{"id":5035,"date":"2014-12-07T12:12:00","date_gmt":"2014-12-07T15:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5035"},"modified":"2014-12-07T12:12:00","modified_gmt":"2014-12-07T15:12:00","slug":"porque-e-dificil-melhorar-a-educacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/porque-e-dificil-melhorar-a-educacao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 dificil melhorar a educa\u00e7\u00e3o no Brasil?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_5037\" aria-describedby=\"caption-attachment-5037\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/18jovens.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5037\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/18jovens-300x247.jpg\" alt=\"PNAD 2012\" width=\"300\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/18jovens-300x247.jpg 300w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/18jovens-1024x845.jpg 1024w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/18jovens.jpg 1508w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 85vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5037\" class=\"wp-caption-text\">PNAD 2012<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Porque \u00e9 dificil melhorar a educa\u00e7\u00e3o no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>(<em>publicado na Folha de S\u00e3o Paulo, 7 de dezembro de 2014)<\/em><\/p>\n<p>34% dos brasileiros, segundo pesquisa do IBOPE de 2010, consideravam a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira \u00f3tima ou boa, e 44% regular, sobrando 21% que que achavam que era p\u00e9ssima. Enquanto isto, os dados do PISA, a pesquisa international da OECD sobre a qualidade da educa\u00e7\u00e3o, mostravam que, dos 47% dos jovens de 15 anos que conseguiam chegar ao fim da escola fundamental ou in\u00edcio da m\u00e9dia, 67% n\u00e3o tinham os conhecimentos m\u00ednimos de matem\u00e1tica esperados para a s\u00e9rie, 18.8% n\u00e3o tinham a capacidade m\u00ednima de leitura, e 54% n\u00e3o dominavam os conceitos b\u00e1sicos de ci\u00eancia. Os outros 53% tinham ficado para tr\u00e1s, ou desistido de estudar. Aos 18 anos, em 2012, somente 29% dos jovens haviam conseguido chegar ao ultimo ano do ensino m\u00e9dio ou haviam entrado no ensino superior, e metade j\u00e1 havia deixado de estudar. Quem olha os dados v\u00ea a trag\u00e9dia que est\u00e1 ocorrendo, mas a maioria da popula\u00e7\u00e3o, talvez por ter conhecido dias piores, n\u00e3o enxerga o problema.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as come\u00e7am a desenvolver vocabul\u00e1rio e capacidade de lidar com n\u00fameros muito cedo, junto com o desenvolvimento emocional, e se o ambiente familiar n\u00e3o favorecer, elas podem ficar prejudicadas por toda a vida. Uma boa pr\u00e9-escola pode ajudar, se n\u00e3o for simplesmente um dep\u00f3sito de crian\u00e7as para as m\u00e3es que trabalham. Aos 6-7 anos, todas as crian\u00e7as deveriam estar lendo fluentemente, se os professores estivessem presentes e usassem os m\u00e9todos adequados de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Mas os professores n\u00e3o sabem, ou s\u00e3o contra estes m\u00e9todos, e muitos estudantes permanecem para sempre analfabetos funcionais .<\/p>\n<p>Nos primeiros cinco anos da escola fundamental, o antigo prim\u00e1rio, os estudantes dependem de um \u00fanico professor ou professora, que deveria enriquecer o vocabul\u00e1rio e a capacidade de leitura das crian\u00e7as, familiariz\u00e1-las com o uso dos n\u00fameros e introduzir os conceitos e ideias iniciais das ci\u00eancias naturais hist\u00f3ria e geografia. Professores e professoras, como pessoas, s\u00e3o modelos de adultos que as crian\u00e7as v\u00e3o rejeitar ou emular. Mas muitas vezes estes professores n\u00e3o dominam os conte\u00fados que devem ensinar, n\u00e3o passaram por um bom curso aonde aprenderam as melhores pr\u00e1ticas de ensino, e n\u00e3o conseguem estabelecer com os alunos a rela\u00e7\u00e3o emocional e de trabalho sem a qual a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece. A partir da 6<sup>a<\/sup> s\u00e9rie esta pessoa de refer\u00eancia desaparece, sendo substiuida por diferentes professores de portugu\u00eas, matem\u00e1tica, hist\u00f3ria, ci\u00eancias e tantos outros, cada um com suas qualidades e defeitos, nem sempre bem formados.<\/p>\n<p>Com onze anos, resta ao aluno achar o seu caminho neste emaranhado. Se ele chegou bem at\u00e9 a\u00ed, e se a fam\u00edlia puder ajudar, ele consegue ir adiante, estudando mais algumas mat\u00e9rias do que outras, quem sabe se interessando por algumas, e decorando o que precisa para passar de ano. Aos 16-17come\u00e7a a treinar para o ENEM, cujos resultados s\u00e3o conhecidos de antem\u00e3o: os alunos de boas esolas privadas ou das poucas escolas p\u00fablicas seletivas, que v\u00eam de fam\u00edlias mais educadas, conseguem boas notas e uma das 200 mil vagas em universidades p\u00fablicas que s\u00e3o oferecidas a cada ano. Aos demais \u2013 cerca de 8 milh\u00f5es \u2013 cabe quem sabe a chance de voltar para o ensino m\u00e9dio para um curso do PRONATEC ou se matricular em uma faculdade particular paga e de qualidade desconhecida. \u00a0A grande maioria, no entanto, n\u00e3o chega l\u00e1: n\u00e3o entende bem o que est\u00e1 fazendo escola, n\u00e3o consegue acompanhar os cursos, e, quando chega aos 14 ou 15 anos, desiste de estudar.<\/p>\n<p>As escolas n\u00e3o podem, sozinhas, corrigir as grandes desigualdades socioeconomicas da sociedade, nem as grandes diferen\u00e7as de interesse, motiva\u00e7\u00e3o e talento que existem em todos os n\u00edveis sociais, mas podem ajudar muito, se funcionarem como devem. Anos de pesquisa no Brasil e no mundo j\u00e1 permitem saber o que faz uma boa escola e um bom sistema de ensino. N\u00e3o existe bala de prata, mas v\u00e1rias coisas que precisam ser feitas ao mesmo tempo. A escola precisa ser uma comunidade viva e comprometida com seus fins, e para isto precisa de um diretor que entenda sua miss\u00e3o, seja capaz de liderar os professores, se relacionar bem com a comunidade em volta, e mostrar resultados. Os professores precisam conhecer bem o que devem ensinar, dominar as t\u00e9cnicas e procedimentos pedag\u00f3gicos adequados a cada n\u00edvel de ensino, gostar e estar comprometidos com os resultados de seu trabalho. Os alunos precisam encontrar na escola um ambiente agrad\u00e1vel e estimulante, e ter a possibilidade de um atendimento individualizado, na medida de suas necessidades; e o tempo de perman\u00eancia das crian\u00e7as na escola deve ser mais longo, de pelo memos 6 horas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Se, nos anos iniciais, todos os estudantes precisam passar pelo mesmo tipo de educa\u00e7\u00e3o, a partir do ensino m\u00e9dio \u00e9 preciso entender que eles s\u00e3o diferentes, e organizar o sistema educativo para lidar com estas diferen\u00e7as. O currulo do ensino m\u00e9dio brasileiro, com 15 ou mais disciplinas obrigat\u00f3rias, \u00e9 claramente um absurdo, mas a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fazer um curriculo mais \u201cenxuto\u201d ou \u201c interdisciplinar\u201d e sim abrir a possibilidade de escolhas e modernizar os conte\u00fados.<\/p>\n<p>Algumas competencias mais gerais, como as de escrita e a leitura, o raciocinio matem\u00e1tico e o aprendizado de ingl\u00eas, precisam ser refor\u00e7adas para todos, ainda que adaptadas aos diversos perfis de forma\u00e7\u00e3o. Para os que pretendem se candidatar \u00e0 universidade, deve ser poss\u00edvel se aprofundar em temas nas \u00e1reas de interesse principal \u2013 qu\u00edmica, eletr\u00f4nica, computa\u00e7\u00e3o, biologia, meio ambiente, estat\u00edstica, direito, economia. \u00a0Para a grande maioria, que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o querem cursos universit\u00e1rios tradicionais, devem haver cursos t\u00e9cnicos de qualidade, em \u00e1reas como servi\u00e7os de sa\u00fade, processamento de dados, mec\u00e2nica, eletr\u00f4nica e outros, que garantam uma certifica\u00e7\u00e3o reconhecida pelo mercado de trabalho e ao mesmo tempo um t\u00edtulo de n\u00edvel m\u00e9dio que permita continuar os estudos depois em cursos superiores ou tecnol\u00f3gicos mais avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>O ensino t\u00e9cnico e profissional s\u00f3 pode dar certo se contar com a participa\u00e7\u00e3o ativa do setor empresarial, ajudando a formular os curr\u00edculos, oferecendo equipamentos para as escolas, participando dos sistemas de certifica\u00e7\u00e3o profissional e oferecendo oportunidades de aprendizagem pr\u00e1tica supervisionada, que \u00e9 muito diferente do uso de estagi\u00e1rios como m\u00e3o de obra barata. O ENEM precisa ser substituido por certifica\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos diferentes tipos de forma\u00e7\u00e3o seguidas pelos alunos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 como passar da situa\u00e7\u00e3o atual para esta que seria desej\u00e1vel. Para isto \u00e9 preciso recursos, mas, sobretudo, \u00e9 necess\u00e1rio vencer as barreiras mentais e os interesses corporativos que impedem que as melhores solu\u00e7\u00f5es sejam buscadas, e, principalmente, que a o popula\u00e7\u00e3o deixe de ser tolerante com a p\u00e9ssima qualidade da educa\u00e7\u00e3o que temos hoje, e comece a exigir resultados.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque \u00e9 dificil melhorar a educa\u00e7\u00e3o no Brasil? 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