{"id":5026,"date":"2014-11-18T15:03:20","date_gmt":"2014-11-18T18:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5026"},"modified":"2014-11-18T15:03:20","modified_gmt":"2014-11-18T18:03:20","slug":"jorge-jatoba-emprego-sem-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/jorge-jatoba-emprego-sem-crescimento\/","title":{"rendered":"Jorge Jatob\u00e1: Emprego sem crescimento?"},"content":{"rendered":"<p><em>O economista Jorge Jatob\u00e1 explica o que est\u00e1 acontecendo com emprego no Brasil:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Emprego sem crescimento?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5027\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/emprego-271x300.png\" alt=\"emprego\" width=\"271\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/emprego-271x300.png 271w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/emprego.png 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 271px) 85vw, 271px\" \/>Jorge Jatob\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos economistas e das ag\u00eancias nacionais e internacionais que acompanham o desempenho da economia brasileira afirmam a coexist\u00eancia incomum entre baixo crescimento e pouco desemprego. Um fen\u00f4meno curioso j\u00e1 que um fraco n\u00edvel de atividade da economia \u00e9 determinante de um baixo dinamismo no mercado de trabalho. Esse artigo ousa interpretar e esclarecer esse aparente paradoxo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, constata-se nas estat\u00edsticas do CAGED\/MTE uma clara desacelera\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de empregos na economia brasileira. A evolu\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de empregos formais acumulada em 12 meses caiu 42,3% entre janeiro de 2013 (1.267,6 mil) e agosto de 2014 (730,2 mil). Em outubro passado o saldo foi negativo em 30,3 mil empregos, o pior resultado desde 2009. Portanto, h\u00e1 dados inequ\u00edvocos de uma forte desacelera\u00e7\u00e3o e, mais recentemente, de perdas liquidas na gera\u00e7\u00e3o de empregos na economia nacional.<\/p>\n<p>A perda de empregos \u00e9 significativa na ind\u00fastria brasileira que passa por um per\u00edodo cr\u00edtico de perda de competitividade. Na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, segundo o IBGE, o n\u00edvel de emprego caiu 5,4% quando se compara agosto de 2014 com agosto de 2013. Nos 12 meses terminados em agosto, o n\u00edvel de emprego caiu 1,8% e no acumulado de 2014 (Jan-Ago) reduziu-se em 3,1%. Essa queda no n\u00edvel de emprego da ind\u00fastria n\u00e3o foi maior porque em muitos setores manufatureiros, especialmente no automotivo, as empresas cortaram horas-extras, usaram o banco de horas, deram f\u00e9rias coletivas e institu\u00edram o lay-off (suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do contrato de trabalho com remunera\u00e7\u00e3o parcial). As empresas industriais n\u00e3o demitiram massivamente ainda porque o custo de demiss\u00e3o e de recontrata\u00e7\u00e3o s\u00e3o elevados, especialmente se a decis\u00e3o de demitir n\u00e3o for calcada em uma forte percep\u00e7\u00e3o de que o mercado n\u00e3o se recuperar\u00e1 no curto prazo. A decis\u00e3o final depende do rumo que o governo reeleito dar\u00e1 \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica. Se a percep\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos for a de que n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7as significativas na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica \u00e9 poss\u00edvel que demiss\u00f5es massivas sejam concretizadas.<\/p>\n<p>Cabe perguntar se a baixa gera\u00e7\u00e3o de empregos no conjunto da economia e a perda de postos de trabalho na ind\u00fastria est\u00e3o afetando as taxas de desemprego. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o segundo a PNAD cont\u00ednua (IBGE) elevou-se de 6,2% para 7,1% entre o terceiro trimestre de 2013 e o primeiro trimestre de 2014. Essas taxas se aplicam para o conjunto do pa\u00eds e n\u00e3o apenas para as seis \u00e1reas metropolitanas pesquisadas pela PME\/IBGE onde a taxa de desemprego, em setembro de 2014, foi de apenas 4,9%, n\u00famero frequentemente citado pelo Governo Dilma para atestar que o mercado de trabalho n\u00e3o est\u00e1 sendo afetado pelo baixo crescimento.<\/p>\n<p>As taxas de desemprego est\u00e3o tamb\u00e9m historicamente menores por tr\u00eas raz\u00f5es que a afetam pelo lado da oferta. A primeira \u00e9 porque homens e mulheres h\u00e1, pelo menos duas d\u00e9cadas, resolveram ter menos filhos. Isso reduziu o crescimento populacional e imp\u00f4s um menor ritmo de expans\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Ou seja, os empregos que est\u00e3o sendo gerados v\u00e3o encontrar menos pessoas dispon\u00edveis para ocup\u00e1-los. Em segundo lugar, os jovens est\u00e3o adiando a entrada no mercado de trabalho para estudarem mais, fato a ser comemorado. Em terceiro, h\u00e1 o fen\u00f4meno dos que n\u00e3o trabalham nem estudam, cujas causas ainda est\u00e3o sendo estudadas mas que tem a ver com a atitude das fam\u00edlias com rela\u00e7\u00e3o a perman\u00eancia mais prolongada dos filhos em casa. Essas duas \u00faltimas, retiram da for\u00e7a de trabalho um contingente significativo de jovens enquanto a primeira indica, pela primeira vez na hist\u00f3ria recente do mercado de trabalho brasileiro, uma escassez geral de m\u00e3o de obra, n\u00e3o apenas aquela relativa ao trabalho mais qualificado.<\/p>\n<p>Portanto, o paradoxo est\u00e1 explicado pela in\u00e9rcia entre o desempenho da economia e do mercado de trabalho, pela transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e pelas expectativas com rela\u00e7\u00e3o a defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Se a crise n\u00e3o adentrou-se no mercado de trabalho, ela est\u00e1 batendo \u00e0 porta com for\u00e7a e colocando o p\u00e9 na soleira<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p>Jorge Jatob\u00e1 \u00e9 Doutor em Economia e S\u00f3cio-Diretor da Consultoria Econ\u00f4mica e Planejamento-CEPLAN. Vers\u00e3o ligeiramente diferente deste artigo foi publicada na Edi\u00e7\u00e3o N\u00ba 104 da Revista Algomais.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista Jorge Jatob\u00e1 explica o que est\u00e1 acontecendo com emprego no Brasil: Emprego sem crescimento?\u00a0 Jorge Jatob\u00e1 A maioria dos economistas e das ag\u00eancias nacionais e internacionais que acompanham o desempenho da economia brasileira afirmam a coexist\u00eancia incomum entre baixo crescimento e pouco desemprego. 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