{"id":4579,"date":"2013-07-18T18:59:04","date_gmt":"2013-07-18T21:59:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4579"},"modified":"2013-07-18T18:59:04","modified_gmt":"2013-07-18T21:59:04","slug":"por-uma-politica-economica-padrao-fifa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/por-uma-politica-economica-padrao-fifa\/","title":{"rendered":"Por uma pol\u00edtica econ\u00f4mica padr\u00e3o-Fifa"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:470,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.valor.com.br\\\/opiniao\\\/3200640\\\/uma-politica-economica-padrao-fifa&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20180220192021\\\/http:\\\/\\\/www.valor.com.br:80\\\/opiniao\\\/3200640\\\/uma-politica-economica-padrao-fifa&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.valor.com.br\\\/opiniao\\\/3200640\\\/uma-politica-economica-padrao-fifa&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-16 20:29:10&quot;,&quot;http_code&quot;:206},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-20 06:21:25&quot;,&quot;http_code&quot;:503}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-20 06:21:25&quot;,&quot;http_code&quot;:503},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p><em>Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli, economistas da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, entram na discuss\u00e3o sobre as manifesta\u00e7\u00f5es de junho com um artigo <a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/opiniao\/3200640\/uma-politica-economica-padrao-fifa\" target=\"_blank\">publicado hoje em Valor Econ\u00f4mico,<\/a> que reproduzo abaixo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Maracan\u00e3_Stadium_in_Rio_de_Janeiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4580\" alt=\"Maracan\u00e3_Stadium_in_Rio_de_Janeiro\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Maracan\u00e3_Stadium_in_Rio_de_Janeiro-300x220.jpg\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Maracan\u00e3_Stadium_in_Rio_de_Janeiro-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Maracan\u00e3_Stadium_in_Rio_de_Janeiro.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 85vw, 300px\" \/><\/a>Por uma \u00a0pol\u00edtica econ\u00f4mica padr\u00e3o FIFA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os recentes protestos no Brasil, em oposi\u00e7\u00e3o aos observados na Europa, e tamb\u00e9m nos EUA com o movimento Occupy Wall Street, n\u00e3o tiveram motiva\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas, como desemprego e desigualdade de renda. Evid\u00eancia disso foi que a queda da popularidade da Presidente veio acompanhada da de governadores e prefeitos. Embora a pol\u00edtica econ\u00f4mica adotada a partir da crise do subprime em 2008 tenha elevado a infla\u00e7\u00e3o e reduzido o crescimento, \u00e9 fato que o desemprego brasileiro encontra-se baixo \u2013 parcialmente por motivos demogr\u00e1ficos, \u00e9 bom lembrar \u2013, a pobreza diminuiu nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, e o consumo ampliou-se. Como a pol\u00edtica econ\u00f4mica n\u00e3o teve como foco a qualidade de vida dos eleitores, mas sim a vis\u00e3o ideol\u00f3gica de alguns tecnocratas, a insatisfa\u00e7\u00e3o eclodiu nas ruas.<\/p>\n<p>O estopim das manifesta\u00e7\u00f5es foi a corre\u00e7\u00e3o das tarifas de \u00f4nibus. Mas logo se ampliaram os pleitos por melhores servi\u00e7os de transporte, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, bem como reclama\u00e7\u00f5es contra a brutalidade policial. Havia tamb\u00e9m quest\u00f5es comportamentais, como a cura gay em absurda discu\u00e7\u00e3o no Congresso. Os protestos contra a corrup\u00e7\u00e3o foram tamb\u00e9m muito fortes. As fara\u00f4nicas reformas dos est\u00e1dios esportivos exigidos pela Copa do Mundo, em contraste com a depauperada infraestrutura de suporte aos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais cunhou a ir\u00f4nica express\u00e3o \u201cpadr\u00e3o-Fifa&#8221; para adjetivar o que se almeja para os hospitais e escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Aqui entra a liga\u00e7\u00e3o indireta entre os protestos e a economia. Ao longo dos \u00faltimos dezoito anos, a arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria brasileira cresceu dez pontos percentuais, alcan\u00e7ando 36% do PIB, de longe a maior da Am\u00e9rica Latina. Grande parte desse aumento decorreu dos gastos sociais criados pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. No entanto, especialmente nas grandes \u00e1reas metropolitanas, os servi\u00e7os p\u00fablicos permanecem muito insatisfat\u00f3rios, pois aqui os gastos foram modestos quando comparados \u00e0s necessidades.<\/p>\n<p>Acrescente-se a isso o fato de, nos \u00faltimos cinco anos, o governo ter insistido numa mal sucedida \u201cmudan\u00e7a do modelo econ\u00f4mico\u201d, priorizando \u00e1reas muito distantes das aspira\u00e7\u00f5es e necessidades quotidianas da popula\u00e7\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o do nacional-desenvolvimentismo gerou enormes transfer\u00eancias e subs\u00eddios para os chamados &#8220;campe\u00f5es nacionais&#8221;, bem como para alguns setores considerados estrat\u00e9gicos pelos tecnoctratas, mas n\u00e3o pelos eleitores. Houve todos os tipos de incentivos para a ind\u00fastria, mas muito pouco para os servi\u00e7os, sobretudo os p\u00fablicos. A Copa do Mundo no Brasil custar\u00e1 mais do que as tr\u00eas copas anteriores juntas, legando muito pouco em infraestrutura de transporte urbano.<\/p>\n<p>Embora a regula\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos tenha mudado muitas vezes, assim como as regras das licita\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es, as estradas continuam ruins, os portos caros e lentos, os aeroportos superlotados, e o transporte p\u00fablico urbano ca\u00f3tico. H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que a administra\u00e7\u00e3o dos hospitais p\u00fablicos \u00e9 med\u00edocre, na melhor das hip\u00f3teses, que s\u00e3o insuficientemente equipados e mal administrados, bem como acusados de mau uso dos seus fundos. Pouco se fez para melhorar os servi\u00e7os p\u00fablicos, em parte porque isso nunca foi prioridade em todos os n\u00edveis de governo, em parte devido \u00e0 m\u00e1 gest\u00e3o, e, como in\u00fameras den\u00fancias &#8211; e investiga\u00e7\u00f5es dos Tribunais de Conta &#8211; parecem indicar, parte devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil entender a insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma corrente de analistas sustenta, com alguma raz\u00e3o, que a atual estrutura de gastos p\u00fablicos decorre da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, refletindo uma escolha leg\u00edtima dos eleitores, um contrato entre cidad\u00e3os que buscam transfer\u00eancias e governos que delas se beneficiam eleitoralmente. Assim, muito pouco poderia ser feito sem que se mude a constitui\u00e7\u00e3o e se implemente medidas impopulares como por exemplo uma reforma da previd\u00eancia. Esse argumento, entretanto, al\u00e9m de induzir ao imobilismo e conformismo pol\u00edticos, desconsidera que o acordo de 1988 n\u00e3o conteplava gastos concebidos vinte anos depois por uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica equivocada, como os R$15 bilh\u00f5es anuais de subs\u00eddios impl\u00edcitos do BNDES, os R$30 bilh\u00f5es em excesso ao custo original da refinaria Abreu Lima, os R$40 bilh\u00f5es do trem bala, os 22 mil cargos comissionados a n\u00edvel federal (e 500 mil a nivel municipal!) para se citar apenas alguns. H\u00e1 muito espa\u00e7o, n\u00e3o s\u00f3 para uma melhor gest\u00e3o, mas tamb\u00e9m para mudan\u00e7as de prioridade em in\u00fameras dimens\u00f5es, sem que se precise alterar o pacto de 1988.<\/p>\n<p>Em vez de se ater de forma convincente aos problemas concretos levantados pelas ruas, a Presidente respondeu com uma malfadada proposta de reforma pol\u00edtica. Sua nova taxa de aprova\u00e7\u00e3o, de apenas 30%, voltou ao n\u00edvel hist\u00f3rico registrado por seu partido, um sinal de que a popula\u00e7\u00e3o a culpa e a sua coliga\u00e7\u00e3o pelos seus problemas di\u00e1rios. A julgar pela resposta do governo aos protestos, pode-se prever que as prioridades equivocadas, a m\u00e1 gest\u00e3o e a pol\u00edtica econ\u00f4mica geradora de baixo crescimento e infla\u00e7\u00e3o no topo da meta, manter\u00e3o a insatisfa\u00e7\u00e3o elevada por um bom tempo. O Brasil precisa de novas pol\u00edticas, de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica \u201cpadr\u00e3o-Fifa\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli, economistas da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, entram na discuss\u00e3o sobre as manifesta\u00e7\u00f5es de junho com um artigo publicado hoje em Valor Econ\u00f4mico, que reproduzo abaixo. Por uma \u00a0pol\u00edtica econ\u00f4mica padr\u00e3o FIFA Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Os recentes protestos no Brasil, em oposi\u00e7\u00e3o aos observados na Europa, e tamb\u00e9m &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/por-uma-politica-economica-padrao-fifa\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Por uma pol\u00edtica econ\u00f4mica padr\u00e3o-Fifa&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-4579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica-publica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4579"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4581,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4579\/revisions\/4581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}