{"id":53,"date":"2006-04-08T12:33:00","date_gmt":"2006-04-08T15:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=53"},"modified":"2008-08-03T18:14:44","modified_gmt":"2008-08-03T21:14:44","slug":"contribuicoes-de-joao-batista-araujo-e-oliveira-ao-debate-sobre-alfabetizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/contribuicoes-de-joao-batista-araujo-e-oliveira-ao-debate-sobre-alfabetizacao\/","title":{"rendered":"Contribui\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira ao debate sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-style: italic;\">A nota de outro dia, sobre as prioridades da educa\u00e7\u00e3o, parece estar gerando um debate salutar, que pretendo ir colocando neste blog.  Exitem duas formas de contribuir para o debate.  Uma \u00e9 colocando um coment\u00e1rio debaixo dos textos. Outra, quando for um texto for mais elaborado, \u00e9 enviando para mim, para colocar como nota separada. Nos dois casos, eu me reservo o direito de moderar a discuss\u00e3o. Quanto a contribui\u00e7ao \u00e9 significativa, ela \u00e9 tamb\u00e9m enviada a uma lista de pessoas que acompanham este blog. Quem quiser entrar na lista, \u00e9 s\u00f3 enviar um email solicitando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">A contribui\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 de Jo\u00e3o Batista de Araujo e Oliveira,  que, nas &#8220;credenciais&#8221;  que apresenta abaixo, s\u00f3 fala das coisas mais recentes, deixando de lado uma vasta experi\u00eancia de trabalho no Brasil e no exterior em prol da educa\u00e7\u00e3o.   Com a palavra Jo\u00e3o Batista:<\/span><\/p>\n<p>Minha contribui\u00e7\u00e3o se resume em quatro partes. Na primeira, em um par\u00e1grafo, apresento minhas credenciais. Na segunda fa\u00e7o dois conjuntos de afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas para focar o debate.  Na terceira,  analiso tr\u00eas momentos do debate iniciado pela Folha, dois deles veiculados no blog do Simon.  Concluo sugerindo termos para o debate.<\/p>\n<p>I \u2013 Apresentando credenciais<\/p>\n<p>H\u00e1 5 anos tento, sem sucesso, estimular a comunidade cient\u00edfica e profissional do Brasil a participar do debate sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o infantil. Publiquei dois artigos na Revista Ensaio, h\u00e1 um terceiro artigo no prelo a ser publicado pela revista do SESC no pr\u00f3ximo m\u00eas, alguns artigos em jornais, dois livros (ABC do Alfabetizador e Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as e Adultos) e coordenei, em 2003, o relat\u00f3rio Alfabetiza\u00e7\u00e3o Infantil: Novos Caminhos. Junto com a Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados convidamos todas as inst\u00e2ncias formais como o CONSED, UNDIME, CRUB, ANPED, CNE, ABC e outros para discutir o relat\u00f3rio \u2013 sem qualquer resposta.  Tentamos sensibilizar os ministros Crist\u00f3vam Buarque e Tarso Genro, sem sucesso.  Recentemente o Ministro Fernando Haddad se sensibilizou com a quest\u00e3o e convidou o pa\u00eds ao debate.  A Folha de S\u00e3o Paulo convidou-me para apresentar os termos da quest\u00e3o.  Come\u00e7aram a aparecer artigos, mas at\u00e9 hoje nenhum deles se referiu ao meu artigo ou, de modo particular, \u00e0s quatro quest\u00f5es que nele coloquei.  Portanto, considero que o debate n\u00e3o se iniciou. Jornais n\u00e3o costumam ser os ve\u00edculos mais adequados para esse fim. Quem sabe o blog do Simon ser\u00e1 o forum desse debate.  Se algum leitor concordar ou discordar do que disse nesses publica\u00e7\u00f5es supra-referidas ou no que direi hoje, que compare\u00e7a ao debate que este blog se prop\u00f5e a acolher.  O resto, possivelmente, continuar\u00e1 a ser bate-boca e jogo de plat\u00e9ia.<\/p>\n<p>II- Fatos cient\u00edficos sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>1. Alfabetizar significa dominar o c\u00f3digo alfab\u00e9tico, ou seja, as rela\u00e7\u00f5es fonema-grafema, com suas val\u00eancias respectivas.  Esta defini\u00e7\u00e3o, consagrada por Stanovich (n\u00e3o vou citar refer\u00eancias aqui) \u00e9 adotada universalmente entre os pesquisadores desta \u00e1rea \u2013 normalmente congregados sob o paradigma da Ci\u00eancia Cognitiva da Leitura.  Basta olhar as 20 revistas cient\u00edficas mais importantes e rigorosas que publicam artigos sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o para confirmar essa defini\u00e7\u00e3o. Alfabetiza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 diferente de compreens\u00e3o (letramento).  A prova mais cabal: um adulto analfabeto (ou seja, uma pessoa que comprende, mas n\u00e3o l\u00ea).  A confus\u00e3o estabelecida sobre o tema, especialmente entre os chamados construtivistas (termo indefin\u00edvel no que se refere \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o) \u00e9 apenas uma confus\u00e3o \u2013 como se pode ver por exemplo nos artigos que v\u00eam sendo publicados na Folha pelos auto-declarados especialistas em alfabetiza\u00e7\u00e3o (n\u00e3o sabia que os havia tantos no Brasil, onde ser\u00e1 que eles publicam seus trabalhos sobre o tema?).  Mas essa confus\u00e3o tem efeitos importantes sobre curr\u00edculos, programas de ensino e avalia\u00e7\u00e3o.  Na escola p\u00fablica brasileira, por exemplo, ningu\u00e9m sabe em que s\u00e9rie se alfabetizam os alunos (os mais \u201cprogressistas\u201ddizem que \u00e9 um processo permanente&#8230;) Todas (poucas) avalia\u00e7\u00f5es que conhe\u00e7o no Brasil sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o medem alfabetiza\u00e7\u00e3o, medem compreens\u00e3o.  Se o aluno erra, continuamos sem saber se foi alfabetizado, pois n\u00e3o sabemos se n\u00e3o leu ou se n\u00e3o compreendeu.  Como a maioria desses testes de compreens\u00e3o \u00e9 oral, tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe se compreendeu porque sabe compreender ou porque leu e compreendeu.   Quem tratar dessa quest\u00e3o, no Brasil, onde esses termos se confundem, tem que definir com clareza do que est\u00e1 falando.<\/p>\n<p>2. Alfabetizar \u00e9 uma habilidade relativamente simples, mas n\u00e3o trivial.  N\u00e3o fomos programados geneticamente para aprender a ler, mas com um pouco de ajuda conseguimos faz\u00ea-lo \u2013 e o fazemos com razo\u00e1vel sucesso desde o tempo dos Sum\u00e9rios, h\u00e1 mais de 3.500 anos, e mesmo antes de termos uma pedagogia da alfabetiza\u00e7\u00e3o ou uma ci\u00eancia cognitiva da leitura. Isso significa que podemos usar v\u00e1rios m\u00e9todos para alfabetizar.  Da mesma forma que podemos usar v\u00e1rios instrumentos para pregar pregos na parece, inclusive batendo com a cabe\u00e7a.  Quem frequenta a literatura cient\u00edfica sabe, no entanto, que alguns m\u00e9todos s\u00e3o mais eficazes do que outros.  Nos \u00faltimos 30 anos sabemos que os m\u00e9todos f\u00f4nicos s\u00e3o os mais eficazes. E mais, aprendemos porque o s\u00e3o. E mais: sabemos que os m\u00e9todos f\u00f4nicos que ensinam o c\u00f3digo de maneira sistem\u00e1tica e expl\u00edcita (vide as competentes meta-an\u00e1lises de Dianne McGuiness) s\u00e3o MUITO mais eficazes do que os demais. Num pa\u00eds em que n\u00e3o conseguimos alfabetizar a maioria dos alunos (vide SAEB e o PISA, que \u00e9 mais eloquente), n\u00e3o me parece adequado tentar redescobrir a roda e concluir que todos os m\u00e9todos podem ensinar.  A contribui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que me parece leg\u00edtima \u00e9 identificar aplica\u00e7\u00f5es adequadas do m\u00e9todo que se comprovou mais eficaz.  E a contribui\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pela pol\u00edtica p\u00fablica seria a de estimular a ado\u00e7\u00e3o desses m\u00e9todos \u2013 a exemplo do que se faz em TODOS os pa\u00edses desenvolvidos cujo sistema de escrita \u00e9 alfab\u00e9tico.<\/p>\n<p>III- Tr\u00eas momentos do debate<\/p>\n<p>1. Deplor\u00e1vel a afirma\u00e7\u00e3o do ex-Presidente FHC de que o debate entre construtivistas e m\u00e9todo fon\u00e9tico (ele deveria ter dito f\u00f4nico) \u00e9 est\u00e9ril.  O Brasil est\u00e1 atrasado at\u00e9 para esse debate, que se tornou muito prof\u00edcuo nos demais pa\u00edses.  Todos os pa\u00edses desenvolvidos e especialmente Fran\u00e7a, Estados Unidos e pa\u00edses do Reino Unido (e agora Austr\u00e1lia) \u2013 que foram as maiores v\u00edtimas de id\u00e9ias equivocadas sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; levantaram a quest\u00e3o, e mesmo sem ter conseguido consenso entre educadores  \u2013 seus governos mudaram suas pol\u00edticas de alfabetiza\u00e7\u00e3o.  Na Inglaterra os m\u00e9todos f\u00f4nicos s\u00e3o obrigat\u00f3rios; na Fran\u00e7a recomendados (e os m\u00e9todos ditos \u201cglobais\u201ds\u00e3o interditados), e nos Estados Unidos somente os sistemas educacionais que adotam m\u00e9todos f\u00f4nicos se qualificam para receber fundos federais. Tudo isso \u00e9 de conhecimento p\u00fablico, est\u00e1 na internet e n\u00e3o precisa ser documentado. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser ignorado.<\/p>\n<p>2. No site do Simon Ana Cristina Collares, se qualifica (n\u00e3o sou pedagoga) e, ao mesmo tempo faz declara\u00e7\u00f5es contundentes como \u201cas pesquisas que comprovam a efic\u00e1cia desse m\u00e9todo possuem tamb\u00e9m v\u00e1rias falhas e seus resultados s\u00e3o discut\u00edveis.\u201d S\u00f3 posso sugerir que minha colega submeta um artigo a qualquer um dos principais jornais cient\u00edficos que trata da quest\u00e3o criticando a metodologia das an\u00e1lises e metaan\u00e1lises mais recentes de Snow, Stanovich, Adams, o National Reading Report ou o livro j\u00e1 referido de McGuiness.  \u00c9 assim que se d\u00e1 o debate cient\u00edfico. Ainda acredito que h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre doxa e episteme.<\/p>\n<p>No entanto, Ana Cristina levanta uma quest\u00e3o que vale a pena discutir, pois reflete um erro comum de compreens\u00e3o dos termos do debate.  Ela afirma que quem aprende pelo m\u00e9todo f\u00f4nico fica atr\u00e1s em compreens\u00e3o de textos. Esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio de quem confunde alfabetiza\u00e7\u00e3o com compreens\u00e3o de textos. O maior preditor de compreens\u00e3o de textos \u00e9 a compreens\u00e3o oral (o que pode ser medido ANTES e independentemente da alfabetiza\u00e7\u00e3o).  O melhor preditor de alfabetiza\u00e7\u00e3o ANTES da pessoa estar alfabetizada \u00e9 o dom\u00ednio do princ\u00edpio alfab\u00e9tico (que sup\u00f5e o desenvolvimento da consci\u00eancia fon\u00eamica). Dominar o princ\u00edpio alfab\u00e9tico significa saber que as letras representam som (para o leitor n\u00e3o especializado: isso \u00e9 diferente de dominar o c\u00f3digo alfab\u00e9tico, que s\u00e3o as val\u00eancias espec\u00edficas atribu\u00eddas \u00e0s letras ou grafemas, e que se constitui no cerne da alfabetiza\u00e7\u00e3o).  J\u00e1 o melhor preditor de compreens\u00e3o entre alunos alfabetizados \u00e9 a flu\u00eancia de leitura. O maior determinante da flu\u00eancia de leitura, por sua vez, \u00e9 o dom\u00ednio do c\u00f3digo. Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 Stanovich j\u00e1 comprovou que o bom leitor \u00e9 aquele que l\u00ea todas as letras e automatiza o c\u00f3digo, o mau leitor \u00e9 aquele que precisa do contexto para ler. Contexto ajuda a compreender e retarda a leitura.  O segredo da alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 ensinar a ler bem, para que o aluno possa compreender.  Ler bem \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, n\u00e3o suficiente, para a compreens\u00e3o.  O erro da Ana Cristina \u2013 como da maioria dos especialistas em alfabetiza\u00e7\u00e3o no Brasil \u2013 decorre da confus\u00e3o dos conceitos do que seja ler e compreender. E, claro, de confundir evid\u00eancias cient\u00edficas com opini\u00f5es particulares.<\/p>\n<p>3. Fora do \u00e2mbito do blog, lemos h\u00e1 poucas dias resultados preliminares de uma pesquisa assinada pelo prof. Creso, da PUC\/RIO.  A novidade apresentada \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre m\u00e9todos.  N\u00e3o tive acesso aos dados \u2013 apenas ao que est\u00e1 no jornal. Cabe-me, portanto, apenas fazer alguns alertas, pois \u00e0 primeira vista parece que estamos prestes a redescobrir a roda.<\/p>\n<p>Uma das maiores dificuldades dos cientistas que pesquisam o m\u00e9todo f\u00f4nico \u00e9 compreender como uma crian\u00e7a pode ser alfabetizada por m\u00e9todos globais ou outros (como o de fazer hip\u00f3teses, adivinhar o sentido da palavra ou usar pistas para descobrir o que est\u00e1 escrito).  E sabemos que isso funciona, que pessoas se alfabetizam dessa forma.  A quest\u00e3o \u00e9 saber como isso ocorre. Fernando Capovilla (USP) investigou essa quest\u00e3o.  Ao inv\u00e9s de perguntar ao professor pelo seu m\u00e9todo, analisou com rigorosa metodologia as pr\u00e1ticas efetivas de sala de aula.  E concluiu que o aluno aprende a ler melhor (ele mediu leitura, n\u00e3o compreens\u00e3o) em fun\u00e7\u00e3o do tempo gasto no ensino das rela\u00e7\u00f5es entre fonemas e grafemas.  E isso independia do professor dizer que \u00e9 isso ou aquilo.  Essa pesquisa est\u00e1 devidamente publicada. Portanto, qualquer discuss\u00e3o sobre esse tema deve come\u00e7ar a partir da\u00ed.  Ignorar o que j\u00e1 foi descoberto \u00e9 tentar redescrobir a roda.  Os estudos j\u00e1 citados de McGuinness corroboram esses achados de Capovilla. O relat\u00f3rio Rose, publicado na Inglaterra ao final de 2005, corrobora a superioridade dos m\u00e9todos f\u00f4nicos sistem\u00e1ticos (e sint\u00e9ticos).  O debate cient\u00edfico avan\u00e7ar\u00e1 se novas pesquisas desconfirmarem esses achados ou refinarem esses conhecimentos.  Resta esperar pelas contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que a pesquisa do professor Creso ir\u00e1 trazer ao estado da arte, por enquanto o jornal A Folha de S\u00e3o Paulo apenas diz que redescobrimos a roda.<\/p>\n<p>4. Da natureza do debate intelectual e cient\u00edfico<\/p>\n<p>Um debate intelectual s\u00f3 existe se tiver como objetivo e crit\u00e9rio a busca da verdade.  H\u00e1 cinco anos estudando este assunto \u2013 e partindo do zero, sem qualquer preconceito ou conhecimento espec\u00edfico do assunto \u2013 tenho me pautado por esse princ\u00edpio.  N\u00e3o consigo compreender como pessoas intelectualmente honestas possam ignorar ou omitir as evid\u00eancias cient\u00edficas a respeito.  Como n\u00e3o consigo entender como intelectualmente honesta a recusa ao debate, pois isso n\u00e3o ajuda a buscar a verdade \u2013 ainda que seja a prec\u00e1ria e fugidia verdade cient\u00edfica. Nem sempre esses debates s\u00e3o polidos \u2013 em outros pa\u00edses o bate-boca foi ainda maior do que estamos assistindo.  E frequentemente levam ao tribalismo \u2013 incitados pelo manique\u00edsmo (f\u00f4nicos vs. construtivistas).<\/p>\n<p>Um debate cient\u00edfico possui dois outros requisitos. O primeiro \u00e9 de natureza l\u00f3gica: os conceitos t\u00eam que ser definidos com clareza e consist\u00eancia (ex. O que \u00e9 alfabetizar, o que \u00e9 compreender, o que \u00e9 letramento). O que \u00e9 m\u00e9todo. O que \u00e9 m\u00e9todo f\u00f4nico (uma ilustre pesquisadora nacional disse na Folha que o m\u00e9todo Paulo Freire \u00e9 f\u00f4nico!!!!). E tamb\u00e9m disse que m\u00e9todo depende de professor \u2013 portanto n\u00e3o existe m\u00e9todo.  As conclus\u00f5es t\u00eam que ser l\u00f3gicas, seguindo os m\u00e9todos da indu\u00e7\u00e3o ou da dedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O outro requisito \u00e9 o respeito aos procedimentos.  A ci\u00eancia evolui testando e descartando hip\u00f3teses. Teorias s\u00e3o apenas explica\u00e7\u00f5es \u2013 as que sobrevivem s\u00e3o as que explicam mais,melhor e de forma mais econ\u00f4mica.  Teorias n\u00e3o s\u00e3o pe\u00e7as de museu a serem colocadas em altares privados.  N\u00e3o existe uma teoria f\u00f4nica da alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 existem milhares de estudos emp\u00edricos convergentes, que explicam, de maneira mais ou menos adequada, como o c\u00e9rebro aprende a ler e como melhor podemos ajud\u00e1-lo.  Essas pesquisas s\u00e3o publicadas em revistas acad\u00eamicas, revistas por pares. Quanto melhor a revista, mais dif\u00edcil publicar.  S\u00e3o essas as refer\u00eancias que contam, e que precisam ser trazidas para um debate acad\u00eamico, com respeito ao saber acumulado.<\/p>\n<p>Nesse esp\u00edrito, reitero minha disposi\u00e7\u00e3o ao debate.  Se algo do que disse acima e em minhas publica\u00e7\u00f5es estiver errado, il\u00f3gico ou n\u00e3o fundamentado, que se apresente o contradit\u00f3rio.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nota de outro dia, sobre as prioridades da educa\u00e7\u00e3o, parece estar gerando um debate salutar, que pretendo ir colocando neste blog. Exitem duas formas de contribuir para o debate. Uma \u00e9 colocando um coment\u00e1rio debaixo dos textos. 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