{"id":5361,"date":"2015-12-31T09:54:43","date_gmt":"2015-12-31T12:54:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5361"},"modified":"2015-12-31T17:49:38","modified_gmt":"2015-12-31T20:49:38","slug":"feliz-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/feliz-2016\/","title":{"rendered":"Feliz  2016?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-5362\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/iu-744x496.jpeg\" alt=\"BRAZIL-NEW YEAR\" width=\"437\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/iu-744x496.jpeg 744w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/iu-420x280.jpeg 420w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/iu-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/iu-1200x800.jpeg 1200w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/iu.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 85vw, 437px\" \/>Nesta passagem de ano, como \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o, recebi muitas mensagens de boas festas e votos de feliz ano novo, que expressam a esperan\u00e7a comum de que esta seja tamb\u00e9m uma oportunidade de renova\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7as e novas oportunidades. \u00c9 isto que tamb\u00e9m espero e desejo para cada um de n\u00f3s e para o pa\u00eds como um todo. Muito obrigado a todos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, n\u00e3o h\u00e1 como ignorar a sensa\u00e7\u00e3o estranha de que 2015 n\u00e3o acabou e nem vai acabar t\u00e3o cedo, com a profunda crise em que vivemos e da qual \u00e9 dif\u00edcil ver a sa\u00edda. Tenho evitado escrever diretamente sobre a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica, em parte porque n\u00e3o tenho muito a acrescentar ao que est\u00e1 sendo dito todos os dias por colegas e jornalistas que acompanham a pol\u00edtica e a economia muito mais de perto e com muito mais compet\u00eancia; e em parte pela convic\u00e7\u00e3o ou sentimento de que, por mais importantes que sejam as institui\u00e7\u00f5es e os processos pol\u00edticos, eles dependem, em \u00faltima an\u00e1lise, de processos mais profundos que t\u00eam a ver com a capacidade, por parte da popula\u00e7\u00e3o e de suas lideran\u00e7as, de desenvolver e incorporar os valores, conhecimentos e compet\u00eancias que s\u00e3o pr\u00f3prios das sociedades modernas, o que os economistas chamam de &#8220;capital humano&#8221;, e que muitos soci\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos chamam de &#8220;capital social&#8221;, ou at\u00e9 mesmo &#8220;capital cultural&#8221;. A palavra &#8220;capital&#8221;, aqui, expressa a ideia de que isto \u00e9 algo que se constr\u00f3i e se acumula, atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es como os sistemas de educa\u00e7\u00e3o e de ci\u00eancia e tecnologia, sobre as quais tenho trabalhado nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Para a minha gera\u00e7\u00e3o, que cresceu vendo a recupera\u00e7\u00e3o do mundo do p\u00f3s-guerra, o fim dos imp\u00e9rios coloniais e a transforma\u00e7\u00e3o do Brasil de um pa\u00eds rural e predominantemente analfabeto em uma sociedade moderna e complexa, com milh\u00f5es de pessoas saindo do campo para as cidades, o surgimento de uma ind\u00fastria moderna e a expans\u00e3o dos sistemas de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o, era inevit\u00e1vel pensar em termos de progresso, de desenvolvimento, que viria seja forma gradual ou mais conflitiva, quebrando as estruturas tradicionais de domina\u00e7\u00e3o e abrindo espa\u00e7o para o futuro. No mundo da guerra fria, diverg\u00edamos profundamente sobre os caminhos a seguir, e os sucessos e barbaridades dos dois campos davam fortes argumentos a cada um dos lados, mas coincid\u00edamos sobre o que esper\u00e1vamos do futuro.<\/p>\n<p>No mundo atual, aonde o &#8220;socialismo real&#8221; j\u00e1 n\u00e3o existe e as democracias ocidentais tem cada vez mais dificuldades em manter de p\u00e9 suas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais, e o estado de bem-estar social encontra seus limites, a pr\u00f3pria ideia de progresso entra em crise, sendo substitu\u00edda pelo recrudescimento das pol\u00edticas de identidade e do pragmatismo dos interesses de curto prazo, sem uma narrativa comum que proporcione uma identidade comum e um sentido de futuro, seja internacionalmente, seja para o pa\u00eds, e seja mesmo para cada pessoa. N\u00e3o \u00e9 que as quest\u00f5es de identidade e que o pragmatismo imediatista sejam novidades, e \u00e9 poss\u00edvel argumentar que \u00e9 muito melhor um mundo assim do que dominado pelas grandes narrativas ut\u00f3picas que justificaram tantas guerras, totalitarismos e genoc\u00eddio. \u00c9 esta nostalgia das grandes narrativas, que talvez expressem necessidades psicol\u00f3gicas humanas mais profundas, que possivelmente explica a fascina\u00e7\u00e3o de tantos com os novos totalitarismos do s\u00e9culo 21, como os fundamentalismos religiosos &#8211; isl\u00e2mico, crist\u00e3o e judaico &#8211; o novo confucianismo oriental e at\u00e9 mesmo os novos populismos latino-americanos.<\/p>\n<p>Vista nesta perspectiva, a crise que afeta o Brasil neste ano que n\u00e3o termina vai muito al\u00e9m de um confronto entre pol\u00edticas econ\u00f4micas e sociais, problemas de corrup\u00e7\u00e3o ou firulas jur\u00eddicas sobre se o governo cometeu ou n\u00e3o crimes de responsabilidade ou se o STF e a C\u00e2mara de Deputados est\u00e3o ou n\u00e3o agindo dentro de seus limites constitucionais. Tudo isto tem sua import\u00e2ncia, mas o que est\u00e1 em jogo \u00e9 se o pa\u00eds vai conseguir, em algum momento, incorporar os valores e a cultura de uma sociedade pluralista, democr\u00e1tica e moderna, ou vai continuar atolado no p\u00e2ntano das ideologias degradadas e sua outra face, que \u00e9 o predom\u00ednio dos interesses imediatos e predat\u00f3rios, na economia e na sociedade.<\/p>\n<p>Por mais que o mal-estar brasileiro seja parte de um mal-estar geral, as compara\u00e7\u00f5es internacionais, dramatizadas pela capa recente da revista <em>The Economist<\/em> sobre o desastre brasileiro, \u00fanico no mundo, mostram que n\u00e3o precisa ser assim. \u00c9 poss\u00edvel, embora n\u00e3o seja certo, que 2016 marque o in\u00edcio de novos tempos, e estes s\u00e3os os meus votos de feliz ano novo.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta passagem de ano, como \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o, recebi muitas mensagens de boas festas e votos de feliz ano novo, que expressam a esperan\u00e7a comum de que esta seja tamb\u00e9m uma oportunidade de renova\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7as e novas oportunidades. \u00c9 isto que tamb\u00e9m espero e desejo para cada um de n\u00f3s e para o pa\u00eds &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/feliz-2016\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Feliz  2016?&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-5361","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5361"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5366,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5361\/revisions\/5366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}