{"id":5071,"date":"2015-01-25T07:07:14","date_gmt":"2015-01-25T10:07:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5071"},"modified":"2015-01-25T07:07:14","modified_gmt":"2015-01-25T10:07:14","slug":"depois-da-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/depois-da-universidade\/","title":{"rendered":"Depois da Universidade"},"content":{"rendered":"<p><em>(Publicado na <strong>Folha de S\u00e3o Paulo<\/strong>, 25 de janeiro de 2015)<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-5072\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/2010.03.25-300x299-150x150.jpg\" alt=\"2010.03.25-300x299\" width=\"207\" height=\"207\" \/><\/em><\/p>\n<p>Dizem que, nos velhos tempos, os jovens escolhiam um curso universit\u00e1rio conforme sua voca\u00e7\u00e3o, e com isto sua vida profissional estava definida \u2013 advogado, m\u00e9dico, dentista, arquiteto, engenheiro, professor&#8230;<\/p>\n<p>Se era assim, n\u00e3o \u00e9 mais. As pessoas continuam tendo diferentes prefer\u00eancias e pendores, mas o que v\u00e3o estudar depende sobretudo das oportunidades que tiveram no ensino m\u00e9dio, o que depende, por sua vez, das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e da educa\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias. Exceto em carreiras tradicionais e de dif\u00edcil acesso como as engenharias, medicina e odontologia, os formados t\u00eam 50% ou menos de chance de trabalhar nas \u00e1reas em que graduaram. A \u00e1rea de direito, com 770 mil alunos matriculados em 2013, \u00e9 t\u00edpica: somente um quarto, se tanto, dos formados, consegue passar na prova da OAB, e a grande maioria jamais poder\u00e1 exercer a profiss\u00e3o. Ter um t\u00edtulo universit\u00e1rio em qualquer \u00e1rea ainda traz melhores condi\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho, mas \u00e9 uma vantagem que vem se reduzindo. Em 2004 a renda mensal de quem tinha curso superior era na m\u00e9dia tr\u00eas vezes maior do que a dos que s\u00f3 tinham n\u00edvel secund\u00e1rio; em 2013, cerca de duas vezes e meia. Em 2013, cerca de 30% das pessoas com educa\u00e7\u00e3o superior trabalhavam em atividades t\u00e9cnicas, administrativas e comerciais de n\u00edvel m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Da\u00ed a demanda por cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ou educa\u00e7\u00e3o continuada: a busca por uma qualifica\u00e7\u00e3o diferenciada, que possa trazer uma renda mais alta, menos incerteza no mercado de trabalho e maior possibilidade de trabalhar em sua \u00e1rea de escolha, e que possa manter os conhecimentos atualizados. A pesquisa domiciliar do IBGE identificou, em 2013, 387 mil pessoas fazendo cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, bem mais do que os registrados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para 2012: 80 mil em cursos de doutorado, 110 mil em cursos de mestrado acad\u00eamico, e 14 mil em mestrados profissionais. Os 183 mil detectados pelo IBGE mas n\u00e3o pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que buscam cursos como os MBA e especializa\u00e7\u00f5es profissionais, que n\u00e3o s\u00e3o regulados nem entram nas estat\u00edsticas do Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Nosso sistema de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o vem da d\u00e9cada de 60, quando o governo tentou trazer para o Brasil o modelo das\u00a0universidades de pesquisa americanas e criou os mestrados e doutorados para formar professores e pesquisadores acad\u00eamicos, regulados pela CAPES. O que n\u00e3o entenderam foi que a grande maioria dos estudantes americanos n\u00e3o vai para estas universidades famosas e sim para os \u201ccolleges\u201d de dois ou quatro anos, e que a maioria dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, l\u00e1 como na Europa, s\u00e3o programas de qualifica\u00e7\u00e3o profissional, e n\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o docente como aqui. O resultado foi o desenvolvimento de uma pos-gradua\u00e7\u00e3o que n\u00e3o olha para o mercado de trabalho, ao lado da prolifera\u00e7\u00e3o de cursos de MBA e especializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o regulados, alguns excelentes, mas a maioria de qualidade desconhecida.<\/p>\n<p>Formar doutores \u00e9 importante. Mas ser\u00e1 que precisamos tantos mestrados acad\u00eamicos assim, ou est\u00e1 na hora de come\u00e7ar a mudar?<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Publicado na Folha de S\u00e3o Paulo, 25 de janeiro de 2015) Dizem que, nos velhos tempos, os jovens escolhiam um curso universit\u00e1rio conforme sua voca\u00e7\u00e3o, e com isto sua vida profissional estava definida \u2013 advogado, m\u00e9dico, dentista, arquiteto, engenheiro, professor&#8230; Se era assim, n\u00e3o \u00e9 mais. 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