{"id":5112,"date":"2015-03-24T09:42:25","date_gmt":"2015-03-24T12:42:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5112"},"modified":"2015-03-24T09:49:59","modified_gmt":"2015-03-24T12:49:59","slug":"a-educacaao-superior-na-america-latina-e-os-desafios-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-educacaao-superior-na-america-latina-e-os-desafios-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"A Educa\u00e7\u00e3o Superior na Am\u00e9rica Latina e os desafios do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/memorial_capa_thumb1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-5109\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/memorial_capa_thumb1-188x300.jpg\" alt=\"memorial_capa_thumb\" width=\"261\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/memorial_capa_thumb1-188x300.jpg 188w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/memorial_capa_thumb1.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 261px) 85vw, 261px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2013 tive o privil\u00e9gio de coordenar o curso sobre \u201cEduca\u00e7\u00e3o Superior na Am\u00e9rica Latina e os Desafios do S\u00e9culo XXI\u201d junto \u00e0 C\u00e1tedra UNESCO do Memorial da Am\u00e9rica Latina em S\u00e3o Paulo, que permitiu\u00a0que v\u00e1rios entre os principais estudiosos da educa\u00e7\u00e3o superior da regi\u00e3o viessem para apresentar e discutir suas id\u00e9ias e conhecimentos com um grupo excepcional de participantes de diferentes institui\u00e7\u00f5es e cursos superiores do Brasil e do exterior. Um dos resultados do curso foi o livro <em>A Educa\u00e7\u00e3o Superior na Am\u00e9rica Latina e os desafios do s\u00e9culo XXI, <\/em>que est\u00e1 sendo\u00a0publicado pela Editora da UNICAMP, com lan\u00e7amento previsto na Livraria da Vila, em Campinas, no dia 23 de abril (guardem a data!)<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo inicial, sobre a educa\u00e7\u00e3o superior e os desafios do s\u00e9culo XXI, trata de dois temas correlacionados, que formam o pano de fundo para os cap\u00edtulos que seguem. O primeiro \u00e9 o da origem das universidades na Europa no per\u00edodo do Renascimento e sua evolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje, procurando ressaltar as motiva\u00e7\u00f5es e valores que presidiram seu surgimento e que ainda persistem: a valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento, a liberdade de estudo e de pesquisa, a autonomia institucional e a colegialidade, postos a servi\u00e7o da forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria do relacionamento \u00e0s vezes harmonioso, \u00e0s vezes conflituoso, das universidades com os poderes da Igreja e dos Estados e depois, cada vez mais, com o mundo da economia. As universidades de hoje s\u00e3o muito diferentes das de ent\u00e3o, e s\u00e3o somente parte de um universo muito mais amplo que \u00e9 o da educa\u00e7\u00e3o superior, que cada vez envolve mais pessoas e mobiliza mais recursos. E no entanto, os valores e motiva\u00e7\u00f5es originais, relativos ao lugar do conhecimento, sua produ\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o, e sua import\u00e2ncia para as pessoas e sociedade, persistem. Esta parte trata tamb\u00e9m da hist\u00f3ria peculiar das universidades na Am\u00e9rica Latina, copiadas em sua origem e inspira\u00e7\u00e3o dos modelos europeus, que se desenvolveram sobretudo como um canal de mobilidade e afirma\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica de novas gera\u00e7\u00f5es (e neste sentido n\u00e3o eram diferentes das de outros pa\u00edses), sem, no entanto, incorporar da mesma maneira os valores e as fun\u00e7\u00f5es de valoriza\u00e7ao do conhecimento, do estudo e da pesquisa, fazendo com que o movimento estudantil da Reforma Univesit\u00e1ria de C\u00f3rdoba de 1918 ainda n\u00e3o tenha completado seu ciclo na maior parte do continente. O segundo tema trata das universidades como institui\u00e7\u00f5es, cujo funcionamento depende, em parte, dos valores e orienta\u00e7\u00f5es dos que vivem em seu interior \u2013 professores, estudantes, administradores &#8211; e, em parte, das demandas e rela\u00e7\u00f5es que estabelecem com o seu ambiente externo, que inclui os governos e o mercado: \u00e9 uma perspectiva necess\u00e1ria para abrir e entender a \u201ccaixa preta\u201d das universidades, que s\u00e3o mais complexas do que organiza\u00e7\u00f5es criadas com prop\u00f3sitos e miss\u00f5es claras e simples.<\/p>\n<p>Jamil Salmi, no segundo cap\u00edtulo, parte do futuro, fala das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que est\u00e3o revolucionando os modos de produ\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de saber, e das necessidades de forma\u00e7\u00e3o profissional, cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica requeridas pela nova sociedade do conhecimento. H\u00e1, em todo mundo, uma corrida para fazer com que os sistemas de educa\u00e7\u00e3o superior sejam capazes de responder a estas demandas e participar, assim, do novo ciclo de produ\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de riquezas que est\u00e1 ocorrendo. Em que medida estes novos recursos tecnol\u00f3gicos podem ser usados para melhorar a qualidade, relev\u00e2ncia, e efici\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o superior, e assim trazer para ela os recursos de que necessita para desempenhar bem seus novos pap\u00e9is? O que pa\u00edses mais bem sucedidos nesta corrida, como a Cor\u00e9ia do Sul. Est\u00e3o fazendo, e o que devem e podem fazer pa\u00edses como o Brasil?<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Joaquin Brunner, no terceiro cap\u00edtulo, olha para a educa\u00e7\u00e3o superior na Am\u00e9rica Latina em seu conjunto, e constata que ela n\u00e3o somente se massificou, com milh\u00f5es de pessoas buscando um tipo de forma\u00e7\u00e3o que antes era reservada para poucos milhares, mas est\u00e1 se universalizando, ou seja, se transformando em uma aspira\u00e7\u00e3o de todas as pessoas. Neste processo, as universidades tradicionais, que funcionavam como ilhas relativamente isoladas, se transformaram profundamente e se viram atropeladas por uma grande variedade de novas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas que t\u00eam pouco a ver, aparentemente, com os ideais das institui\u00e7\u00f5es que no passado lhes serviram de modelo. O que resta, neste novo cen\u00e1rio, destes antigos modelos e dos valores que encarnavam? O que Brunner nos mostra \u00e9 que, enquanto intelectuais e educadores como o Cardeal Newman, na Irlanda, Abraham Flexner, nos Estados Unidos, Humboldt, na Alemanha, e Ortega y Gassset, na Espanha, enalteciam e propugnavam por manter e fortalecer as universidades de forma\u00e7\u00e3o de elites e de pesquisa de alto n\u00edvel, em outras partes do mundo, come\u00e7ando pelos Estados Unidos, o ensino superior crescia e se diferenciava, com as universidades se transformando em multiversidades, incorporando novas fun\u00e7\u00f5es e fontes de financiamento, entre as quais os provenientes de uma crescente demanda por servi\u00e7os educativos do mercado. No mundo atual, a antiga met\u00e1fora da universidade cl\u00e1ssica, simbolizada pela Universidade de Humboldt na Alemanha e fruto do surgimento da \u00e9poca moderna e a forma\u00e7\u00e3o dos estados nacionais no final do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, deve ser substituida por uma nova met\u00e1fora, a da universidade, ou, mais precisamente, a educa\u00e7\u00e3o superior p\u00f3s-moderna, cuja caracter\u00edstica principal n\u00e3o seria mais uma identidade pr\u00f3pria e um n\u00facleo central de valores, mas uma multiplicidade de demandas, expectativas e e formas de funcionamento que transcendem todas as tentativas de enquadr\u00e1-la em um modelo \u00fanico e coerente.<\/p>\n<p>Nas universidades tradicionais, bastavam seus diplomas para assegurar a qualidade profissional e t\u00e9cnica de seus formados, e o prest\u00edgio e a reputa\u00e7\u00e3o de seus professores para garantir a qualidade de seu trabalho intelectual e de pesquisa. No ensino superior de massas e p\u00f3s-moderno descrito por Brunner, isto j\u00e1 n\u00e3o basta, e todos os pa\u00edses, de alguma maneira, procuram estabelecer sistemas de avalia\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o do ensino superior, que \u00e9 o tema do quarto cap\u00edtulo de Elizabeth Balbachvsky. Ela nos mostra que os principais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, de uma forma ou outra, procuraram adaptar os sistemas de avalia\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o de qualidade desenvolvidos em outras partes, requerendo que as institui\u00e7\u00f5es passem por processos mais ou menos complexos de certifica\u00e7\u00e3o que, no entanto, encontram sempre limita\u00e7\u00f5es e acabam servindo a diferentes prop\u00f3sitos. Uma dificuldade bastante comum \u00e9 a resist\u00eancia das universidades tradicionais, que v\u00eam nos sistemas de avalia\u00e7\u00e3o externa, nem sempre de maneira infundada, uma amea\u00e7a \u00e0 sua autonomia; outra \u00e9 a dificuldade que as ag\u00eancias governamentais t\u00eam de criar sistemas de certifica\u00e7\u00e3o que sejam capazes de avaliar efetivamente, e com credibilidade, as centenas e milhares de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior que existem nos diferentes pa\u00edses. Existem quest\u00f5es relativas aos crit\u00e9rios e padr\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o (ser\u00e1 que as faculdades voltadas ao ensino podem ser avaliadas segundo os mesmos crit\u00e9rios das universidades de pesquisa?), e, tamb\u00e9m, quanto aos interessados em seus resultados \u2013 os governos, que financiam as institui\u00e7\u00f5es? As corpora\u00e7\u00f5es profissionais, interssadas em preservar seus mercados de trabalho? Os futuros estudantes? O setor empresarial?<\/p>\n<p>Jorge Bal\u00e1n, no cap\u00edtulo 5, trata de uma quest\u00e3o central em todos os sistemas de educa\u00e7\u00e3o superior que se massificam, que \u00e9 o da inclus\u00e3o de pessoas e categorias sociais que, historicamente, n\u00e3o tinham acesso ao ensino superior em seus pa\u00edses. Na medida em que os sistemas de ensino superior crescem de tamanho, cresce tamb\u00e9m o acesso de pessoas que antes n\u00e3o conseguiam se beneficiar dele. No entanto, este acesso continua limitado por mecanismos de sele\u00e7\u00e3o baseados em provas e avalia\u00e7\u00f5es cujos resultados s\u00e3o fortemente relacionados com a condi\u00e7\u00e3o social e cultural dos canditatos \u2013 estudantes de fam\u00edlias mais pobres, que n\u00e3o tiveram acesso a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de qualidade, ou de minorias lingu\u00edsticas e culturais, entram nestes processos seletivos em desvantagem e terminam sendo excluidos. Bal\u00e1n apresenta as experi\u00eancias de inclus\u00e3o de diferentes pa\u00edses na Am\u00e9rica Latina, chamando a aten\u00e7\u00e3o para as diferentes formas em que ela pode se apresentar: diferenciando as institui\u00e7\u00f5es para atender a p\u00fablicos distintos, a expans\u00e3o dos sistemas de educa\u00e7\u00e3o superior p\u00fablico, o financiamento da educa\u00e7\u00e3o superior privado, e as pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa baseadas em crit\u00e9rios de ra\u00e7a, etnia e classe social, evidenciando, em cada caso, os benef\u00edcios conseguidos e os problemas que surgem.<\/p>\n<p>Helena Sampaio, no cap\u00edtulo 6, examina em profundidade o crescimento do ensino superior privado e, mais especialmente, o ensino superior com fins lucrativos que se desenvolveu de forma extraordin\u00e1ria no Brasil nos \u00faltimos anos, com o setor privado atingindo a 75% da matr\u00edcula, metade dos quais em institui\u00e7\u00f5es com fins de lucro. Esta expans\u00e3o se explica, em parte, pelo fato de que o Brasil adotou, com a reforma universit\u00e1ria de 1968, um modelo de organiza\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria que tentou copiar as \u201cresearch universities\u201d americanas, com \u00eanfase na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, na pesquisa e na organiza\u00e7\u00e3o departamental, com professores doutores contratados em regime de tempo integral, um modelo que s\u00f3 deu certo em algumas partes, mas fez com que a educa\u00e7\u00e3o superior p\u00fablica se tornasse extremamente cara para padr\u00f5es latinoamericanos, e sem condi\u00e7\u00f5es de absorver a explos\u00e3o da demanda por ensino superior que come\u00e7ava justamente nesta \u00e9poca. A alternativa foi liberar a expans\u00e3o do setor privado, na expectativa ilus\u00f3ria de que ele eventualmente se aproximaria do modelo das universidades p\u00fablicas. Se no in\u00edcio predominavam no setor privado as institui\u00e7\u00f5es religiosas e comunit\u00e1rias, o lugar foi sendo ocupado cada vez mais por institui\u00e7\u00f5es com fins de lucro, que se tornaram legais por legisla\u00e7\u00e3o instituida em 1997. Hoje, existem no Brasil empresas atuando na educa\u00e7\u00e3o superior com milh\u00f5es de estudantes, com a\u00e7\u00f5es na bolsa adquiridas por fundos de investimento e atuando sobretudo na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o de massas de baixo custo, nas profiss\u00f5es sociais. Se no passado havia a norma de que o setor privado n\u00e3o deveria dispor de recursos p\u00fablicos, nos anos mais recentes o governo federal, como parte de sua pol\u00edtica de inclus\u00e3o social, passou a financiar fortemente o setor privado lucrativo ou n\u00e3o, atrav\u00e9s da isen\u00e7\u00e3o de impostos do Prouni e do cr\u00e9dito educativo garantido pelo governo.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 7 Sylvie Didou Aupetit aborda outra dimens\u00e3o central da educa\u00e7\u00e3o superior contempor\u00e2nea, o da internacionaliza\u00e7\u00e3o. Em certo sentido, n\u00e3o \u00e9 um tema novo: h\u00e1 d\u00e9cadas que o tema da \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d de pa\u00edses em desenvolvimento para os mais ricos \u00e9 objeto de preocupa\u00e7\u00e3o, com os Estados Unidos, sobretudo, atraindo centenas de milhares de profissionais formados muitas vezes com recursos p\u00fablicos de seus pa\u00edses, que deixam de se beneficiar dos investimentos feitos em sua educa\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios pa\u00edses, entre os quais M\u00e9xico e Brasil, tem desenvolvido programas para estimular o retorno destes profissionais, com graus diferentes de sucesso. Mas a internacionaliza\u00e7\u00e3o tem tamb\u00e9m outros aspectos, muitos dos quais positivos, como a vinda de professores e pesquisadores da Europa e Estados Unidos, as compet\u00eancias trazidas pelos que retornam a seus pa\u00edses de origem e passam e enriquecer suas institui\u00e7\u00f5es, e a cria\u00e7\u00e3o de redes internacionais de coopera\u00e7\u00e3o que atravessam as fronteiras entre pa\u00edses e regi\u00f5es. Hoje se fala muito em \u201ccircula\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebros\u201d, no lugar de fuga, para sinalizar os aspectos positivos da internacionaliza\u00e7\u00e3o, mas, como adverte a autora, n\u00e3o basta trocar uma express\u00e3o por outra, sendo necess\u00e1rio entender mais em profundidade os reais problemas e poss\u00edveis benef\u00edcios deste processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o e globaliza\u00e7\u00e3o que \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo 8, finalmente, Renato Pedrosa trata do tema da pesquisa universit\u00e1ria sob a perspectiva da sua \u201cterceira miss\u00e3o\u201d, que \u00e9 a da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Embora a pesquisa universit\u00e1ria esteja, em todo o mundo, concentrada em um n\u00famero pequeno de institui\u00e7\u00f5es (contrariando o axioma atribuido \u00e0 Universidade de Humboldt da \u201cindisssociabilidade do ensino, da pesquisa e da extens\u00e3o\u201d) ela tende a se organizar de maneira bastante tradicional nestas institui\u00e7\u00f5es, em departamentos constituidos conforme as classifica\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas das \u00e1reas de conhecimento (biologia, f\u00edsica, matem\u00e1tica, sociologia, l\u00ednguas&#8230;.), com grande parte do trabalho sendo feito de forma individual por professores e, em grande parte tamb\u00e9m, por alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em suas teses de doutoramento. O principal objetivo da pesquisa \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o dos resultados na literatura especializada, e s\u00e3o estas publica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o utilizadas para avaliar e premiar o trabalho dos professores e pesquisadores e seus departamentos. Ao lado desta forma de trabalho, denominada de \u201cmodo 1\u201d, existe entretanto uma outra maneira de desenvolver a pesquisa dentro e fora das universidades, denominada de \u201cmodo 2\u201d, a \u201cterceira miss\u00e3o&#8221; ou o \u201cquadrante de Pasteur&#8221;,\u00a0mais interdisciplinar, com mais trabalho de equipe, voltada para resultados pr\u00e1ticos, estabelecendo parcerias com setores empresarisais e governamentais interessados em seus resultados, gerando inova\u00e7\u00e3o e nem por isto menos conhecimentos de interesse cient\u00edfico de fronteira. Em sua contribui\u00e7\u00e3o Pedrosa mostra como a ci\u00eancia brasileira se desenvolveu ao longo dos anos, assim como suas caracter\u00edsticas atuais \u2013 por um lado, um amplo sistema de pesquisa acad\u00eamica e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o mais desenvolvido da Am\u00e9rica Latina, mas, por outro, ainda uma grande dificuldade de se desincumbir de forma mais adequada de sua terceira miss\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, as quest\u00f5es relativas ao ensino superior tendem a ser vistas muito localmente, sem darmo-nos conta de que, embora cada experi\u00eancia seja \u00fanica, fazemos parte na verdade de uma realidade muito mais ampla que precisamos entender e conhecer melhor, para que possamos inclusive aprender com os erros e acertos de outras partes. Esperamos que este livro sirva de janela para este mundo mais amplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro semestre de 2013 tive o privil\u00e9gio de coordenar o curso sobre \u201cEduca\u00e7\u00e3o Superior na Am\u00e9rica Latina e os Desafios do S\u00e9culo XXI\u201d junto \u00e0 C\u00e1tedra UNESCO do Memorial da Am\u00e9rica Latina em S\u00e3o Paulo, que permitiu\u00a0que v\u00e1rios entre os principais estudiosos da educa\u00e7\u00e3o superior da regi\u00e3o viessem para apresentar e discutir suas id\u00e9ias &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-educacaao-superior-na-america-latina-e-os-desafios-do-seculo-xxi\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A Educa\u00e7\u00e3o Superior na Am\u00e9rica Latina e os desafios do s\u00e9culo XXI&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-5112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-superior"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5112"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5117,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5112\/revisions\/5117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}