{"id":4991,"date":"2014-10-15T08:25:31","date_gmt":"2014-10-15T11:25:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=4991"},"modified":"2014-10-15T09:37:44","modified_gmt":"2014-10-15T12:37:44","slug":"ensino-medio-e-profissional-quais-sao-os-fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ensino-medio-e-profissional-quais-sao-os-fatos\/","title":{"rendered":"Ensino M\u00e9dio e Profissional: quais s\u00e3o os fatos?"},"content":{"rendered":"<p>No debate dos candidatos da TV Bandeirantes, em 14 de outubro, a candidata Dilma Rousseff\u00a0acusou\u00a0governo do PSDB de ter proibido\u00a0o ensino t\u00e9cnico, falou dos milh\u00f5es que est\u00e3o hoje matriculados no ensino t\u00e9cnico gra\u00e7as ao PRONATEC, e \u00a0da necessidade de reduzir o n\u00famero de mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias do ensino m\u00e9dio. \u00c9 bom que este assunto finalmente chegue \u00e0 campanha presidencial, mas \u00e9 importante tamb\u00e9m entender o que est\u00e1 de fato ocorrendo.<\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio lembrar\u00a0que a express\u00e3o \u201censino t\u00e9cnico\u201dou profissional pode significar coisas muito distintas, desde cursos t\u00e9cnicos de curta dura\u00e7\u00e3o, como os oferecidos pelo SENAI e outras institui\u00e7\u00f5es, at\u00e9 os cursos integrados ao n\u00edvel m\u00e9dio e superior. Os cursos profissionalizantes que fazem parte do ensino m\u00e9dio s\u00e3o chamados legalmente de \u201ct\u00e9cnicos\u201d, e os de n\u00edvel superior, de curta dura\u00e7\u00e3o, s\u00e3o chamados de \u201ctecnol\u00f3gicos\u201d, ainda que sejam na \u00e1rea das profiss\u00f5es sociais ou de sa\u00fade. Quando a candidata \u00a0fala dos milh\u00f5es matriculados pelo PRONATEC sem distinguir uma coisa da outra, \u00a0fica imposs\u00edvel saber do que est\u00e1 falando. O site do PRONATEC na Internet lista os diferentes tipos de financiamento que o governo est\u00e1 oferecendo, mas n\u00e3o d\u00e1 os dados de quantos est\u00e3o matriculados e se formando nas diferentes modalidades.<\/p>\n<p>Dito isto, n\u00e3o \u00e9 verdade que o governo Fernando Henrique Cardoso tenha \u201cproibido\u201d o ensino t\u00e9cnico, como disse duas vezes a candidata. Ao contr\u00e1rio, em 1997 o governo FHC implantou o Programa de Expans\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Profissional \u2013 PROEP &#8211; com recursos de um empr\u00e9stimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento de 250 milh\u00f5es de d\u00f3lares e mais 250 milh\u00f5es de contrapartida para fortalecer e expandir o ensino profissional de n\u00edvel m\u00e9dio e superior. Ao mesmo tempo, o governo passou a exigir que os Centros Federais de Forma\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (CEFETS) dedicassem 50% de suas vagas para o ensino t\u00e9cnico e profissional. Antes disso, generosamente financiados pelos governos federais, estes centros proporcionavam ensino t\u00e9cnico integrado ao m\u00e9dio de tempo integral para alunos selecionados que em sua maioria se preparavam para o ensino superior, desvirtuando portanto sua fun\u00e7\u00e3o principal, que era a forma\u00e7\u00e3o de profissionais de n\u00edvel m\u00e9dio para o mercado de trabalho. O governo Lula revogou esta medida,\u00a0n\u00e3o deu continuidade ao PROEP e transformou os antigos CEFETS em Institutos Federais de n\u00edvel universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O grande problema do ensino t\u00e9cnico e profissional de n\u00edvel m\u00e9dio no Brasil \u00e9 que ele n\u00e3o \u00e9 um caminho alternativo de forma\u00e7\u00e3o para os milh\u00f5es de estudantes que n\u00e3o se interessam ou n\u00e3o est\u00e3o preparados para o ensino m\u00e9dio acad\u00eamico, como ocorre no mundo inteiro, mas sim um curso a mais que os estudantes de n\u00edvel m\u00e9dio precisam fazer, al\u00e9m de todos os cursos tradicionais, para obter um t\u00edtulo profissional deste n\u00edvel. A legisla\u00e7\u00e3o diz que estes cursos podem ser feitos de forma integrada ou subsequente ao ensino m\u00e9dio regular. O Censo Escolar de 2013 mostra que haviam no Brasil 9.1 milh\u00f5es de estudantes de n\u00edvel m\u00e9dio regular, 400 mil em cursos integrados e 1.1 milh\u00f5es em cursos m\u00e9dios profissioais, ou seja, que j\u00e1 haviam terminado o ensino m\u00e9dio e agora estavam de volta buscando uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional, tendo na pr\u00e1tica desperdi\u00e7ado tr\u00eas\u00a0ou mais anos em um ensino m\u00e9dio obsoleto e in\u00fatil. O censo tamb\u00e9m mostra que a grande maioria dos estudantes nestes cursos profissionais estavam no setor privado, com uma presen\u00e7a muito reduzida da rede federal. No n\u00edvel superior, em 2012 (\u00faltimo ano com dados dispon\u00edveis) dos 7 milh\u00f5es de alunos, somente 944 mil estavam em cursos tecnol\u00f3gicos, e destes, somente 64 mil em institui\u00e7\u00f5es federais \u2013 os antigos CEFETS.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/prof-e1413371670150.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-4992\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/prof-e1413371670150.jpg\" alt=\"prof\" width=\"622\" height=\"111\" \/><\/a><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o problema do ensino m\u00e9dio, de p\u00e9ssima qualidade e nenhum interesse para a grande maioria dos estudantes, n\u00e3o \u00e9 reduzir o n\u00famero de mat\u00e9rias, como prop\u00f5e a\u00a0candiata, tornando a forma\u00e7\u00e3o ainda mais rasa e superficial, e sim permitir que os alunos fa\u00e7am escolhas e possam se aprofundar em suas \u00e1reas de interesse, tanto de forma\u00e7\u00e3o mais geral quanto de forma\u00e7\u00e3o mais t\u00e9cnica e profissional \u2013 que \u00e9, novamente, o que acontece em praticamente todo o mundo menos no Brasil. Para agravar o problema, o governo federal fez do\u00a0ENEM um gigantesco funil, um exame vestibular que transformou, na pr\u00e1tica, todas as escolas secund\u00e1rias do pa\u00eds em cursinhos preparat\u00f3rios para este exame \u00fanico, que , em 2014, chegou a quase 9 milh\u00f5es de matriculados disputando menos de 200 mil vagas em universidades p\u00fablicas. Apresentado como um grande passo para a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o ENEM se transformou no principal instrumento de sua elitiza\u00e7\u00e3o. Para os que n\u00e3o conseguem as vagas do SISU, existe agora o pr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o do SISUTEC, que \u00e9 a possibilidade de usar a classifica\u00e7\u00e3o no ENEM para voltar ao ensino m\u00e9dio para cursos profissionais que o governo, generosamente, est\u00e1 financiando, sobretudo em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior privado com pouca ou nenhuma tradi\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia com este tipo de educa\u00e7\u00e3o e de qualidade desconhecida. Foram quase 300 mil vagas oferecidas em 2014. Que perspectivas de trabalho estas pessoas ter\u00e3o no futuro, ningu\u00e9m sabe.<\/p>\n<p>Com tantos recursos investidos no PRONATEC, criado em 2011, ele certamente ter\u00e1 alguns resultados positivos, que precisam ser bem avaliados e aperfei\u00e7oados. Mas seria de se esperar que um programa desta envergadura partisse de um entendimento mais adequado das quest\u00f5es do ensino m\u00e9dio e dos problemas e dificuldades de desenvolver o ensino profissional de qualidade, e contasse, deste o in\u00edcio, com indicadores claros que permitissem avaliar seu verdadeiro impacto.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No debate dos candidatos da TV Bandeirantes, em 14 de outubro, a candidata Dilma Rousseff\u00a0acusou\u00a0governo do PSDB de ter proibido\u00a0o ensino t\u00e9cnico, falou dos milh\u00f5es que est\u00e3o hoje matriculados no ensino t\u00e9cnico gra\u00e7as ao PRONATEC, e \u00a0da necessidade de reduzir o n\u00famero de mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias do ensino m\u00e9dio. \u00c9 bom que este assunto finalmente chegue &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/ensino-medio-e-profissional-quais-sao-os-fatos\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Ensino M\u00e9dio e Profissional: quais s\u00e3o os fatos?&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-4991","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-profissionalvocational-education"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4991","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4991"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4991\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4996,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4991\/revisions\/4996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}