{"id":4281,"date":"2012-11-12T10:10:08","date_gmt":"2012-11-12T13:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4281"},"modified":"2012-11-12T13:24:46","modified_gmt":"2012-11-12T16:24:46","slug":"a-profissao-de-historiador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-profissao-de-historiador\/","title":{"rendered":"A profiss\u00e3o de Historiador"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/historia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-4282\" title=\"historia\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/historia-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/historia-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/historia-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/historia.jpg 1085w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 85vw, 430px\" \/><\/a>Respondendo a uma mat\u00e9ria do jornal Folha de S\u00e3o\u00a0Paulo sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de historiador pelo Senado Federal, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria, Benito Bisso Schmidt, esclarece que &#8220;em nenhum momento este projeto veda que pessoas com outras forma\u00e7\u00f5es, ou sem forma\u00e7\u00e3o alguma, escrevam sobre o passado e elaborem narrativas hist\u00f3ricas. Apenas estabelece que as institui\u00e7\u00f5es onde se realiza o ensino e a pesquisa de Hist\u00f3ria contem com historiadores profissionais em seus quadros&#8221;. E acrescenta: &#8220;Da mesma maneira, a regulamenta\u00e7\u00e3o pode evitar que continuem a se verificar, nos estabelecimentos de diversos n\u00edveis de ensino, situa\u00e7\u00f5es como a de o professor de Hist\u00f3ria ser obrigado a lecionar Geografia, Sociologia, Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, entre outras disciplinas, sem ter forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para isso (e vice-versa)&#8221;. Se trata simplesmente, portanto, de reserva de mercado para portadores de diploma de hist\u00f3ria, justificada pela id\u00e9ia de que, ao longo de seus estudos, os diplomados em hist\u00f3ria &#8220;desenvolvem habilidades espec\u00edficas como a cr\u00edtica documental e historiogr\u00e1fica e a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos te\u00f3ricos, metodol\u00f3gicos e t\u00e9cnicos imprescind\u00edveis \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do passado&#8221;. Sem riscos, portanto, para cientistas pol\u00edticos que escrevem sobre o Imp\u00e9rio como Jos\u00e9 Murilo de Carvalho, embora ainda persista a d\u00favida de se ele precisar\u00e1 agora de carteirinha de historiador para pesquisar nos arquivos p\u00fablicos brasileiros.<\/p>\n<p>Como a \u00e1rea de hist\u00f3ria (da mesma maneira que as de sociologia, ci\u00eancia pol\u00edtica, economia, filosofia e tantas outras) tem muitas correntes que se contradizem e n\u00e3o aceitam os m\u00e9todos de trabalho das outras, e dada ainda a m\u00e1 qualidade de muitos de nossos cursos universit\u00e1rios de ci\u00eancias sociais e humanidades, \u00e9 dif\u00edcil aceitar que todos os diplomados em hist\u00f3ria tenham mesmo este instrumental te\u00f3rico e t\u00e9cnico que deveriam ter.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais profunda, no entanto, \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que normalmente se sup\u00f5e no Brasil, \u00e1reas de conhecimento e profiss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. Profiss\u00f5es s\u00e3o atividades que lidam com o p\u00fablico e que em alguns casos, quando mal exercidas, podem causar dano \u00e0 vida e \u00e0 propriedade das pessoas. \u00c1reas de conhecimento s\u00e3o tradi\u00e7\u00f5es de trabalho cujas fronteiras est\u00e3o sempre em movimento, e que n\u00e3o podem nem devem ser reguladas por lei e ser objeto de monop\u00f3lios corporativos. Para tomar o exemplo mais cl\u00e1ssico, n\u00e3o existe uma ci\u00eancia chamada &#8220;medicina&#8221;, mas disciplinas como fisiologia, anatomia, qu\u00edmica, farmacologia, psicologia, gen\u00e9tica, biologia molecular, radiologia e tantas outras, por um lado; e a profiss\u00e3o m\u00e9dica por outra, regulamentada por lei, e que inclui, por exemplo, a homeopatia, que a maior parte dos cientistas n\u00e3o consideram ter base cient\u00edfica. A delimita\u00e7\u00e3o de quem pode ou n\u00e3o exercer a medicina, o direito e a engenharia, que s\u00e3o as profiss\u00f5es mais tradicionais, tem sido estabelecida ao longo do tempo por disputas pol\u00edticas entre diferentes grupos, e s\u00e3o bastante arbitr\u00e1rias, como atestam as disputas sobre a atua\u00e7\u00e3o profissional de enfermeiros, psicanalistas, optometristas e fisioterapeutas, que hoje giram em torno da poss\u00edvel aprova\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o sobre o &#8220;ato m\u00e9dico&#8221;, que pode consolidar o poder dos m\u00e9dicos sobre todas as demais profiss\u00f5es de sa\u00fade no Brasil, que em outros pa\u00edses s\u00e3o reconhecidas e valorizadas. Se, por um lado, a sociedade se protege quando sabe que charlat\u00e3es est\u00e3o impedidos de tratar, advogar e construir obras, ela sofre quando as corpora\u00e7\u00f5es profissionais abusam de seus poderes, ao mesmo tempo em que os diplomas nem sempre garantem o que prometem. A melhor maneira de garantir os interesses da sociedade \u00e9 limitar ao m\u00e1ximo os monop\u00f3lios profissionais, que devem ficar estritos a atividades que implicam altos riscos para o p\u00fablico, exigindo controles de compet\u00eancia e qualidade que n\u00e3o se limitem ao reconhecimento burocr\u00e1tico de diplomas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a hist\u00f3ria, que \u00e9 uma disciplina de estudos, se qualifica como uma profiss\u00e3o no Brasil? Os dados da amostra do Censo Demogr\u00e1fico de 2010 indicam que haviam cerca de 75 mil pessoas formadas em hist\u00f3ria e arqueologia, das quais somente 57 mil trabalhavam. Destas, metade tinha atividade na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, e somente 1.400 trabalhavam em atividades profissionais, cient\u00edficas e t\u00e9cnicas, ou seja, presumivelmente, como historiadores profissionais; e certamente existem muitas pessoas com diploma de soci\u00f3logo, jornalista, economista, cientista pol\u00edtico ou sem diploma nenhum pesquisando arquivos e produzindo trabalhos interessantes (a Plataforma Lattes, do CNPq, lista 5500 pesquisadores em hist\u00f3ria no pa\u00eds em 2010, sem dizer, no entanto, em que cursos se formaram). Isto se compara com a estimativa de que o Brasil necessitaria de cerca de 75 mil professores de hist\u00f3ria para atender \u00e0s atuais necessidades dos curr\u00edculos do ensino fundamental e m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Temos um problema s\u00e9rio de falta de professores, n\u00e3o s\u00f3 em historia, mas em quase todas as \u00e1reas. Neste quadro, n\u00e3o faz nenhum sentido proibir que pessoas formadas em disciplinas afins ensinem hist\u00f3ria nas escolas, como n\u00e3o faz sentido impedir que pessoas formadas em hist\u00f3ria ensinem em mat\u00e9rias afins como geografia ou sociologia. Ser professor da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e pesquisador profissional s\u00e3o coisas muito diferentes, e ainda bem que \u00e9 assim, porque sen\u00e3o os problemas de nossa educa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 s\u00e3o extremamente s\u00e9rios, se tornariam totalmente insol\u00faveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Respondendo a uma mat\u00e9ria do jornal Folha de S\u00e3o\u00a0Paulo sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de historiador pelo Senado Federal, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hist\u00f3ria, Benito Bisso Schmidt, esclarece que &#8220;em nenhum momento este projeto veda que pessoas com outras forma\u00e7\u00f5es, ou sem forma\u00e7\u00e3o alguma, escrevam sobre o passado e elaborem narrativas hist\u00f3ricas. &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-profissao-de-historiador\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A profiss\u00e3o de Historiador&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[26,22],"tags":[],"class_list":["post-4281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencias-sociais","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4281"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4366,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4281\/revisions\/4366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}