{"id":4747,"date":"2013-12-08T20:05:52","date_gmt":"2013-12-08T23:05:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4747"},"modified":"2013-12-09T07:04:32","modified_gmt":"2013-12-09T10:04:32","slug":"andre-portela-sobre-o-pisa-2012-melhorou-a-educacao-ou-so-o-fluxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/andre-portela-sobre-o-pisa-2012-melhorou-a-educacao-ou-so-o-fluxo\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Portela sobre o PISA 2012: melhorou a educa\u00e7\u00e3o ou s\u00f3 o fluxo?"},"content":{"rendered":"<p><em>Escreve Andr\u00e9 Portela:<\/em><\/p>\n<p>Animado pela discuss\u00e3o no seu blog e em especial pelos pontos levantados por Jo\u00e3o Batista Oliveira, eu gostaria de acrescentar alguns coment\u00e1rios sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos desempenhos dos alunos brasileiros nos exames do PISA. Embora eles n\u00e3o respondam \u00e0 sua indaga\u00e7\u00e3o inicial sobre as diferen\u00e7as das evolu\u00e7\u00f5es entre matem\u00e1tica e leitura, elas indicam algumas hip\u00f3teses para a explica\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m eu gostaria de me ater aqui aos pontos levantados pelo Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p>Ao preparar meus coment\u00e1rios para o debate da divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos resultados do PISA no Brasil nesta \u00faltima sexta-feira 06 de dezembro na FGV, tive acesso \u00e0 nota redigida pela OCDE sobre os resultados brasileiros e divulgada ao p\u00fablico em geral bem como ao relat\u00f3rio sobre o Brasil. Como se sabe, esses documentos concluem dois pontos: (i) os alunos Brasileiros continuam com desempenhos bem abaixo do desempenho m\u00e9dio dos alunos dos pa\u00edses da OCDE; e (ii) as novas gera\u00e7\u00f5es de alunos Brasileiros foram as que apresentaram os maiores ganhos em profici\u00eancia na \u00faltima d\u00e9cada. Em rela\u00e7\u00e3o a este \u00faltimo ponto, os pr\u00f3prios documentos da OCDE afirmam que praticamente todo o aumento em leitura entre 2000 e 2012 \u00e9 devido \u00e0s melhorias das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e culturais das fam\u00edlias dos estudantes. Ademais, cerca de metade do ganho em matem\u00e1tica entre 2003 e 2012 e metade da melhoria em ci\u00eancias entre 2006 e 2012 s\u00e3o atribu\u00eddas a essas mesmas melhorias do background familiar. O que me levou a concluir que boa parte dos ganhos de profici\u00eancia deve ser atribu\u00edda \u00e0 melhoria geral das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas do pa\u00eds vivenciadas na \u00faltima d\u00e9cada. Como j\u00e1 muito bem documentado no Brasil e no mundo, melhores condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas das fam\u00edlias se refletem em melhores resultados educacionais dos seus filhos e filhas. Ser\u00e1 que as nossas escolas apenas surfaram na melhoria geral das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas das fam\u00edlias?<\/p>\n<p>Instigado por esta quest\u00e3o, resolvi buscar mais elementos para aclarar essa d\u00favida. Em primeiro lugar, seguir os seus passos (e do Rubem Klein) e examinei os resultados dos alunos da 8\u00aa s\u00e9rie\/9\u00ba ano das escolas p\u00fablicas do SAEB\/Prova Brasil. Eles tamb\u00e9m apresentam melhoras paulatinas a partir de 2001. Fiz um simples exerc\u00edcio de decomposi\u00e7\u00e3o entre os anos de 2001 e 2011. Verifiquei as composi\u00e7\u00f5es et\u00e1rias dos alunos na 8\u00aa s\u00e9rie\/9\u00ba ano nesses dois anos e calculei as profici\u00eancias m\u00e9dias por idade. Elas est\u00e3o representadas nos gr\u00e1ficos abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Matem\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-4751\" alt=\"portela1\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela1-1024x600.jpg\" width=\"502\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela1-1024x600.jpg 1024w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela1-300x175.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela1.jpg 1477w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 85vw, 502px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-4752\" alt=\"portela2\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela2-1024x600.jpg\" width=\"502\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela2-1024x600.jpg 1024w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela2-300x175.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/portela2.jpg 1477w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 85vw, 502px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como se v\u00ea, as profici\u00eancias m\u00e9dias por idade praticamente n\u00e3o se alteraram ao longo do tempo tanto em matem\u00e1tica quanto portugu\u00eas. Toda a melhoria \u00e9 explicada pelo efeito composi\u00e7\u00e3o. A redu\u00e7\u00e3o da distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie explica todos os ganhos em profici\u00eancia entre esses dois anos. Ser\u00e1 que a melhoria do fluxo escolar se deve mais \u00e0s melhorias condi\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias ou das escolas? Ainda n\u00e3o tive tempo de examinar mais detidamente esta quest\u00e3o, mas aqui j\u00e1 fica uma conclus\u00e3o: o ganho em profici\u00eancia n\u00e3o se deveu a melhoria da qualidade do ensino em si. Mesmo entre os alunos em idade correta n\u00e3o se verificam ganhos em profici\u00eancia m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Fiz tamb\u00e9m o mesmo exerc\u00edcio para os resultados do PISA. No relat\u00f3rio sobre o Brasil me deparei com o gr\u00e1fico abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/poretla4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-4754\" alt=\"poretla4\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/poretla4-1024x548.jpg\" width=\"502\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/poretla4-1024x548.jpg 1024w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/poretla4-300x160.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/poretla4.jpg 1477w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 85vw, 502px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o a maior propor\u00e7\u00e3o dos alunos do exame no PISA no 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio em 2012. Fiquei com algumas d\u00favidas: (i) qual de fato \u00e9 a amostra do PISA 2012? (ii) Como ela se compara com a amostra de 2000 ou 2003? As amostras s\u00e3o tais que nos permitem comparar as m\u00e9dias entre esses anos? Como ainda n\u00e3o tive tempo de examinar essas quest\u00f5es, dei o benef\u00edcio da d\u00favida \u00e0 OCDE (afinal eles mesmos fazem essas compara\u00e7\u00f5es) e segui em frente.<\/p>\n<p>Sob a hip\u00f3tese de que as amostras s\u00e3o compar\u00e1veis, os exerc\u00edcios de decomposi\u00e7\u00e3o mostram que todo ganho em leitura e ci\u00eancias no PISA entre 2003 e 2012 se deve \u00e0 melhoria do fluxo escolar. E mais da metade do ganho em matem\u00e1tica no per\u00edodo se deve a esta redu\u00e7\u00e3o da distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie. (Note que se a amostra de 2012 representa desproporcionalmente os alunos no 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, os ganhos podem ser menores do que os observados nesses dados.)<\/p>\n<p>Assim, com esse tratamento das informa\u00e7\u00f5es da Prova Brasil e do PISA conclui que todo o ganho em leitura e metade do ganho em matem\u00e1tica foi devido \u00e0 melhoria do fluxo escolar. Por tabela chego a uma hip\u00f3tese para responder a sua pergunta: ser\u00e1 que o aprendizado de matem\u00e1tica \u00e9 muito mais sens\u00edvel \u00e0 distor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie que o aprendizado de portugu\u00eas?<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o quero desviar nesse momento do ponto da qualidade em si da educa\u00e7\u00e3o. Vamos supor que a compara\u00e7\u00e3o entre as amostras sejam poss\u00edveis, que o Brasil corrija o fluxo escolar totalmente e que as profici\u00eancias m\u00e9dias de todos os alunos brasileiros com 15 anos de idade sejam as profici\u00eancias m\u00e9dias observadas do PISA 2012 para aqueles que est\u00e3o no 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio. O Brasil passaria da posi\u00e7\u00e3o 59 para a posi\u00e7\u00e3o 51 em matem\u00e1tica (entre Chile e Tail\u00e2ndia); da posi\u00e7\u00e3o 55 para a 44 em leitura (igual \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de Chipre), e da posi\u00e7\u00e3o 59 para a 50 em Ci\u00eancias (a mesma de Chipre) entre os 65 pa\u00edses do PISA 2012. N\u00e3o muito promissor para apostarmos apenas na melhoria do fluxo, n\u00e3o acha?<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escreve Andr\u00e9 Portela: Animado pela discuss\u00e3o no seu blog e em especial pelos pontos levantados por Jo\u00e3o Batista Oliveira, eu gostaria de acrescentar alguns coment\u00e1rios sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos desempenhos dos alunos brasileiros nos exames do PISA. 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