{"id":51,"date":"2006-04-02T21:52:00","date_gmt":"2006-04-03T00:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=51"},"modified":"2018-05-20T05:03:42","modified_gmt":"2018-05-20T08:03:42","slug":"fernando-henrique-e-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/fernando-henrique-e-a-educacao\/","title":{"rendered":"Fernando Henrique e a Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 a primeira vez, acho, que leio algo de Fernando Henrique Cardoso sobre educa\u00e7\u00e3o, no artigo \u201cFazer a Diferen\u00e7a\u201d, publicado hoje, 2 de abril, no <span style=\"font-style: italic;\">O Globo<\/span> e outros jornais. Ele tem toda a raz\u00e3o em dizer que s\u00e3o temas como este devem ser discutidos na campanha eleitoral, em vez de ataques pessoais ou querelas ideol\u00f3gicas vazias.<\/p>\n<p>No entanto, acho que ele se equivoca em dois pontos fundamentais. Primeiro, ao criticar o governo por ter levantado a quest\u00e3o sobre os m\u00e9todos de alfabetiza\u00e7\u00e3o e materiais did\u00e1ticos, que ele desqualifica como \u201cdiscuss\u00e3o est\u00e9ril\u201d.  Eu tenho criticado muitas coisas feitas pelo atual governo na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, e por isto me sinto \u00e0 vontade para dizer que, longe de ser uma discuss\u00e3o est\u00e9ril, \u00e9 um tema de import\u00e2ncia fundamental, e o Ministro Fernando Haddad foi muito corajoso ao colocar na mesa um tema que em sido tabu na educa\u00e7\u00e3o brasileira, por causa das ideologias pedag\u00f3gicas dominantes. A percentagem de crian\u00e7as que passam pelas escolas e permanecem analfabetas no Brasil \u00e9 alt\u00edssima, e isto tem muito a ver com os m\u00e9todos equivocados, ou falta de m\u00e9todos, no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Existe s\u00f3lida evid\u00eancia em todo o mundo de que o m\u00e9todo f\u00f4nico produz melhores resultados, sobretudo para crian\u00e7as que v\u00eam de fam\u00edlias mais pobres, onde os pais n\u00e3o conseguem suprir a m\u00e1 qualidade das escolas. Vejam, por exemplo, o que diz o National Reading Panel, dos Estados Unidos:<\/p>\n<p><span style=\"font-size:85%;\">The meta-analysis revealed that systematic phonics instruction produces significant benefits for students in kindergarten through 6th grade and for children having difficulty learning to read. The ability to read and spell words was enhanced in kindergartners who received systematic beginning phonics instruction. First graders who were taught phonics systematically were better able to decode and spell, and they showed significant improvement in their ability to comprehend text. Older children receiving phonics instruction were better able to decode and spell words and to read text orally, but their comprehension of text was not significantly improved. <\/span><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo sozinho, naturalmente \u2013 ele deve estar acompanhado de materiais did\u00e1ticos apropriados, e de sistemas regulares de avalia\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o de resultados. A forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 muito importante, mas n\u00e3o adianta exigir diplomas de n\u00edvel superior se os cursos n\u00e3o formam os professores com as metodologias adequadas.<\/p>\n<p>O outro equ\u00edvoco de FHC \u00e9 a \u00eanfase que ele coloca no uso de computadores nas escolas. O que se sabe \u00e9 que, se a escola \u00e9 de boa qualidade, o computador pode ser um instrumento de trabalho importante para o aluno; se a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e1, o uso do computador se transforma em um fim em si mesmo, que pouco ou nada acrescenta.  Programas de introdu\u00e7\u00e3o de computadores em escolas s\u00e3o necessariamente caros, despertam o interesse e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos <span style=\"font-style: italic;\">lobbies <\/span>de venda de equipamento e sistemas, mas seu uso n\u00e3o \u00e9 nada trivial, e seu impacto tende a ser muito pequeno. Eis como uma autora resume a quest\u00e3o, a partir de dois livros sobre o assunto:<\/p>\n<p><span style=\"font-size:85%;\">With the advent of new technological advances, teachers can become facilitators of learning in a resource-rich environment rather than disseminators of information. A problem-based, student-centered, non-linear approach to education &#8211; one that encourages students to take responsibility for learning &#8211; is in order. To make that pedagogical shift, teachers must receive quality professional development. They need to know how to infuse technology into their everyday curriculum rather than how to use particular software programs. They also need ongoing support and mentoring from instructional leaders. The thrill of using technology in the classroom is compelling. However, it must be tempered by concern for productive use and an awareness of the possible negative effects of computers on young learners. Keeping students&#8217; physical well-being in mind, teachers must carefully arrange computers in the classroom (taking ergonomics into account) and set time limits for computer use. An informed, balanced approach to technology infusion is key. (Katie Kashmanian. The Impact of Computers in Schools)<\/span><\/p>\n<p>A novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o podem ter grande impacto nas modalidades de educa\u00e7\u00e3o continuada e na educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, \u00e1reas aonde o Brasil avan\u00e7ou muito pouco at\u00e9 agora. Mas, na educa\u00e7\u00e3o fundamental, acredito que \u00e9 o contr\u00e1rio do que diz FHC: as quest\u00f5es de m\u00e9todo s\u00e3o fundamentais, e o uso de computadores, um desvio de prioridade, e muito provavelmente, um desperd\u00edcio de recursos.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 a primeira vez, acho, que leio algo de Fernando Henrique Cardoso sobre educa\u00e7\u00e3o, no artigo \u201cFazer a Diferen\u00e7a\u201d, publicado hoje, 2 de abril, no O Globo e outros jornais. 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