{"id":4609,"date":"2013-08-14T07:43:16","date_gmt":"2013-08-14T10:43:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4609"},"modified":"2013-08-26T06:49:36","modified_gmt":"2013-08-26T09:49:36","slug":"jorge-jatoba-as-escassez-de-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/jorge-jatoba-as-escassez-de-medicos\/","title":{"rendered":"Jorge Jatob\u00e1: As Escassez de M\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/doctors.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"doctors\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/doctors.png\" width=\"221\" height=\"216\" \/><\/a>Escreve Jorge Jatob\u00e1, da CEPLAN \u00a0Consultoria Econ\u00f4mica e Planejamento de Recife:<\/em><\/p>\n<p><strong>A Escassez de M\u00e9dicos<\/strong><\/p>\n<p>A escassez \u00e9 central ao conceito da Economia. Se o pre\u00e7o n\u00e3o racionar um bem ou servi\u00e7o, a fila o far\u00e1. Quanto maior a escassez, maior \u00e9 o pre\u00e7o. Quando o pre\u00e7o n\u00e3o funciona por alguma raz\u00e3o e a quantidade \u00e9 finita, a fila raciona. No Brasil os m\u00e9dicos s\u00e3o escassos e o acesso aos seus servi\u00e7os \u00e9, por conseguinte, caro, sendo, no setor privado, o privil\u00e9gio daqueles poucos pacientes que conseguem pagar consultas ou seguros-sa\u00fade de elevado custo. Estudo do IPEA (Perspectivas Profissionais, 2013) mostra que dentre 48 carreiras no pa\u00eds, a de medicina \u00e9 aquela onde h\u00e1 maior escassez. Na rede do SUS o acesso \u00e9 gratuito, os m\u00e9dicos ainda mais escassos, sendo o racionamento imposto por longas esperas que se manifestam em prolongados per\u00edodos para o cidad\u00e3o ser atendido.<\/p>\n<p>Faltam m\u00e9dicos no pa\u00eds, especialmente aqueles que se dedicam \u00e0 aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: pediatras, cl\u00ednicos gerais e geriatras. H\u00e1 mais especialistas, notadamente em \u00e1reas onde os retornos privados s\u00e3o elevados. Jovens m\u00e9dicos s\u00e3o atra\u00eddos por especialidades que oferecem altos rendimentos. Se o mercado funcionar livremente ser\u00e3o muito poucos os m\u00e9dicos generalistas envolvidos no atendimento \u00e0 demanda da popula\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os do SUS. O mercado define diferen\u00e7as de remunera\u00e7\u00f5es que desestimulam a oferta desse tipo de m\u00e9dicos. No entanto, os incentivos de mercado nem sempre atendem ao interesse p\u00fablico. Nesta situa\u00e7\u00e3o exige-se a interven\u00e7\u00e3o do Estado por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas. O argumento \u00e9 que se o mercado falhar, o estado tem que entrar em cena para atender ao interesse p\u00fablico. O desafio \u00e9 saber como! O Governo lan\u00e7ou o Programa Mais M\u00e9dicos, mas n\u00e3o se pretende avaliar aqui se esta proposta \u00e9 a mais adequada para atender as necessidades da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Discutem-se aqui apenas princ\u00edpios de pol\u00edtica p\u00fablica e atitudes dos m\u00e9dicos e suas corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio essencial \u00e9 que a interven\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o ofere\u00e7a incentivos errados. Se os incentivos estivessem corretos a distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos no pa\u00eds n\u00e3o seria t\u00e3o concentrada nos grandes centros urbanos nem ter\u00edamos tantos especialistas e t\u00e3o pouco generalistas. A revis\u00e3o cr\u00edtica desses incentivos (ou desincentivos) deve come\u00e7ar nos cursos de forma\u00e7\u00e3o, estender-se \u00e0 resid\u00eancia m\u00e9dica e, finalmente, ao jovem m\u00e9dico ingresso no mercado de trabalho. Como estimular, ent\u00e3o, a oferta de mais m\u00e9dicos, em geral, e de mais m\u00e9dicos cl\u00ednicos, em particular? Como aproximar os servi\u00e7os m\u00e9dicos da popula\u00e7\u00e3o que vive nas periferias das grandes cidades e no interior do pa\u00eds? Cabe aos especialistas em pol\u00edticas de sa\u00fade responder a essas quest\u00f5es. Entretanto, n\u00e3o compete somente ao poder p\u00fablico contribuir para a formula\u00e7\u00e3o correta das pol\u00edticas de sa\u00fade. Os m\u00e9dicos, por meio de propostas e iniciativas dos seus conselhos e associa\u00e7\u00f5es, t\u00eam um papel importante a cumprir. Assim, n\u00e3o contribuem para melhorar a pol\u00edtica de sa\u00fade: i) o Ato M\u00e9dico, parcialmente e corretamente vetado pela Presidente da Rep\u00fablica; ii) a resist\u00eancia dissimulada \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, e iii) a cria\u00e7\u00e3o de uma carreira de estado para m\u00e9dicos do SUS.<\/p>\n<p>O Ato M\u00e9dico, na vers\u00e3o aprovada pelo Congresso Nacional, era destinado a criar ainda mais escassez e a atender interesses corporativos da classe m\u00e9dica, criando reserva de mercado, n\u00e3o apenas para algumas pr\u00e1ticas da sa\u00fade, mas tamb\u00e9m para a sua gest\u00e3o, uma regula\u00e7\u00e3o que coloca os interesses da categoria acima do interesse da sociedade.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, dissimulada com o argumento correto do Revalida que testa o conhecimento dos estrangeiros para poder praticar medicina no pa\u00eds, restringe ainda mais a oferta de servi\u00e7os m\u00e9dicos no curto prazo. A experi\u00eancia internacional referenda a importa\u00e7\u00e3o deste tipo de profissionais da sa\u00fade e ela deve ser buscada se os m\u00e9dicos brasileiros n\u00e3o ocuparem seus espa\u00e7os como profissionais e cidad\u00e3os de um pa\u00eds ainda profundamente injusto.<\/p>\n<p>Por fim, a demanda por uma carreira de estado assenta-se na estabilidade do emprego, inimiga da efici\u00eancia, geradora da acomoda\u00e7\u00e3o e fonte de ainda maior corporativismo. Os m\u00e9dicos deveriam ter um plano de cargos e sal\u00e1rios recompensador com base no m\u00e9rito e lastreado na CLT. Caso n\u00e3o correspondessem \u00e0s suas responsabilidades profissionais seriam substitu\u00eddos ap\u00f3s os ritos legais como a grande maioria dos trabalhadores brasileiros. A carreira de estado para m\u00e9dicos criaria mais uma corpora\u00e7\u00e3o, dentro do setor p\u00fablico, a demandar cada vez mais direitos e a cumprir cada vez menos os seus deveres.<\/p>\n<p><em><\/em><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/doctors.png\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escreve Jorge Jatob\u00e1, da CEPLAN \u00a0Consultoria Econ\u00f4mica e Planejamento de Recife: A Escassez de M\u00e9dicos A escassez \u00e9 central ao conceito da Economia. Se o pre\u00e7o n\u00e3o racionar um bem ou servi\u00e7o, a fila o far\u00e1. Quanto maior a escassez, maior \u00e9 o pre\u00e7o. 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