{"id":5747,"date":"2017-05-20T06:50:49","date_gmt":"2017-05-20T09:50:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5747"},"modified":"2017-05-20T07:03:09","modified_gmt":"2017-05-20T10:03:09","slug":"bolivar-lamounier-nau-sem-rumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/bolivar-lamounier-nau-sem-rumo\/","title":{"rendered":"Bolivar Lamounier: Nau Sem Rumo"},"content":{"rendered":"<p><script type='application\/json' class='__iawmlf-post-loop-links'>[{\"id\":237,\"href\":\"http:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/geral,mais-uma-vez-uma-nau-sem-rumo,70001797704\",\"archived_href\":\"\",\"redirect_href\":\"https:\\\/\\\/opiniao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/geral,mais-uma-vez-uma-nau-sem-rumo,70001797704\",\"checks\":[],\"broken\":false,\"last_checked\":null,\"process\":\"done\"}]<\/script><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-5748\" src=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/goastship.jpg\" alt=\"\" width=\"376\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/goastship.jpg 570w, https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/goastship-420x310.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 376px) 85vw, 376px\" \/>Comparto o artigo de Bolivar Lamounier publicado no<a href=\"http:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,mais-uma-vez-uma-nau-sem-rumo,70001797704\"> O Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>, 20 de maio de 2017, sobre a crise atual e a quest\u00e3o do sistema partid\u00e1rio e eleitoral:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mais uma vez, nau sem rumo<\/strong><\/p>\n<p>Em 1985 apresentei \u00e0 Comiss\u00e3o Afonso Arinos, da qual fazia parte, um diagn\u00f3stico da estrutura partid\u00e1ria brasileira. No ano seguinte a Editora Brasiliense publicou esse texto como um livrinho, intitulado <em>Partidos Pol\u00edticos e Consolida\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica: o Caso Brasileiro.<\/em><\/p>\n<p>Meu argumento era mais enf\u00e1tico, mas no essencial n\u00e3o diferia do antigo entendimento de que o Brasil n\u00e3o chegara a formar um sistema de partidos \u00e0 altura de suas necessidades. Em perspectiva hist\u00f3rica e comparada \u2013 escrevi logo na primeira linha \u2013, o Brasil \u00e9 um caso not\u00f3rio de subdesenvolvimento partid\u00e1rio. O resultado de nossa descont\u00ednua hist\u00f3ria partid\u00e1ria, com poucas exce\u00e7\u00f5es, fora uma sucess\u00e3o de sistemas fr\u00e1geis e amorfos. E fui mais longe, afirmando que uma estrutura mais forte dificilmente se constituiria a partir de uma organiza\u00e7\u00e3o institucional que combinava o regime presidencialista com a Federa\u00e7\u00e3o, um multipartidarismo exacerbado e um sistema eleitoral individualista, frouxo e permissivo. Para que a redemocratiza\u00e7\u00e3o chegasse a bom porto era, pois, imperativo adotar outro conjunto de incentivos, entre os quais o voto distrital misto.<\/p>\n<p>A tese acima exposta n\u00e3o se firmou. Poucos anos mais tarde o meio acad\u00eamico acolheu um entendimento precisamente oposto. Nossos partidos e balizamentos institucionais seriam perfeitamente adequados e n\u00e3o seria exagero dizer que se inclu\u00edam entre os melhores do mundo. N\u00e3o representavam nenhum risco para a estabilidade democr\u00e1tica, muito menos para a governabilidade \u2013 ou seja, para a desejada efic\u00e1cia na condu\u00e7\u00e3o dos programas de governo. A tese da fragilidade partid\u00e1ria n\u00e3o passaria de um mito.<\/p>\n<p>Relembrar essa discuss\u00e3o no momento atual \u00e9 um exerc\u00edcio surrealista. Quem tem olhos de enxergar sabe que praticamente todos os partidos couberam no bolso de duas empresas, a Odebrecht e a JBS. Sabe que as duas n\u00e3o apenas obtinham quando queriam as leis e medidas provis\u00f3rias (MPs) de seu interesse, como \u2013 e isto \u00e9 muito mais importante \u2013 f\u00e1bulas de dinheiro no BNDES, como viria a ocorrer no transcurso dos governos Lula e Dilma. As cifras, que \u00e0 \u00e9poca o Pa\u00eds desconhecia, eram (s\u00e3o) estonteantes. Ou seja, o cartel das empreiteiras, Eike Batista e os irm\u00e3os Joesley e Wesley mandavam muito mais do que centenas de deputados eleitos pelo voto popular. Em 2010, tr\u00eas grandes eleitores \u2013 Lula, Marcelo Odebrecht e o marqueteiro Jo\u00e3o Santana \u2013 substitu\u00edram-se \u00e0 grande massa votante e enfiaram Dilma Rousseff pela goela abaixo dos brasileiros. O quadro acima se alterou gra\u00e7as a dois fatores principais: o instituto da dela\u00e7\u00e3o premiada e a circunst\u00e2ncia at\u00e9 certo ponto fortuita de o \u201cmensal\u00e3o\u201d ter ca\u00eddo nas m\u00e3os de Joaquim Barbosa e o \u201cpetrol\u00e3o\u201d, nas do juiz Sergio Moro.<\/p>\n<p>Como bem mostrou Fernando Gabeira no Estad\u00e3o de ontem (19\/5), o que ruiu n\u00e3o foi um ou outro partido, mas todo o sistema: \u201cTodo o esquema pol\u00edtico-partid\u00e1rio estava envolvido, por interm\u00e9dio de suas principais siglas. A dela\u00e7\u00e3o da JBS apenas confirmou o processo de decomposi\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel\u201d (grifo meu). Mais adiante, Gabeira pergunta se n\u00e3o ser\u00e1 o caso de esquecermos a ideia de partido e passarmos a pensar em \u201cmovimentos\u201d. N\u00e3o sei o que isso significa, mas aqui j\u00e1 me afasto dele. Como tamb\u00e9m me afasto de toda cogita\u00e7\u00e3o sobre \u201cdemocracia direta\u201d, \u201cconselhos populares\u201d e assemelh\u00e1veis. A democracia representativa \u00e9 o \u00fanico modelo s\u00e9rio e consistente de democracia que a Hist\u00f3ria produziu e os partidos lhe s\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p>Admito, por\u00e9m, que a \u201cdecomposi\u00e7\u00e3o\u201d a que Gabeira se refere j\u00e1 n\u00e3o pode ser resolvida por meio de uma reforminha pol\u00edtica qualquer, como essas que o Congresso prop\u00f5e um ano sim e o outro tamb\u00e9m, creio que com o saud\u00e1vel intuito de divertir a imprensa. O \u201cpov\u00e3o\u201d \u2013 aquele sempre acusado de \u201cn\u00e3o saber votar\u201d \u2013 n\u00e3o tem nada que ver com isso. Se o que lhe d\u00e3o \u00e9 o paternalismo do Bolsa Fam\u00edlia, ele vota para mostrar gratid\u00e3o pelo que lhe deram, e interesse em continuar recebendo tais migalhas.<\/p>\n<p>O buraco \u00e9 mais em cima. \u00c9 a desorienta\u00e7\u00e3o mental e pol\u00edtica que grassa entre as \u201celites\u201d, ou seja, entre os 20% mais escolarizados, com mais acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e de renda mais alta. No dia 29 de abril, milh\u00f5es de brasileiros observaram, pasmos, a vetusta Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apoiar a contrafa\u00e7\u00e3o de \u201cgreve geral\u201d imposta ao Pa\u00eds pelas centrais sindicais. Destas, realmente, \u00e9 pouco o que se pode esperar, mas a CNBB tem o dever de expressar pelo menos os anseios da parcela cat\u00f3lica da sociedade. N\u00e3o creio que uma a\u00e7\u00e3o daquela ordem, baseada na supress\u00e3o violenta do direito de ir e vir e em depreda\u00e7\u00f5es, esteja entre tais anseios. Nas universidades e at\u00e9 no ensino m\u00e9dio, uma grande parte \u2013 talvez a maioria \u2013 dos docentes e discentes parece aferrada a chav\u00f5es ideol\u00f3gicos decididamente peremptos.<\/p>\n<p>A\u00ed, a meu ver, \u00e9 que est\u00e1 a raiz do problema. Podemos mudar as regras eleitorais quantas vezes quisermos, mas n\u00e3o sejamos ing\u00eanuos: n\u00e3o iremos a lugar algum se as elites dos diversos setores n\u00e3o assumirem suas responsabilidades. A refer\u00eancia que fiz acima \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2010 ilustra bem o que estou tentando dizer; com uma elite dessa ordem, incapaz de enxergar a trama urdida por tr\u00eas grandes eleitores, o Brasil n\u00e3o reencontrar\u00e1 o caminho do desenvolvimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Permaneceremos na condi\u00e7\u00e3o de uma nau fr\u00e1gil, a\u00e7oitada de quando em quando por violentas ventanias, por crises pr\u00e9-fabricadas, desperdi\u00e7ando o escasso tempo de que dispomos para aumentar a renda nacional e melhorar nossas condi\u00e7\u00f5es sociais. Os 14,2 milh\u00f5es de desempregados decididamente N\u00c3O agradecem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comparto o artigo de Bolivar Lamounier publicado no O Estado de S\u00e3o Paulo, 20 de maio de 2017, sobre a crise atual e a quest\u00e3o do sistema partid\u00e1rio e eleitoral: Mais uma vez, nau sem rumo Em 1985 apresentei \u00e0 Comiss\u00e3o Afonso Arinos, da qual fazia parte, um diagn\u00f3stico da estrutura partid\u00e1ria brasileira. 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