{"id":4417,"date":"2013-01-07T13:05:56","date_gmt":"2013-01-07T16:05:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4417"},"modified":"2013-01-07T13:05:56","modified_gmt":"2013-01-07T16:05:56","slug":"acao-afirmativa-no-ensino-superior-brasileiro-a-vez-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/acao-afirmativa-no-ensino-superior-brasileiro-a-vez-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o afirmativa no ensino superior brasileiro: a vez de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?attachment_id=4419\" rel=\"attachment wp-att-4419\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4419 aligncenter\" alt=\"the_world_view_blog_header\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/the_world_view_blog_header-300x79.jpg\" width=\"400\" height=\"100\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>O<a href=\"http:\/\/www.insidehighered.com\/blogs\/world-view\/affirmative-action-higher-education-brazil-s\u00e3o-paulo\u2019s-turn\" target=\"_blank\"> site &#8220;Inside Higher Education &#8211; The World View&#8221;<\/a> \u00a0publicou uma nota minha sobre o novo sistema de cotas das universidades paulistas, cuja vers\u00e3o em portugu\u00eas reproduzo abaixo:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em agosto de 2012 a Presidente Dilma Rousseff assinou a lei que torna obrigat\u00f3rio, para todas as universidades federais, reservar 50% de suas vagas em cada curso para estudantes oriundos de escolas p\u00fablicas, conforme seu n\u00edvel de renda e perfil \u00e9tnico (pretos, pardos e ind\u00edgenas), dando um prazo de quatro anos para que a regra seja implementada. N\u00e3o querendo ficar para tr\u00e1s, o governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alkimin, anunciou o projeto de a\u00e7\u00e3o afirmativa para as universidades estaduais paulistas, com o nome de &#8220;inclus\u00e3o social com m\u00e9rito&#8221;. Diferentemente do governo federal, que implantou a nova legisla\u00e7\u00e3o sem considerar a m\u00e1 qualidade da educa\u00e7\u00e3o recebida pela grande maioria dos estudantes oriundos de escolas p\u00fablicas, o projeto paulista traz duas inova\u00e7\u00f5es importantes: primeiro, os estudantes que optarem por entrar pelo sistema de cotas dever\u00e3o passar por um curso preparat\u00f3rio de dois anos, depois do qual poder\u00e3o escolher os cursos superiores conforme seu desempenho nesta etapa; e segundo, estes estudantes receber\u00e3o uma bolsa de estudos no valor de meio sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Alguns dados s\u00e3o necess\u00e1rios para entender estas pol\u00edticas. Os dados mais recentes indicam haver no Brasil 6.7 milh\u00f5es de estudantes de n\u00edvel superior, dos quais um milh\u00e3o em universidades federais e 620 mil em universidades estaduais (dos quais 163 mil nas estaduais paulistas). A grande maioria, cerca de 5 milh\u00f5es, ou 73%, estudam em institui\u00e7\u00f5es privadas, em sua maior parte organizadas como empresas voltadas para o lucro. O acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u00e9 feito por sistemas competitivos (vestibulares ou o ENEM), que em geral selecionam estudante vindos de escolas privadas que tendem a ser melhores do que as p\u00fablicas mas inacess\u00edveis para quem n\u00e3o pode pagar. 87% dos estudantes de ensino m\u00e9dio est\u00e3o em escolas p\u00fablicas, com uma renda familiar que \u00e9 um ter\u00e7o da dos estudantes em escolas particulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Faz sentido, portanto, buscar maneiras de dar mais oportunidades de educa\u00e7\u00e3o superior para estudantes vindos de escolas p\u00fablicas e de fam\u00edlias mais pobres, enquanto a qualidade das escolas p\u00fablicas n\u00e3o melhorar substancialmente (o crit\u00e9rio de &#8220;ra\u00e7a&#8221; ou etnia, fortemente correlacionado com o de renda, \u00e9 um outro assunto que n\u00e3o discutirei aqui). Como estes estudantes tendem a ser menos qualificados, no entanto, n\u00e3o \u00e9 nada claro que eles ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de chegar aos mesmos n\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o do que seus colegas vindos das escolas particulares, sobretudo nas carreiras mais exigentes. Existe portanto o grande risco de que estes estudantes sejam eliminados ao longo dos cursos ou que as universidades terminem por baixar suas exig\u00eancias e padr\u00f5es de qualidade para n\u00e3o reconhecer o fracasso das pol\u00edticas afirmativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A desigualdade em S\u00e3o Paulo, o Estado mais rico do Brasil, \u00e9 ainda maior do que no pa\u00eds como um todo, com somente 10% de seus estudantes de n\u00edvel superior tendo acesso \u00e0s tr\u00eas universidades estaduais, USP, UNICAMP e UNESP, que est\u00e3o por outro entre as melhores e mais bem financiadas do pa\u00eds. A solu\u00e7\u00e3o proposta pelo governo do Estado, em consulta com as Universidades, sup\u00f5e que os dois anos de estudos preparat\u00f3rios em um &#8220;college&#8221; semelhante aos ingleses e americanos seriam suficientes para trazer estes estudantes ao mesmo n\u00edvel de seus colegas vindos das escolas particulares, e, se isto n\u00e3o for poss\u00edvel, eles teriam ainda a possibilidade de continuar estudando nos cursos de forma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do sistema Paula Souza, que \u00e9 o mais desenvolvido do Brasil. O desafio \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 toda organizada no modelo tradicional europeu em que os estudantes ingressam diretamente nos cursos profissionais, e as v\u00e1rias tentativas j\u00e1 feitas de introduzir &#8220;ciclos b\u00e1sicos&#8221; de um ou dois anos nunca deram certo, sobretudo porque eles significam adiar a entrada nos cursos universit\u00e1rios, e seu conte\u00fado, de tipo geral, n\u00e3o desperta maior interesse entre os estudantes. No caso de S\u00e3o Paulo, a proposta do &#8220;college&#8221; est\u00e1 baseada em uma experi\u00eancia promissora em pequena escala que vem sendo feita pela Universidade de Campinas, mas o projeto do Estado seria fazer um programa em grande escala baseado fortemente em tecnologias de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia e o uso de tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, sobre as quais n\u00e3o existe muita experi\u00eancia, para que metade dos alunos das universidades estaduais possam vir por esta rota no prazo de cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Uma das virtudes do sistema de &#8220;colleges&#8221;, sobretudo nos Estados Unidos, \u00e9 que ele oferece aos estudantes um leque amplo de op\u00e7\u00f5es, que inclui desde os que querem se preparar para carreiras t\u00e9cnico-cient\u00edficas mais exigentes at\u00e9 os que se dirigem para profiss\u00f5es mais pr\u00e1ticas e com menor exig\u00eancia de qualifica\u00e7\u00e3o. No caso de S\u00e3o Paulo, pelo menos pelo que foi publicado at\u00e9 agora, seria o oposto: todos os estudantes seguiriam o mesmo programa, e a op\u00e7\u00e3o de seguir um curso mais t\u00e9cnico e aplicado no sistema Paula Souza ficaria reservada para os que n\u00e3o conseguissem bons resultados no primeiro ano. Esta n\u00e3o seria uma boa receita para um sistema de educa\u00e7\u00e3o superior que pretenda se expandir, se diversificar e se tornar menos excludente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O site &#8220;Inside Higher Education &#8211; The World View&#8221; \u00a0publicou uma nota minha sobre o novo sistema de cotas das universidades paulistas, cuja vers\u00e3o em portugu\u00eas reproduzo abaixo: Em agosto de 2012 a Presidente Dilma Rousseff assinou a lei que torna obrigat\u00f3rio, para todas as universidades federais, reservar 50% de suas vagas em cada curso &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/acao-afirmativa-no-ensino-superior-brasileiro-a-vez-de-sao-paulo\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A\u00e7\u00e3o afirmativa no ensino superior brasileiro: a vez de S\u00e3o Paulo&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,36],"tags":[],"class_list":["post-4417","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-superior","category-equidadeequity"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4417"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4422,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4417\/revisions\/4422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}