9 a governan\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es e as pol\u00edticas implementadas pelos sistemas nacionais de educa\u00e7\u00e3o superior. A autonomia universit\u00e1ria, objeto de apego quase religioso na Am\u00e9rica Latina, durante d\u00e9cadas serviu \u00e0 nobre fun\u00e7\u00e3o de manter governos corruptos, incompetentes e autocr\u00e1ticos fora das universidades. Infelizmente, em alguns pa\u00edses, isto continua sendo necess\u00e1rio. Mas na maior parte da regi\u00e3o existem democracias est\u00e1veis com lideran\u00e7as razo\u00e1veis que est\u00e3o consolidando espa\u00e7os de di\u00e1logo onde as universidades podem desenvolver pol\u00edticas em parceria com os governantes, em vez de bater a porta da autonomia em sua cara. Por que isso \u00e9 importante? Porque a maioria das universidades latino-americanas, especialmente no setor p\u00fablico, n\u00e3o tem a vontade pol\u00edtica de se reformar, e precisam trabalhar com seus governos (como ocorre cada vez mais com as universidades na Europa, Austr\u00e1lia e \u00c1sia) para encontrar mecanismos para renovar os quadros acad\u00eamicos, investir mais dinheiro em pesquisa para aqueles que podem us\u00e1-lo de forma produtiva, reformar as estruturas de carreira e tabelas salariais, criar capacidade de tomada de decis\u00e3o e planejamento de longo prazo, reduzir o incha\u00e7o da administra\u00e7\u00e3o e transferir recursos dentro das universidades e entre institui\u00e7\u00f5es no sistema universit\u00e1rio, para onde possam ser mais \u00fateis e necess\u00e1rios, para citar somente algumas das corre\u00e7\u00f5es t\u00e3o necess\u00e1rias que precisam ser feitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Andr\u00e9s Bernasconi, professor da Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica do Chile, publicou no blog &#8220;Inside Higher Education &#8211; The World View&#8221; um coment\u00e1rio sobre os lament\u00e1veis resultados das universidades latino-americanas nos rankings internacionais, cujo texto original est\u00e1 dispon\u00edvel aqui.\u00a0Coloco abaixo minha tradu\u00e7\u00e3o: Os rankings internacionais s\u00e3o injustos com as universidades latinoamericanas? 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