{"id":5829,"date":"2017-12-15T17:56:40","date_gmt":"2017-12-15T20:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5829"},"modified":"2017-12-15T18:06:21","modified_gmt":"2017-12-15T21:06:21","slug":"a-nova-proposta-de-alfabetizacao-apresentada-pelo-mec-ao-cne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/a-nova-proposta-de-alfabetizacao-apresentada-pelo-mec-ao-cne\/","title":{"rendered":"A nova proposta de alfabetiza\u00e7\u00e3o apresentada pelo MEC ao CNE- 2"},"content":{"rendered":"<p><script type='application\/json' class='__iawmlf-post-loop-links'>[{\"id\":225,\"href\":\"https:\\\/\\\/archive.org\\\/details\\\/RespostaAlfab\",\"archived_href\":\"\",\"redirect_href\":\"\",\"checks\":[],\"broken\":false,\"last_checked\":null,\"process\":\"done\"},{\"id\":226,\"href\":\"http:\\\/\\\/educacao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/geral,sobral-vira-modelo-nacional-de-gestao-imp-,1158465\",\"archived_href\":\"https:\\\/\\\/web-wp.archive.org\\\/web\\\/20220630190936\\\/https:\\\/\\\/educacao.estadao.com.br\\\/noticias\\\/geral,sobral-vira-modelo-nacional-de-gestao-imp-,1158465\",\"redirect_href\":\"\",\"checks\":[{\"date\":\"2026-04-15 16:59:17\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-19 13:48:00\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-23 00:19:05\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-26 10:44:52\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-04-30 13:24:42\",\"http_code\":200},{\"date\":\"2026-05-04 00:01:10\",\"http_code\":200}],\"broken\":false,\"last_checked\":{\"date\":\"2026-05-04 00:01:10\",\"http_code\":200},\"process\":\"done\"}]<\/script>&nbsp;<\/p>\n<p>Por 20 votos a 3, em 15\/12\/2017, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o aprovou o texto da Base Nacional Curricular Comum da Educa\u00e7\u00e3o Fundamental. Em <a href=\"https:\/\/www.schwartzman.org.br\/sitesimon\/?p=5820\">postagem anterior<\/a>, eu circulei uma nota preparada por um conjunto de pesquisadores e especialistas criticando o documento na parte espec\u00edfica sobre o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Em resposta, as autoras respons\u00e1veis escreveram um texto que <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/RespostaAlfab\">tamb\u00e9m estou disponibilizando aqui.<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 um tema especializado que deveria ter sido amplamente discutido antes da aprova\u00e7\u00e3o da Base, n\u00e3o agora que ela j\u00e1 est\u00e1 aprovada, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que discuss\u00e3o dever\u00e1 prosseguir. N\u00e3o tenho conhecimentos espec\u00edficos de pedagogia e psicologia da aprendizagem para entrar nos detalhes desta discuss\u00e3o, mas acho importante assinalar alguns dos pontos principais.<\/p>\n<p>Pelo que entendo, para os cr\u00edticos do documento aprovado, o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo relativamente simples e ao alcance de todas as crian\u00e7as, desde que conduzido de forma adequada. Segundo eles,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">Uma crian\u00e7a aprende a ler em poucos meses de ensino apropriado do sistema alfab\u00e9tico. Meses estes precedidos de estimula\u00e7\u00e3o \u00e0 fala, vocabul\u00e1rio, brincadeiras metafonol\u00f3gicas (desde a educa\u00e7\u00e3o infantil); e seguidos de contextos educacionais estimulantes e incentivadores da leitura. \u00c9 o que nos mostram os estudos recentes, os relatos de experi\u00eancias, as pesquisas com modelos de interven\u00e7\u00f5es experimentais nos mais diferentes pa\u00edses e l\u00ednguas&#8221;.<\/p>\n<p>Mais especificamente, dizem que<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8220;O\u00a0sistema alfab\u00e9tico de escrita se revela como um &#8216;c\u00f3digo alfab\u00e9tico&#8217; de rela\u00e7\u00f5es entre o som da fala e a representa\u00e7\u00e3o da fala, que muitos confundem com &#8216;c\u00f3digo ortogr\u00e1fico&#8217;. O c\u00f3digo alfab\u00e9tico \u00e9 facilmente decodificado quando se conhece a sua &#8216;chave&#8217;; \u00a0isto \u00e9, que as letras e conjuntos de letras est\u00e3o representando sons da fala!! Quando a crian\u00e7a ou o adulto iletrado aprende a chave do c\u00f3digo, a aprendizagem do sistema alfab\u00e9tico deslancha! \u00c9 por isso que precisamos ensinar as letras do alfabeto e as formas poss\u00edveis de combin\u00e1-las para escrever e ler em L\u00edngua Portuguesa. Neste contexto te\u00f3rico s\u00f3 se ensina letras como sinais que representam sons (&#8230;)\u00a0A proposta da BNCC n\u00e3o prev\u00ea esta informa\u00e7\u00e3o para alfabetizar. Consequentemente se afasta dos resultados de pesquisas que mostram a melhor forma de ensinar a ler em sistemas alfab\u00e9ticos&#8221;.<\/p>\n<p>Para as autoras do texto da Base, por outro lado, o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o deve ser integrado pelo processo de &#8220;letramento&#8221;,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8220;O que sup\u00f5e um trabalho contextualizado pelos g\u00eaneros discursivos e, por outro lado, o compromisso de o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o ocorrer em um contexto que permita a reflex\u00e3o do aprendiz, considerado, ent\u00e3o, como um sujeito ativo em seu processo de aprendizagem&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo as autoras,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8220;Tratar a linguagem escrita como <em>c\u00f3digo<\/em> equivale a entend\u00ea-la como uma transcri\u00e7\u00e3o da linguagem oral e, com isso, assumir uma rela\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia biun\u00edvoca entre sons e grafemas (&#8230;) \u00a0Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 como ignorar pelo menos 30 anos de tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em que essa vis\u00e3o da linguagem escrita como c\u00f3digo alfab\u00e9tico vem sendo desmantelada. S\u00e3o incont\u00e1veis os autores e as pesquisas que demonstraram a fal\u00eancia de um processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o baseado numa vis\u00e3o da linguagem escrita como c\u00f3digo e a consequente necessidade de apostar num sujeito ativo que observa, analisa e reflete sobre a escrita, bem como num trabalho contextualizado e pautado pelos usos sociais da leitura e da escrita, quando da abordagem do sistema de escrita do portugu\u00eas do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos, no entanto, dizem exatamente o contr\u00e1rio: que a literatura especializada internacional, que citam, \u00a0mostra justamente a import\u00e2ncia da abordagem que eles prop\u00f5em, e que o texto da Base Nacional Curricular Comum n\u00e3o considera.<\/p>\n<p>Apesar de extremamente t\u00e9cnica em muitos aspectos, esta discuss\u00e3o tem grande relev\u00e2ncia. As autoras do texto da Base argumentam que as crian\u00e7as brasileiras, em sua grande maioria, n\u00e3o teriam condi\u00e7\u00f5es de se alfabetizar no primeiro ano escolar:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u00a0&#8220;Um pa\u00eds em que crian\u00e7as de 08 anos, 11 anos\u00a0desmaiam de fome no caminho para a escola ou na pr\u00f3pria escola, pela pobreza que impede alimenta\u00e7\u00e3o adequada e pela dist\u00e2ncia entre suas moradias e a escola (&#8230;) querer que esses alunos cheguem finalmente \u00e0 escola para per\u00edodos intensivos e acelerados de treinos e testes para a aquisi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia fonol\u00f3gica e, mais ainda, antes dos seis anos de idade, chega a ser surreal. Provavelmente, n\u00e3o estamos vivendo \u2013 os missivistas e n\u00f3s \u2013 no mesmo pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>Assim, elas defendem que o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o se d\u00ea ao longo dos dois primeiros anos a partir dos seis anos de idade, como est\u00e1 na vers\u00e3o mais recente da Base &#8211; \u00a0o que \u00e9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 aqui, que era de aceitar um prazo de tr\u00eas anos. Enquanto isto, seus cr\u00edticos afirmam que, com o uso de m\u00e9todos adequados, a alfabetiza\u00e7\u00e3o pode se completar em um ano ou menos, desde que as crian\u00e7as estejam na escola e os professores estejam adequadamente preparados, e lembram que &#8220;os professores formados at\u00e9 a d\u00e9cada de 70 sabiam alfabetizar seus alunos no primeiro ano escolar&#8221;.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, mesmo com o prazo de tr\u00eas anos, e talvez \u00a0em parte por causa dele, um grande n\u00famero de crian\u00e7as nas escolas p\u00fablicas brasileiras continuam funcionalmente analfabetas. Por outro lado, escolas p\u00fablicas bem organizadas e que fazem uso de m\u00e9todos estruturados de alfabetiza\u00e7\u00e3o conseguem excelentes resultados com estudantes de fam\u00edlias pobres, como no <a href=\"http:\/\/educacao.estadao.com.br\/noticias\/geral,sobral-vira-modelo-nacional-de-gestao-imp-,1158465\">conhecido exemplo de Sobral, no Cear\u00e1<\/a> e outros, uma evid\u00eancia de que, sem ignorar as dificuldades existentes, n\u00e3o se pode colocar nas condi\u00e7\u00f5es sociais das crian\u00e7as a responsabilidade pelo fracasso educacional de grande parte de nossas escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por 20 votos a 3, em 15\/12\/2017, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o aprovou o texto da Base Nacional Curricular Comum da Educa\u00e7\u00e3o Fundamental. 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