{"id":5127,"date":"2015-04-04T19:28:39","date_gmt":"2015-04-04T22:28:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5127"},"modified":"2015-04-05T09:36:17","modified_gmt":"2015-04-05T12:36:17","slug":"a-finlandia-somos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-finlandia-somos-nos\/","title":{"rendered":"A Finl\u00e2ndia somos n\u00f3s?"},"content":{"rendered":"<div class='__iawmlf-post-loop-links' style='display:none;' data-iawmlf-post-links='[{&quot;id&quot;:442,&quot;href&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.independent.co.uk\\\/news\\\/world\\\/europe\\\/finland-schools-subjects-are-out-and-topics-are-in-as-country-reforms-its-education-system-10123911.html&quot;,&quot;archived_href&quot;:&quot;https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20260326104357\\\/https:\\\/\\\/www.independent.co.uk\\\/news\\\/world\\\/europe\\\/finland-schools-subjects-are-out-and-topics-are-in-as-country-reforms-its-education-system-10123911.html&quot;,&quot;redirect_href&quot;:&quot;&quot;,&quot;checks&quot;:[{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-15 18:26:44&quot;,&quot;http_code&quot;:200},{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 20:37:01&quot;,&quot;http_code&quot;:200}],&quot;broken&quot;:false,&quot;last_checked&quot;:{&quot;date&quot;:&quot;2026-04-19 20:37:01&quot;,&quot;http_code&quot;:200},&quot;process&quot;:&quot;done&quot;}]'><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/images.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-5128\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/images.jpg\" alt=\"images\" width=\"261\" height=\"193\" \/><\/a>A not\u00edcia que a Finl\u00e2ndia ia acabar com o ensino das disciplinas (ou \u201cmat\u00e9rias\u201d) nas escolas, que seriam substitu\u00eddas por \u201ct\u00f3picos\u201d, ou temas, foi recebida com alvoro\u00e7o por muitos que, no Brasil, resistem \u00e0 ideia de que o pa\u00eds necessita de um curr\u00edculo definido e estruturado, que estabele\u00e7a\u00a0com clareza o que as crian\u00e7as devem aprender em cada etapa em l\u00ednguas, matem\u00e1tica, ci\u00eancias sociais e ci\u00eancias naturais. Afinal, se os finlandeses, que t\u00eam a melhor educa\u00e7\u00e3o do mundo, v\u00e3o fazer isto, pode ter coisa mais antiga e ultrapassada do que criar um curr\u00edculo estruturado no Brasil? Ali\u00e1s, os finlandeses n\u00e3o fazem s\u00f3 isto: a escola l\u00e1 come\u00e7a aos 7 anos, n\u00e3o fazem muitas provas e avalia\u00e7\u00f5es, e \u00e9 proibido passar dever de casa . . .<\/p>\n<p>Na verdade a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 bem esta, como se pode ver por um artigo publicado pelo \u00a0<em>The Independent,<\/em> na Inglaterra, <a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/news\/world\/europe\/finland-schools-subjects-are-out-and-topics-are-in-as-country-reforms-its-education-system-10123911.html\" target=\"_blank\">que pode ser visto aqui<\/a>.\u00a0N\u00e3o existem muitos detalhes, porque \u00e9 um projeto que ainda est\u00e1 por ser implantado, mas o se pode ver \u00e9 que a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 sobretudo com a maneira de ensinar os estudantes de n\u00edvel m\u00e9dio a partir de projetos e problemas do mundo real, sem sobrecarregar os alunos com a memoriza\u00e7\u00e3o de fatos que est\u00e3o ao alcance de todos na Internet, mas nem por isto abandonando a necessidade de desenvolver as compet\u00eancias b\u00e1sicas de leitura, escrita, racioc\u00ednio matem\u00e1tico e entendimento dos fen\u00f4menos cient\u00edficos .<\/p>\n<p>A principal diferen\u00e7a entre Brasil e Finl\u00e2ndia \u00e9 que eles j\u00e1 est\u00e3o de volta, enquanto que n\u00f3s ainda mal come\u00e7amos a andar. Na prova internacional do PISA de 2012 em matem\u00e1tica, para estudantes de 15 anos ao final do ensino m\u00e9dio, 5% dos estudantes finlandeses tinham desempenho excepcional, de n\u00edvel 6, e outros 13.6% estavam no n\u00edvel 5, tamb\u00e9m de alto desempenho, sendo capazes de resolver problemas complexos com independ\u00eancia, e somente 10,9% estavam no n\u00edvel mais baixo. Apesar disto, ela perdia para Shangai, Hong-Kong, Singapura e Cor\u00e9ia, todos com mais de 20% dos estudantes de alto desempenho. Em contraste, o Brasil tinha somente 0.8% nos dois n\u00edveis mais altos, \u00a030% no n\u00edvel mais baixo, e 31% abaixo do m\u00ednimo.<\/p>\n<p>A qualidade da educa\u00e7\u00e3o da Finl\u00e2ndia se explica, a come\u00e7ar, pela excepcional qualidade de seus professores, todos com cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e motivados por trabalhar em uma das carreiras mais prestigiadas do pa\u00eds, ao que se somam escolas em excelente condi\u00e7\u00e3o que funcionam\u00a0com grande\u00a0autonomia e flexibilidade, sem abrir m\u00e3o dos conte\u00fados que todos devem aprender. A flexibilidade aumenta no ensino m\u00e9dio, a partir dos 15 anos, com a\u00a0preocupa\u00e7\u00e3o em formar os estudantes para a vida do estudo e do trabalho. As escolas chinesas \u00a0e coreanas de alta qualidade s\u00e3o muito diferentes \u2013 formais, rigorosas, exigentes, fazendo uso de m\u00e9todos tradicionais. Os estudantes finlandeses s\u00e3o certamente mais felizes, e o que perdem em alto desempenho nas avalia\u00e7\u00f5es talvez ganhem em criatividade e iniciativa.<\/p>\n<p>O que a educa\u00e7\u00e3o da Finl\u00e2ndia e dos asi\u00e1ticos t\u00eam para nos ensinar? O mais importante, me parece, \u00e9 n\u00e3o confundir o conte\u00fado do que deve ser aprendido com os m\u00e9todos de ensino. \u00a0Existe uma grande pol\u00eamica, que me parece falsa, entre os que enfatizam as\u00a0informa\u00e7\u00f5es a serem acumuladas\u00a0e\u00a0os que enfatizam as compet\u00eancias que \u00a0a educa\u00e7\u00e3o deveria desenvolver. \u00a0Na verdade n\u00e3o existe uma coisa sem a outra. Uma educa\u00e7\u00e3o focada na memoriza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, sem entender que sentido t\u00eam e como podem ser revistas, reinterpretadas e expandidas, \u00e9 t\u00e3o oca quanto uma educa\u00e7\u00e3o voltada para compet\u00eancias vazias. A educa\u00e7\u00e3o de qualidade consiste sempre na transmiss\u00e3o dos conte\u00fados de uma cultura viva, a come\u00e7ar pela linguagem culta. \u00a0N\u00e3o se pode abrir m\u00e3o dos conte\u00fados, e isto se faz, sobretudo, com bons professores que pensam e sabem o que \u00a0ensinar nas diversas \u00e1reas do conhecimento, e com expectativas claras sobre os conhecimentos\u00a0que os alunos devem adquirir ao longo de seus estudos \u2013 um curr\u00edculo bem definido. Os m\u00e9todos podem ser variados, dos mais tradicionais aos mais flex\u00edveis, e dependem muito da cultura de cada pa\u00eds. A outra li\u00e7\u00e3o \u00e9 que os conte\u00fados\u00a0&#8211; come\u00e7ando pela alfabetiza\u00e7\u00e3o plena e incluindo o dom\u00ednio de uma segunda l\u00edngua &#8211; devem ser consolidados\u00a0na educa\u00e7\u00e3o fundamental \u2013 muito diferente da permissividade e falta de rigor que predomina nos primeiros anos das escolas brasileiras. \u00c9 isto que permite que a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia seja mais flex\u00edvel, diversificada, baseada na pesquisa e em projetos, adaptada cada vez mais \u00e0s prefer\u00eancias e caracter\u00edsticas individuais dos estudantes, orientada para problemas e o desenvolvimento de compet\u00eancias n\u00e3o cognitivas, como a capacidade de trabalhar de forma aut\u00f4noma ou em colabora\u00e7\u00e3o \u2013 muito diferente da marcha for\u00e7ada para o ENEM em que se transformou o ensino m\u00e9dio brasileiro.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A not\u00edcia que a Finl\u00e2ndia ia acabar com o ensino das disciplinas (ou \u201cmat\u00e9rias\u201d) nas escolas, que seriam substitu\u00eddas por \u201ct\u00f3picos\u201d, ou temas, foi recebida com alvoro\u00e7o por muitos que, no Brasil, resistem \u00e0 ideia de que o pa\u00eds necessita de um curr\u00edculo definido e estruturado, que estabele\u00e7a\u00a0com clareza o que as crian\u00e7as devem aprender &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-finlandia-somos-nos\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A Finl\u00e2ndia somos n\u00f3s?&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-5127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5127"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5131,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5127\/revisions\/5131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}