{"id":5483,"date":"2016-06-17T11:58:02","date_gmt":"2016-06-17T14:58:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5483"},"modified":"2018-06-05T20:16:44","modified_gmt":"2018-06-05T23:16:44","slug":"educacao-e-trabalho-em-ciencia-e-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/educacao-e-trabalho-em-ciencia-e-tecnologia\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho em Ci\u00eancia e Tecnologia"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-5484\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/stem.jpg\" alt=\"stem\" width=\"295\" height=\"171\" \/>A revista <span style=\"text-decoration: underline;\">Ci\u00eancia Hoje<\/span> publica, em seu n\u00famero 337, um artigo sobre este tema, cuja vers\u00e3o completa pode ser baixada deste link., e cujo texto central reproduzo aqui.<\/em><\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho em Ci\u00eancia e Tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>Uma das fun\u00e7\u00f5es importantes dos sistemas educativos \u00e9 formar, desde o ensino b\u00e1sico, pessoas capacitadas nas \u00e1reas t\u00e9cnicas, que combinam conhecimentos e compet\u00eancias em em ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica, conhecidas em seu conjunto como STEM, em ingl\u00eas, ou CTEM no Brasil, que s\u00e3o fundamentais para as economias modernas. \u00a0A capacita\u00e7\u00e3o em CTEM deve se dar em todos os n\u00edveis, desde os n\u00edveis mais altos, dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 os cursos mais simples de curta dura\u00e7\u00e3o proporcionados pelo Sistema Nacional de Aprendizagem.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos principais dados sobre o mercado de trabalho e o sistema de ensino brasileiros mostra que apenas uma pequena parcela de nossas pessoas qualificadas nestas \u00e1reas, e poucos dos formados se dedica a esse setor \u2013 a maior parte acaba trabalhando em outros tipos de atividades.<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel superior<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa Nacional Cont\u00ednua por Amostra de Domic\u00edlios (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Brasil tinha em no in\u00edcio de 2016 cerca de 162 milh\u00f5es de pessoas com 15 anos ou mais, das quais 101 milh\u00f5es eram economicamente ativas, somando os que trabalhavam e os desempregados. Destas, 21 milh\u00f5es tinham educa\u00e7\u00e3o superior completa, mas 3.7 milh\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o trabalhavam, e, entre os ativos, um milh\u00e3o estavam desempregados no momento da pesquisa. A maioria dos formados que trabalhavam, 55%, eram mulheres. A maioria 55%, ocupava posi\u00e7\u00f5es de dire\u00e7\u00e3o ou ger\u00eancia, ou trabalhavam como profissionais das ci\u00eancias e intelectuais, mas haviam muitos tamb\u00e9m que trabalhavam como t\u00e9cnicos de n\u00edvel m\u00e9dio e outras atividades que n\u00e3o necessariamente requeriam forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Entre os homens. 26% trabalhava no setor p\u00fablico; entre as mulheres, 39%. \u00a0Entre as mulheres, as atividades principais s\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os sociais, e entre os homens, servi\u00e7os \u00e0s empresas. Menos de 10% dos formados trabalham em atividades industriais.<\/p>\n<p>O mercado de trabalho para pessoas de n\u00edvel superior se d\u00e1, assim, sobretudo na \u00e1rea de servi\u00e7os, e o principal empregador \u00e9 o setor p\u00fablico. O sistema escolar est\u00e1 ajustado, em grande parte, a esta situa\u00e7\u00e3o. Do total alunos matriculados, 15% est\u00e3o em cursos de engenharia, produ\u00e7\u00e3o, e 6% na \u00e1rea de ci\u00eancias matem\u00e1ticas e computa\u00e7\u00e3o. As diferen\u00e7as de g\u00eanero s\u00e3o importantes: entre as mulheres, s\u00f3 11% est\u00e3o nestas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero relativamente pequeno de pessoas nas \u00e1reas de CTEM n\u00e3o \u00e9 uma anomalia, j\u00e1 que no mercado de trabalho brasileiro predominam as atividades de servi\u00e7os. O que \u00e9 an\u00f4malo \u00e9 a inexist\u00eancia de uma diferencia\u00e7\u00e3o maior das carreiras de n\u00edvel superior, como ocorre nos Estados Unidos, onde a grande maioria dos estudantes ingressa inicialmente nos<em> colleges<\/em> de dois ou quatro anos e s\u00f3 ent\u00e3o se dirige ou n\u00e3o para cursos mais avan\u00e7ados, ou no modelo adotado pela Uni\u00e3o Europeia e outros pa\u00edses, em que h\u00e1 um n\u00edvel inicial de tr\u00eas anos, de amplo acesso, seguido de uma especializa\u00e7\u00e3o profissional de dois anos (como um mestrado) e de cursos mais avan\u00e7ados de doutorado ou especializa\u00e7\u00f5es mais aprofundadas.<\/p>\n<p>Embora a legisla\u00e7\u00e3o brasileira preveja a exist\u00eancia de cursos superiores de dura\u00e7\u00e3o mais reduzida e orientados mais diretamente para o mercado de trabalho (que recebem a denomina\u00e7\u00e3o de \u2018tecnol\u00f3gicos\u2019), o n\u00famero de estudantes nessa categoria \u00e9 diminuto, embora venha aumentando ultimamente, tendo passado de 162 mil em 2010 para 206 mil em 2014, sobretudo no setor privado. Ainda que n\u00e3o seja no papel, o ensino superior no Brasil \u00e9, na pr\u00e1tica, fortemente diferenciado e estratificado, com carreiras altamente disputadas e de alto rendimento, e outras com remunera\u00e7\u00e3o muito baixa.<\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma anomalia no Brasil que \u00e9 a exist\u00eancia de um grande \u2018mestrados acad\u00eamicos\u2019, que concentram a maior parte de matr\u00edculas e graduados. Em todo o mundo, os mestrados s\u00e3o cursos de aperfei\u00e7oamento profissional para o mercado de trabalho, e n\u00e3o de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, que se d\u00e1 normalmente em cursos de doutorado. Os estudantes que se destinam aos doutorados v\u00eam diretamente dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, sem precisar passar por uma etapa intermedi\u00e1ria de mestrado.<\/p>\n<p>Os mestrados acad\u00eamicos no Brasil foram criados para dar uma titula\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria a professores universit\u00e1rios quando n\u00e3o havia no pa\u00eds n\u00famero suficiente de cursos de doutorado. Mas a pr\u00e1tica n\u00e3o foi interrompida, e as tentativas de criar mestrados profissionais n\u00e3o foram muito longe, como se v\u00ea pelo n\u00famero pequeno de inscritos e formados nessa modalidade.<\/p>\n<p>Essa anomalia est\u00e1 sendo suprida, em parte, pelo surgimento de mestrados profissionais e, sobretudo, por cursos de especializa\u00e7\u00e3o <em>lato senso<\/em>, como os MBAs em administra\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o s\u00e3o regulados, nem entram nas estat\u00edsticas do MEC ou do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI). A PNAD cont\u00ednua 2\/2016 identificou 820 mil estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil, dos quais 515 mil em cursos de especializa\u00e7\u00e3o, 200 mil em cursos de mestrado e 105 mil em cursos de doutorado. \u00a0A pesquisa tamb\u00e9m mostra que a idade m\u00e9dia dos alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 de 34 anos, o que indica que esses cursos s\u00e3o, sobretudo, de titula\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o continuada para profissionais j\u00e1 estabelecidos, e n\u00e3o para jovens em processo de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma outra fonte, a Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS) do Minist\u00e9rio do Trabalho, identificou 363 mil pessoas no Brasil com t\u00edtulos de mestrado em doutorado em dezembro de 2014, das quais cerca de metade trabalhava em educa\u00e7\u00e3o, e cerca de um ter\u00e7o na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A distribui\u00e7\u00e3o das atividades de mestres e doutores \u00e9 similar, e aponta na mesma dire\u00e7\u00e3o: eles se dedicam, predominante, e atividades educativas e de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nos diversos setores. O n\u00famero de p\u00f3s-graduados que se dedicam \u00e0 pesquisa \u00e9 muito pequeno, embora muitos dos que aparecem nos setores de ensino e administra\u00e7\u00e3o podem ser tamb\u00e9m pesquisadores. O setor produtivo privado ocupa um n\u00famero muito pequeno de pessoas altamente qualificadas, com predom\u00ednio da \u00e1rea de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Ensino m\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>O acesso ao ensino m\u00e9dio no Brasil cresceu rapidamente at\u00e9 2004, quando ent\u00e3o quase estacionou. Em 1992, somente 18,3% dos jovens de 15 a 17 anos estavam no ensino m\u00e9dio; em 12 anos, esse percentual passou para 45,7%, e chegou a 56,5% em 2014. Naquele ano, 65% dos jovens com 25 anos haviam conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio em algum momento.<\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio brasileiro foi organizado na d\u00e9cada de 1940, como um curso preparat\u00f3rio para uma pequena elite que se dirigia aos estudos universit\u00e1rios, tanto a algumas poucas escolas p\u00fablicas altamente seletivas quanto a escolas particulares, sobretudo religiosas, ou a cursos normais para forma\u00e7\u00e3o de professoras. Apesar da massifica\u00e7\u00e3o e de muitas modifica\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o nos anos posteriores, a concep\u00e7\u00e3o tradicional do ensino m\u00e9dio quase n\u00e3o se alterou desde ent\u00e3o e, a partir da Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, ficou estabelecido que o ensino t\u00e9cnico de n\u00edvel m\u00e9dio s\u00f3 poderia ser feito de forma complementar ao curr\u00edculo tradicional, e n\u00e3o como uma alternativa, como ocorre na grande maioria dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Hoje, embora algumas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ofere\u00e7am ensino t\u00e9cnico integrado ao regular, em cursos de tempo integral, a maior parte dos que buscam essa forma\u00e7\u00e3o dirigem-se a estabelecimentos privados depois de terminar o ensino m\u00e9dio regular, de proveito duvidoso. O censo escolar de 2015 identificou 10.6 milh\u00f5es de matr\u00edculas no ensino m\u00e9dio, das quais 7.6 milh\u00f5es em cursos regulares (proped\u00eauticos), 1.3 milh\u00f5es em cursos de educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos (EJA) e 1.7 milh\u00f5es em cursos t\u00e9cnicos, que na verdade s\u00e3o cursos profissionais nas diversas \u00e1reas. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira exige o curso m\u00e9dio completo para que o curso t\u00e9cnico de n\u00edvel m\u00e9dio tenha validade, e 790 mil dos que faziam estes cursos j\u00e1 haviam completado o ensino m\u00e9dio regular, e outros 511 faziam os dois cursos simultaneamente.\u00a0 Os Institutos Federais de Ci\u00eancia e Tecnologia e o Centro Paula Souza do Estado de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m ofereciam cursos de tempo integral combinando o ensino proped\u00eautico e profissional, e 319 mil estudavam desta forma.\u00a0 A admiss\u00e3o para estes cursos \u00e9 feita em geral por concurso, os estudantes tendem ser jovens, e a principal motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 se preparar os exames de ingresso para as universidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A maioria dos alunos destes cursos s\u00e3o mulheres, e elas se concentram sobretudo nas \u00e1reas de ambiente e sa\u00fade e gestao e neg\u00f3cios; j\u00e1 os homens se dirigem principalmente para as \u00e1ras de controles e processos industriais, informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. A maior parte das matr\u00edculas est\u00e3o no setor privado, com 34.5%, seguida das redes estaduais, com 31.1% (com destaque para a rede Paula Souza do Estado de S\u00e3o Paulo). Os Institutos federais s\u00f3 contribuem com 18.8% da matr\u00edcula, e o Sistema S, incluindo o SESI\/SENAI e SESC, outros 12.7%, A raz\u00e3o pela qual o Sistema S aparece t\u00e3o pouco \u00e9 que ele se concentra sobretudo nos cursos curtos de forma\u00e7\u00e3o inicial e continuda, que n\u00e3o fazem parte do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>Expans\u00e3o perversa<\/strong><\/p>\n<p>Estes dados confirmam que educa\u00e7\u00e3o brasileira vem se expandindo ao longo dos anos, tanto no n\u00edvel superior quanto m\u00e9dio, mas de forma perversa, sem criar alternativas claras de forma\u00e7\u00e3o para um p\u00fablico cada vez mais diversificado, que busca aumentar seus conhecimentos e suas qualifica\u00e7\u00f5es formais. No n\u00edvel m\u00e9dio, ao contr\u00e1rio do resto do mundo, todos devem seguir os mesmos cursos tradicionais, e a qualifica\u00e7\u00e3o profissional s\u00f3 pode ser feita como forma\u00e7\u00e3o adicional, embora a grande maioria nunca chegue ao ensino superior. No n\u00edvel superior, tamb\u00e9m na contram\u00e3o da maioria dos pa\u00edses, os cursos de curta dura\u00e7\u00e3o, denominados &#8220;tecnol\u00f3gicos&#8221; (embora concentrados nas \u00e1reas des servi\u00e7os) s\u00f3 tinham 13.2% das matr\u00edculas; todos os demais cursos s\u00e3o considerados igualmente \u2018universit\u00e1rios\u2019: submetem-se a exig\u00eancias de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e pesquisa semelhantes e proporcionam diplomas de mesma validade em todo o pa\u00eds, embora grande parte deles seja, na pr\u00e1tica, dedicada exclusivamente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>A justificativa muitas vezes apresentada para esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que cria\u00e7\u00e3o de alternativas de forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel m\u00e9dio e superior poderia levar a cursos e institui\u00e7\u00f5es de segunda classe, que diplomando estudantes e profissionais sem forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e cient\u00edfica, que seria necess\u00e1ria a todos. O resultado, na pr\u00e1tica, \u00e9 o oposto: \u00a0a falta de alternativas torna a educa\u00e7\u00e3o altamente discriminat\u00f3ria, excluindo ou prejudicando os que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e carreiras mais privilegiadas, como se v\u00ea pelo grande n\u00famero dos que n\u00e3o completam a educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia ou n\u00e3o atingem as notas m\u00ednimas de desempenho no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) para ingresso na educa\u00e7\u00e3o superior e terminam, se tanto, com t\u00edtulos vazios de conte\u00fado e de pouco valor no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Para compensar a rigidez e as limita\u00e7\u00f5es do sistema educacional, a sociedade brasileira vem desenvolvendo, desde os anos 1940, uma s\u00e9rie de alternativas de forma\u00e7\u00e3o fora do sistema educacional regular, sobre as quais inexistem informa\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas. Entre elas, est\u00e3o os cursos de forma\u00e7\u00e3o profissional de curta dura\u00e7\u00e3o oferecidos pelo Sistema S e por escolas profissionais livres, bem como cursos e treinamentos dados por empresas e organiza\u00e7\u00f5es governamentais e n\u00e3o governamentais, sindicatos e associa\u00e7\u00f5es, que atingem uma estimativa de 27 milh\u00f5es de pessoas em um ano. A exist\u00eancia desse setor invis\u00edvel \u00e9 salutar, e sua informalidade pode ser uma vantagem, j\u00e1 que abre espa\u00e7o para flexibiidade e experimenta\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o para que o setor formal da educa\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel pelos certificados legalmente reconhecidos e usados por todos, continue com as atuais distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Novos caminhos<\/strong><\/p>\n<p>No conjunto da educa\u00e7\u00e3o brasileira, o setor de ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica \u00e9 relativamente pequeno \u2013 e n\u00e3o poderia ser muito diferente, dadas as caracter\u00edsticas do mercado de trabalho e da inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na economia internacional, que levam ao predom\u00ednio do setor de servi\u00e7os. Mas, na medida em que o pa\u00eds consiga formar um n\u00famero mais significativo de pessoas com boa capacita\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas, ser\u00e3o criadas oportunidades para o desenvolvimento de uma economia mais sofisticada em todos os setores. Atualmente, as atividades de rotina est\u00e3o sendo ocupadas por m\u00e1quinas e computadores, e h\u00e1 uma demanda crescente por pessoas com ampla capacidade de entendimento e racioc\u00ednio, o que inclui necessariamente as compet\u00eancias matem\u00e1ticas e a familiariza\u00e7\u00e3o com as novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para preencher essa lacuna, \u00e9 indispens\u00e1vel que os estudantes tenham acesso a oportunidades educacionais compat\u00edveis com seus interesses e suas compet\u00eancias e que n\u00e3o sejam for\u00e7ados a estudar coisas que n\u00e3o lhes digam respeito. Para isso, v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es devem ser feitas no sistema educacional brasileiro.<\/p>\n<p>No ensino m\u00e9dio, \u00e9 preciso criar op\u00e7\u00f5es de especializa\u00e7\u00e3o e aprofundamento, tanto para as diferentes \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o superior \u2013 ci\u00eancias, matem\u00e1tica, engenharias, sa\u00fade, ci\u00eancias sociais etc. \u2013 quanto para as v\u00e1rias modalidades de ensino t\u00e9cnico e profissional, reduzindo, assim, o n\u00famero de mat\u00e9rias obrigat\u00f3rias. Como consequ\u00eancia, o Enem deve ser alterado para permitir avalia\u00e7\u00f5es das diferentes trajet\u00f3rias.<\/p>\n<p>No ensino superior, deve-se fortalecer e expandir as oportunidades de forma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e profissional de curta dura\u00e7\u00e3o; e, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, os mestrados acad\u00eamicos precisam evoluir para doutorados plenos ou se transformar em mestrados profissionais. Os doutorados e o sistema de avalia\u00e7\u00e3o dos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o mantido pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) tamb\u00e9m precisam ser revistos, para que abandonem padr\u00f5es exclusivamente acad\u00eamicos e incorporem crit\u00e9rios de relev\u00e2ncia social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, deve ser poss\u00edvel, a partir de cada n\u00edvel e op\u00e7\u00e3o, buscar novas trajet\u00f3rias e alcan\u00e7ar n\u00edveis mais altos de forma\u00e7\u00e3o, sem obst\u00e1culos formais dissociados das motiva\u00e7\u00f5es e da capacidade de estudo e trabalho de cada um. N\u00e3o sabemos bem como fazer isso, ser\u00e1 um longo aprendizado. Mas \u00e9 assim que ocorre no resto do mundo, e n\u00e3o podemos continuar sempre para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Ci\u00eancia Hoje publica, em seu n\u00famero 337, um artigo sobre este tema, cuja vers\u00e3o completa pode ser baixada deste link., e cujo texto central reproduzo aqui. Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho em Ci\u00eancia e Tecnologia Uma das fun\u00e7\u00f5es importantes dos sistemas educativos \u00e9 formar, desde o ensino b\u00e1sico, pessoas capacitadas nas \u00e1reas t\u00e9cnicas, que combinam &hellip; <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/educacao-e-trabalho-em-ciencia-e-tecnologia\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho em Ci\u00eancia e Tecnologia&#8221;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-5483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao-profissionalvocational-education"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5483"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6071,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5483\/revisions\/6071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}