{"id":4582,"date":"2013-07-19T18:07:23","date_gmt":"2013-07-19T21:07:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4582"},"modified":"2015-02-15T21:59:42","modified_gmt":"2015-02-16T00:59:42","slug":"ideb-metas-que-nao-conversam-com-a-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ideb-metas-que-nao-conversam-com-a-realidade\/","title":{"rendered":"IDEB &#8211; Metas que n\u00e3o conversam com a realidade"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:468,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/revistaepoca.globo.com\\\/Revista\\\/Epoca\\\/0,,EMI6359-15228,00.html&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/revistaepoca.globo.com\\\/Revista\\\/Epoca\\\/0,,EMI6359-15228,00.html&quot;,&quot;checks&quot;:[],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:null,&quot;process&quot;:&quot;done&quot;},{&quot;id&quot;:469,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/estudandoeducacao.files.wordpress.com\\\/2013\\\/06\\\/artigo_metas.pdf&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20230629121502\\\/https:\\\/\\\/estudandoeducacao.files.wordpress.com\\\/2013\\\/06\\\/artigo_metas.pdf&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/estudandoeducacao.files.wordpress.com\\\/2013\\\/06\\\/artigo_metas.pdf&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-17 11:22:14&quot;,&quot;http_code&quot;:206},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-21 07:10:01&quot;,&quot;http_code&quot;:206}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-21 07:10:01&quot;,&quot;http_code&quot;:206},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p><strong>O IDEB<\/strong><\/p>\n<p>O \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (IDEB) \u00a0foi criado em 2005 pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o como uma maneira simples e elegante de resumir, em um n\u00famero, a qualidade de uma escola. \u00a0O \u00edndice reflete a m\u00e9dia das notas da escola na Prova Brasil, em Portugu\u00eas e Matem\u00e1tica, multiplicada pela taxa de aprova\u00e7\u00e3o, em uma escala que vai de zero a 10. Se todos os alunos se sa\u00edrem muito bem na prova e ningu\u00e9m for reprovado, o IDEB \u00e9 pr\u00f3ximo de 10. Se todos os aprovados se sa\u00edrem muito nem, mas metade \u00a0for reprovada, o \u00edndice \u00e9 5. Se todos forem aprovados mas se sa\u00edrem muito mal nas provas, o \u00edndice tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3ximo de 5. Se o desempenho for p\u00e9ssimo e a reprova\u00e7\u00e3o muito alta, ent\u00e3o o IDEB se aproxima de zero. Isto \u00e9 calculado em separado para os alunos da 5a \u00a0e da 8a s\u00e9rie da educa\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p>Ao lado de suas virtudes, o IDEB tem dois problemas graves. \u00a0O primeiro \u00e9 que, fora dos extremos, ele pode significar tanto que a escola tem mau desempenho mas promove seus alunos quanto que a escola tem bom desempenho gra\u00e7as \u00e0 exclus\u00e3o dos que n\u00e3o se saem bem. Isto significa tamb\u00e9m que as escolas podem facilmente manipular seu IDEB, at\u00e9 certo ponto, facilitando a promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, e deixando de lado a educa\u00e7\u00e3o propriamente dita. \u00a0O segundo problema \u00e9 que, como o desempenho e mesmo a evas\u00e3o dos alunos dependem em grande parte da bagagem social que trazem, escolas com alunos de classe m\u00e9dia e alta ter\u00e3o um resultado mais alto no IDEB, mesmo sem muito esfor\u00e7o, do que escolas com alunos de origem mais pobre e condi\u00e7\u00f5es sociais mais dif\u00edceis, mesmo que se esforcem muito mais. \u00c9 por isto que n\u00e3o me parece adequado &#8220;carimbar&#8221; as escolas com o IDEB em suas portas, como j\u00e1 fazem alguns estados, como se ele refletisse de fato a qualidade da educa\u00e7\u00e3o que ela proporciona para o p\u00fablico que recebe.<\/p>\n<p>Da\u00ed a ideia das metas do IDEB. Ao inv\u00e9s de olhar \u00a0o valor absoluto do IDEB em determinado momento, seria melhor ver como ele evolui. Cada escola teria uma meta em fun\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o atual, e seria avaliada pela capacidade de progredir em dire\u00e7\u00e3o a esta meta, e n\u00e3o por sua nota. Escolas com alunos mais dif\u00edceis e IDEB mais baixos que conseguissem atingir suas metas estariam claramente melhor do que escolas com IDEB mais alto que n\u00e3o sa\u00edssem do lugar. Ideia engenhosa, mas, infelizmente, como mostra Ernesto Martins Faria nesta nota abaixo, publicada anteriormente \u00a0no blog da Revista Educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o funciona, pelos erros t\u00e9cnicos e de concep\u00e7\u00e3o com que as metas foram constru\u00eddas.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de que medidas de resultados e metas de melhoria n\u00e3o servem, e devem ser abandonadas. A conclus\u00e3o \u00e9 que medidas e metas devem ser de simples entendimento e relacionadas com a realidade das escolas, e n\u00e3o podem se transformar em n\u00fameros cabal\u00edsticos que n\u00e3o conseguimos entender mas que precisamos alcan\u00e7ar, que \u00e9 o que pode ocorrer, como mostra Ernesto, ao entronizar as metas do IDEB no Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Metas que n\u00e3o conversam com a realidade<\/strong><\/p>\n<p><em>Ernesto Martins Faria*\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), em tramita\u00e7\u00e3o e que vem sendo discutido no Senado, estabelece 20 metas que devem ser alcan\u00e7adas pelo pa\u00eds. Uma delas (a meta 7) se refere ao Ideb, principal indicador de qualidade em educa\u00e7\u00e3o que possu\u00edmos no Brasil. Ela foi elaborada com base nas metas estabelecidas em 2007 pelo Inep\/Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o do Ideb. Naquele momento, tamb\u00e9m foram estabelecidas metas para os munic\u00edpios e escolas.<\/p>\n<p>O Ideb auxiliou muito o acompanhamento da qualidade educacional do pa\u00eds, gerando um olhar sobre indicadores de desempenho, por meio da principal avalia\u00e7\u00e3o externa do pa\u00eds (a Prova Brasil), e um olhar sobre a import\u00e2ncia de garantir um fluxo escolar adequado (colocando na composi\u00e7\u00e3o as taxas de aprova\u00e7\u00e3o escolar, que s\u00e3o muito baixas em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds).<\/p>\n<p>N\u00e3o deixando de reconhecer esse m\u00e9rito, o Inep, em 2007, acabou cometendo falhas na hora de definir metas para o Ideb, que tinham o objetivo de verificar se as escolas e redes evolu\u00edam da forma adequada.<\/p>\n<p>As metas do Ideb atentaram pouco ao contexto educacional das regi\u00f5es e escolas. Para a constru\u00e7\u00e3o delas, foi considerado apenas o resultado de 2005, o que trouxe uma influ\u00eancia muito grande do resultado desse ano na avalia\u00e7\u00e3o dos resultados seguintes. A rede p\u00fablica do munic\u00edpio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Alto, no Rio de Janeiro, por exemplo, apresentou um Ideb de 7,3 em 2005 e seu Ideb caiu para 4,8 em 2011. Independentemente disso, a meta do Ideb apresentada para gest\u00e3o que assumiu em 2013 para esse ano \u00e9 de um Ideb de 7,9, estabelecido a partir do resultado de 2005.<\/p>\n<p>Outro problema das metas \u00e9 que algumas premissas da\u00a0fun\u00e7\u00e3o log\u00edstica\u00a0adotada na constru\u00e7\u00e3o delas s\u00e3o inv\u00e1lidas. O modelo considera que todos os munic\u00edpios devem, em 2096, atingir um Ideb de 9,9. No entanto, um Ideb 9,9 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de ser atingido, pois, para isso, quase todos os alunos teriam que ser aprovados, e os alunos avaliados teriam que tirar a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima na Prova Brasil. Esse valor \u00e9 t\u00e3o inating\u00edvel que a escola com o maior Ideb no pa\u00eds possu\u00ed um \u00edndice de 8,6.<\/p>\n<p>Esse horizonte n\u00e3o fact\u00edvel gerou metas muito ambiciosas para redes e escolas que tiveram resultados muito bons em 2005. A rede estadual do munic\u00edpio de Trajano de Morais, por exemplo, tinha uma meta de 8,7 em 2011 e tem uma meta de 9,0 em 2021. Por esse problema, todas as redes que obtiveram um Ideb de pelo menos 6,5 em 2005 nos anos iniciais n\u00e3o cumpriram as metas de 2011.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 que n\u00e3o houve um estudo sobre qual \u00e9 o patamar de Ideb que qualquer escola \u00e9 capaz de obter em curto prazo. N\u00e3o h\u00e1 um consenso sobre qual \u00e9 o patamar que indica qualidade, se \u00e9 um Ideb de 6, de 6,5, de 7, ou outro valor, por exemplo. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi estabelecido qual valor \u00e9 fact\u00edvel de ser obtido por qualquer escola ou rede do pa\u00eds. Sem esse consenso, redes e escolas com baixo desempenho em 2005 cumpriram facilmente as metas das avalia\u00e7\u00f5es posteriores. Com isso, o governo legitimou como positivo o trabalho de algumas escolas e redes em que o n\u00edvel de aprendizado dos alunos se mostrou muito baixo.\u00a0<a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI6359-15228,00.html\">Reportagem de Ana Aranha<\/a>, vencedora do Pr\u00eamio Ayrton Senna de Jornalismo, mostra uma escola que, apesar de um resultado \u00ednfimo no Ideb e na Prova Brasil, bateu em 2007 as metas de 2011.<\/p>\n<p>Essa mat\u00e9ria, ali\u00e1s, aponta, al\u00e9m da import\u00e2ncia de se estabelecer um patamar m\u00ednimo aceit\u00e1vel, a dificuldade de se estabelecer uma meta agregada para um indicador que une indicadores t\u00e3o diferentes (taxas de aprova\u00e7\u00e3o e resultados em uma avalia\u00e7\u00e3o externa). Provavelmente, teria sido mais apropriado fazer metas para esses indicadores separadamente, de modo que a meta agregada fosse a composi\u00e7\u00e3o das duas individualmente.<\/p>\n<p>Casos de cumprimento da meta de 2021 ou de n\u00e3o cumprimento da meta de 2007 ou de 2009 j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o raros, e apontam como as metas s\u00e3o pouco fact\u00edveis e est\u00e3o cada vez mais fr\u00e1geis quanto mais nos distanciamos de 2005. Isso acontece pois, para indicadores educacionais, o resultado em um passado mais distante tem pouca influ\u00eancia no presente (o desempenho dos alunos em 2005 pouco influencia o desempenho dos alunos em 2013, por exemplo). O avan\u00e7o poderia acontecer por pol\u00edticas estruturais que tivessem sido feitas, mas ter\u00edamos que ter algum dado que apoiasse a olhar isso.<\/p>\n<p>Por tudo isso, \u00e9 importante garantir um olhar sobre o que ilustra cada pontua\u00e7\u00e3o do Ideb, sobre qual patamar qualquer escola poderia atingir e sobre qual \u00e9 uma pontua\u00e7\u00e3o que j\u00e1 pode ser considerada como ilustrativa de qualidade. Os pesquisadores precisam se posicionar sobre essas quest\u00f5es. Essas respostas s\u00e3o necess\u00e1rias para que tenhamos um norte de se o Ideb precisa ser aprimorado, e para que as metas a partir dele permitam que se atribua de forma justa uma responsabiliza\u00e7\u00e3o pelo cumprimento das mesmas.<\/p>\n<p>No artigo\u00a0<a href=\"http:\/\/estudandoeducacao.files.wordpress.com\/2013\/06\/artigo_metas.pdf\">\u201cComo construir metas a partir de um territ\u00f3rio organizado em ADEs\u201d<\/a>, publicado pela editora Moderna, escrevi sobre a import\u00e2ncia de metas educacionais conversarem com as condi\u00e7\u00f5es da escola\/rede. No caso do Ideb, para efetivamente podermos chamar as proje\u00e7\u00f5es elaboradas de metas, \u00e9 necess\u00e1rio que elas sejam fact\u00edveis e desafiadoras para que possam efetivamente orientar uma gest\u00e3o. Sem isso, teremos apenas mais alguns n\u00fameros que correspondem a objetivos mal desenhados, e que ajudar\u00e3o para que esse plano de educa\u00e7\u00e3o seja fr\u00e1gil como o \u00faltimo.<\/p>\n<p><em>*Ernesto Martins Faria \u00e9 economista, mestrando em Gest\u00e3o e Pol\u00edticas P\u00fablicas na Fundac\u00e3o Getulio Vargas (FGV) e especialista em an\u00e1lise de dados educacionais.\u00a0<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O IDEB O \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (IDEB) \u00a0foi criado em 2005 pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o como uma maneira simples e elegante de resumir, em um n\u00famero, a qualidade de uma escola. \u00a0O \u00edndice reflete a m\u00e9dia das notas da escola na Prova Brasil, em Portugu\u00eas e Matem\u00e1tica, multiplicada pela taxa de aprova\u00e7\u00e3o, &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ideb-metas-que-nao-conversam-com-a-realidade\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;IDEB &#8211; Metas que n\u00e3o conversam com a realidade&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-4582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-basica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4582"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5091,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4582\/revisions\/5091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}