{"id":5304,"date":"2015-10-27T20:57:12","date_gmt":"2015-10-27T23:57:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5304"},"modified":"2021-05-23T20:15:31","modified_gmt":"2021-05-23T23:15:31","slug":"jorge-jatoba-corporacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/jorge-jatoba-corporacoes\/","title":{"rendered":"Jorge Jatob\u00e1: Corpora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em class=\"alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/capa-algomais-115.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-5305\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/capa-algomais-115.jpg\" alt=\"capa-algomais-115\" width=\"150\" height=\"198\" \/><\/a>Reproduzo artigo do economista Jorge Jatob\u00e1, publicado anteriormente na Revista Algomais n\u00famero 144 (que tem mat\u00e9ria de Capa de Jo\u00e3o Batista Ara\u00fajo e Oliveira, que tamb\u00e9m recomendo):<\/em><\/p>\n<p><strong>Corpora\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Na crise e fora dela toda sociedade tem conflitos de interesse. Faz parte do jogo democr\u00e1tico medi\u00e1-los e concili\u00e1-los com o interesse p\u00fablico. Quando a economia entra em recess\u00e3o e o sistema pol\u00edtico se fragiliza os conflitos se agravam. Em meio ao tumulto pol\u00edtico e econ\u00f4mico que se estabeleceu no pa\u00eds, temos observado um conjunto expressivo de manifesta\u00e7\u00f5es corporativas que colocam seus interesses acima dos da na\u00e7\u00e3o. Brasileiro parece s\u00f3 se unir e ser patriota quando torce pela sele\u00e7\u00e3o nacional em competi\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>Nos executivos, federal e estadual, eclodem greves com demandas invi\u00e1veis no curto prazo. Funcion\u00e1rios do INSS, professores, m\u00e9dicos, etc., exigem maiores sal\u00e1rios que desconsideram a situa\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as p\u00fablicas. No judici\u00e1rio federal, funcion\u00e1rios pressionam o Congresso para aprovar reajustes salariais nos pr\u00f3ximos anos que comprometem a sa\u00fade fiscal do pa\u00eds, mas n\u00e3o est\u00e3o nem se importando com as consequ\u00eancias. Por sua vez, a magistratura beneficia-se e luta para manter, entre outras benesses, o aux\u00edlio-moradia, uma aberra\u00e7\u00e3o que agride todos os brasileiros. Na Petrobr\u00e1s, que est\u00e1 completamente debilitada pelos erros de gest\u00e3o, pelo baixo pre\u00e7o do petr\u00f3leo e pelos impactos da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, os funcion\u00e1rios demandam aumentos salariais e fazem paralisa\u00e7\u00f5es de alerta, sabendo que o valor do programa de investimentos da empresa \u00e9 constantemente redefinido para baixo. No legislativo, eivado de gastos excessivos, o Congresso aprova irresponsavelmente as pauta-bomba que inviabilizam o equil\u00edbrio fiscal. Falta solidariedade entre os poderes, desconhecendo-se que a fonte do dinheiro \u00e9 \u00fanica: o dinheiro de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Este agu\u00e7amento dos conflitos de interesse durante a crise, todavia, repousa em uma antiga e enraizada cultura corporativista que impregna o setor p\u00fablico brasileiro e que se agravou nos governos petistas que transformou o pa\u00eds em arqu\u00e9tipo de rep\u00fablica sindicalista. Todavia, h\u00e1 uma caracter\u00edstica estrutural na forma\u00e7\u00e3o desses mercados de trabalho que constituem o caldo de cultura corporativista.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0s carreiras de estado em todos os n\u00edveis de governo bem como a entrada nas estatais \u00e9 disciplinada por concursos p\u00fablicos. Isso \u00e9 muito bom para o pa\u00eds, deve ser louvado e precisa ser mantido. Todavia, a\u00ed est\u00e1 a g\u00eanesis do corporativismo. Os mercados de trabalho assim formados s\u00e3o segmentados entre si, ou seja, uma pessoa n\u00e3o pode se deslocar de um para outro- e cada um deles tem uma \u00fanica porta de entrada. Assim eles se fecham, desenvolvendo uma cultura corporativista para atender aos seus interesses, custe a quem custar.<\/p>\n<p>Esses mercados de trabalho fechados com \u00fanica porta de entrada s\u00e3o chamados de mercados prim\u00e1rios, sendo uma das causas mais importantes junto com as diferen\u00e7as educacionais para a ainda elevada desigualdade de renda que caracteriza o nosso pa\u00eds. Uma vez dentro, os funcion\u00e1rios exigem maiores benef\u00edcios diretos e indiretos que drenam os recursos dos tesouros, federal e estadual, e os caixas das estatais. E aumentam as diferen\u00e7as com quem est\u00e1 de fora.<\/p>\n<p>Corpora\u00e7\u00f5es, dessa forma, contribuem para as desigualdades de renda. Todos se espelham uns nos outros. Uma sala de espelhos que leva a um ciclo vicioso para equiparar sal\u00e1rios e benef\u00edcios. Ademais, corpora\u00e7\u00f5es em meio \u00e0 crise desenvolvem um instinto animal de defesa. E na falta de lideran\u00e7as que definam um rumo e que filtre interesses levando-os a uma solu\u00e7\u00e3o negociada, ela tende a crescer. L\u00edderes mediam conflitos e concilia-os com os interesses da sociedade. Est\u00e3o faltando muitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzo artigo do economista Jorge Jatob\u00e1, publicado anteriormente na Revista Algomais n\u00famero 144 (que tem mat\u00e9ria de Capa de Jo\u00e3o Batista Ara\u00fajo e Oliveira, que tamb\u00e9m recomendo): Corpora\u00e7\u00f5es Na crise e fora dela toda sociedade tem conflitos de interesse. 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