{"id":4898,"date":"2014-06-30T15:50:36","date_gmt":"2014-06-30T18:50:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4898"},"modified":"2014-08-15T08:49:11","modified_gmt":"2014-08-15T11:49:11","slug":"o-ensino-medio-e-a-educacao-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/o-ensino-medio-e-a-educacao-profissional\/","title":{"rendered":"O Ensino M\u00e9dio e a Educa\u00e7\u00e3o Profissional"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4899\" aria-describedby=\"caption-attachment-4899\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4899\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/amplcapajc-724x1024.jpg\" alt=\"amplcapajc\" width=\"250\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/amplcapajc-724x1024.jpg 724w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/amplcapajc-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/amplcapajc.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 85vw, 250px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4899\" class=\"wp-caption-text\">Jornal da Ci\u00eancia<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia organizou, na primeira semana de junho de 2014, no Parque Tecnol\u00f3gico de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a Reuni\u00e3o Regional &#8220;Tecnologias para um Brasil Competitivo&#8221;. Dentro da programa\u00e7\u00e3o, foi organizada a mesa redonda Educa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas tecnol\u00f3gicas: desafios e propostas, coordenada pela profa. Lisbeth K. Cordani, conselheira da SBPC,\u00a0com a participa\u00e7\u00e3o de \u00a0Luis Roberto Camargo Ribeiro,\u00a0Vanderl\u00ed Fava de Oliveira e \u00a0Simon Schwartzman. O resumo de minha apresenta\u00e7\u00e3o pode ser visto abaixo, e o\u00a0conjunto das apresenta\u00e7\u00f5es foi publicado pelo Jornal da Ci\u00eancia da SBPC no. \u00a04978, de 26 de junho de 2014, dispon\u00edvel aqui.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Ensino m\u00e9dio e a educa\u00e7\u00e3o profissional no Brasil (Simon Schwartzman)<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto que, em todo o mundo, o ensino t\u00e9cnico profissional de n\u00edvel m\u00e9dio \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para estudantes que n\u00e3o querem ou n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de seguir uma carreira universit\u00e1ria, no Brasil ele s\u00f3 \u00e9 aceito como uma forma\u00e7\u00e3o adicional, feita de forma integrada ao ensino regular, concomitante (quando em outra institui\u00e7\u00e3o) ou subsequente (quando feita depois). Este formato tem uma nobre inten\u00e7\u00e3o, que \u00e9 garantir a todos uma mesma educa\u00e7\u00e3o ampla e de qualidade, mas o resultado \u00e9 desastroso. Hoje, menos de 15% dos estudantes brasileiros de n\u00edvel m\u00e9dio est\u00e3o em cursos t\u00e9cnicos, comparado com percentagens muito maiores em outros pa\u00edses; e a maioria \u00e9 de pessoas mais velhas que est\u00e3o em cursos &#8220;subsequentes&#8221;, o que significa que muito provavelmente j\u00e1 se esqueceram ou n\u00e3o se beneficiaram do curso m\u00e9dio que foram obrigados a fazer anos atr\u00e1s. E, como mostram as provas do ENEM e outras avalia\u00e7\u00f5es, a grande maioria dos que terminam o ensino m\u00e9dio n\u00e3o tem o m\u00ednimo de qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para entrar em um curso superior de qualidade ou entrar no mercado de trabalho bem capacitados.<\/p>\n<p>Um encaminhamento adequado para este problema requer, primeiro, reduzir drasticamente a carga de mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias do ensino m\u00e9dio, permitindo que os estudantes possam fazer op\u00e7\u00f5es. Segundo, e ao mesmo tempo, transformar o ENEM, de exame \u00fanico, em um conjunto de exames separados (de compet\u00eancias em linguagem, matem\u00e1tica, ci\u00eancias biol\u00f3gicas, ci\u00eancias f\u00edsicas e ci\u00eancias sociais, por exemplo) permitindo que os estudantes optem por uma ou duas. Terceiro, permitir que o ensino t\u00e9cnico seja uma op\u00e7\u00e3o alternativa ao ensino m\u00e9dio convencional, e n\u00e3o um mero ap\u00eandice, proporcionando um diploma v\u00e1lido de n\u00edvel m\u00e9dio e acesso ao ensino superior.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o e fortalecimento do ensino t\u00e9cnico requer aten\u00e7\u00e3o especial para que ele n\u00e3o se transforme, simplesmente, em uma educa\u00e7\u00e3o de segunda classe para pessoas menos favorecidas. V\u00e1rias a\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias para isto. Primeiro, assegurar que as compet\u00eancias de uso da l\u00edngua e da matem\u00e1tica continuem a ser desenvolvidas, se poss\u00edvel de forma integrada com o objeto das \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o profissional. Segundo, desenvolver um sistema pr\u00f3prio de certifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias profissionais, que tenha validade igual \u00e0 do ENEM, e terceiro, abrir espa\u00e7o para que os formados pelos cursos t\u00e9cnicos continuem a estudar se assim o quiserem no n\u00edvel superior, em cursos tecnol\u00f3gicos ou de outros tipos.<\/p>\n<p>Esta transforma\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio deve estar associada a mudan\u00e7as importantes tamb\u00e9m no n\u00edvel superior. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 prev\u00ea a exist\u00eancia de &#8220;cursos tecnol\u00f3gicos&#8221; de n\u00edvel superior de curta dura\u00e7\u00e3o, como os das FATECs do Centro Paula Souza em S\u00e3o Paulo, mas estes cursos t\u00eam pouca demanda, por algumas raz\u00f5es. Primeiro, eles s\u00e3o um beco sem sa\u00edda, e n\u00e3o permitem que os alunos continuem estudando e se capacitando em cursos universit\u00e1rios plenos se assim o desejarem. Segundo, eles t\u00eam baixo prest\u00edgio, e t\u00eam o mercado de trabalho limitado muitas vezes por barreiras postas pelas corpora\u00e7\u00f5es profissionais de n\u00edvel universit\u00e1rio. Terceiro, eles deveriam ser alimentados em boa parte por estudantes oriundos de alunos dos cursos t\u00e9cnicos de n\u00edvel m\u00e9dio, que, no entanto, n\u00e3o conseguem se desenvolver. A solu\u00e7\u00e3o hoje adotada pelos pa\u00edses europeus, e j\u00e1 experimentada em parte no Brasil, \u00e9 o chamado &#8220;modelo de Bologna&#8221;, em que a educa\u00e7\u00e3o superior inicial \u00e9 de 3 anos, podendo ser t\u00e9cnico-profissional ou de forma\u00e7\u00e3o geral e prepara\u00e7\u00e3o para mestrados profissionais de um ou dois anos ou doutorados e estudos avan\u00e7ados de 3 a 5 anos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o governo brasileiro tem colocado \u00eanfase no PRONATEC, um programa de alto perfil e grande financiamento administrado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o que oferece financiamento de todo tipo para ensino t\u00e9cnico e profissional, de cursos de curta dura\u00e7\u00e3o a cursos regulares, no setor p\u00fablico, no sistema S e no setor privado. Um dos programas do PRONATEC \u00e9 o SISUTEC, dentro do qual o governo federal compra vagas para cursos t\u00e9cnicos de n\u00edvel m\u00e9dio no setor privado e no sistema S para pessoas que fizeram o ENEM, mas n\u00e3o conseguiram ser admitidos no ensino superior. A nova \u00eanfase no ensino t\u00e9cnico e profissional \u00e9 bem vinda, mas experi\u00eancias anteriores indicam que o simples aumento da oferta n\u00e3o garante\u00a0os resultados esperados, se ele vem desvinculado de um tratamento adequado dos problemas institucionais do ensino t\u00e9cnico indicados anteriormente, e sem uma avalia\u00e7\u00e3o adequada da qualidade dos provedores e das demandas do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Isto coloca os seguintes desafios:\u00a0\u00a01)<strong> alterar a organiza\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica do ensino m\u00e9dio,<\/strong> permitindo op\u00e7\u00f5es e abrindo espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o profissional desvinculada do curr\u00edculo m\u00e9dio geral; 2) <strong>alterar o ENEM,<\/strong> criando op\u00e7\u00f5es para os estudantes, e criando certifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para cursos m\u00e9dios t\u00e9cnicos: 3)<strong> refor\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de n\u00edvel superior,<\/strong> permitindo que seja entendida tanto quanto forma\u00e7\u00e3o terminal quanto como prepara\u00e7\u00e3o para estudos superiores mais avan\u00e7ados; 4) <strong>avan\u00e7ar na implanta\u00e7\u00e3o do Modelo de Bologna<\/strong>, permitindo que todos os estudantes de n\u00edvel superior obtenham um primeiro diploma em 3 anos, e continuando a partir da\u00ed com o leque de especializa\u00e7\u00f5es e aprofundamentos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia organizou, na primeira semana de junho de 2014, no Parque Tecnol\u00f3gico de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a Reuni\u00e3o Regional &#8220;Tecnologias para um Brasil Competitivo&#8221;. 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